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João Barradas, Daniel Bernardes e Becca Stevens no Jazz em Monserrate em setembro

O cartaz do Festival de Jazz de Monserrate, em Sintra, entre 11 e 13 de setembro próximo, inclui, entre outros, os músicos Daniel Bernardes, Rita Maria e Angélica Salvi, Becca Stevens e João Barradas que convida Jonathan Kreisberg.

© Parque de Sintra

O festival, sob o mote "Outros Tempos", realiza-se nos relvados do Palácio de Monserrate, em Sintra, no distrito de Lisboa, e "tem uma filosofia mais envolvente com o património e a paisagem", disse a sua diretora artística, Inês Laginha.

Todos os concertos são ao ar livre, excetuando os concertos "Jazz para Bebés", dirigidos a crianças dos zero aos 36 meses e às suas famílias, que se realizam na sala de música do palácio oitocentista.

"O Festival parte da ideia de que o jazz é, mais do que um género musical, uma forma de habitar o tempo. Um tempo elástico, aberto à improvisação, ao diálogo e à escuta. Entre tradição e contemporaneidade, composição e criação em tempo real, aprendizagem e fruição. A programação deste ano convida o público a experienciar diferentes formas de relação com a música, com o património e com a paisagem, reforçando a ideia do jazz em Monserrate como um espaço de encontro entre artistas públicos e gerações", afirmou Inês Laginha.

O festival abre no dia 11 com o pianista Daniel Bernardes - que se deu a conhecer no Festival de Jazz de Valado dos Frades, em 2002, num projeto do saxofonista Mário Marques -, e que orienta uma 'masterclass' sobre "A relação entre música e imagem".

À noite, Daniel Bernardes vai acompanhar ao piano a exibição do filme "Nosferatu: Uma Sinfonia de Horror" (1922), de F.W. Murnau.

"Eu gosto da ideia de que sexta-feira é um dia distintivo, porque é o dia de concerto. A minha ideia é que seja um dia de concerto único, porque as pessoas, à partida, muitas pessoas já estão a trabalhar. Estamos em setembro e, portanto, acho que não se deve presumir que possam ir passar o dia a Monserrate. Vão lá para ver um concerto. E este ano o meu desafio ao Daniel Bernardes foi musicar um filme mudo, ao vivo. E ele vai musicar este filme ao vivo, vai ser um improviso, apesar de ele trazer partes preparadas".

Os alunos de Jazz do Conservatório Nacional cumprem duas 'jamsessions', nos dias 12 e 13, à tarde.

Inês Laginha quis "dar ênfase a grupos dirigidos, por mulheres músicas"."Desse

ponto de vista, chamei a Rita Maria e a Angélica Sá, para se apresentarem com a banda por escolha delas, e que a dirigissem. Vão tocar música a partir de composições de Bernardo Sassetti [1970-2012]", no dia 12 de setembro, às 18:00.

"A ideia foi que o concerto das seis da tarde fosse um concerto com banda. E, portanto, ainda durante o dia, conforme o sol se vai pondo", sucede-se no palco a norte-americana Becca Stevens para apresentar "Maple To Paper".

"É a Becca Stevens a solo. Quis fazer uma ideia muito diferente do que é feito normalmente nos festivais, que é acabar sempre com a banda maior, com a coisa mais energética, ser o fim. Achei que era interessante, precisamente pela questão de ser num jardim e de acompanhar o pôr-do-sol, haver um abrandamento ao longo do dia, por oposição àquilo que se faz normalmente. Portanto, vamos ter a banda mais completa às seis da tarde e depois, às oito, a Becca Stevens a cantar a solo, a acompanhar o sol a pôr-se, porque acho que é uma parte relevante da experiência", disse Inês Laginha.

Em 2008, aos 24 anos, Becca Stevens foi apontada pelo crítico de jazz do jornnal The New York Times como "o segredo mais bem guardado" do jazz. No percurso da pianista, cantora e compositora seguiram-se colaborações com músicos como David Crosby e a sua Lighthouse Band, a orquestra de jazz Snarky Puppy, o ensemble Kneebody, Jacob Collier, o pianista Brad Mehldau e o Attacca Quartet.

Compositora, multi-instrumentista e produtora, Becca Stevens foi já duas vezes nomeada para os prémios Grammy.

"No domingo, dia 13, o tempo já tem a ver com tempo histórico. Vamos ter Mateus Saldanha, que tocará um jazz mais tradicional, e depois João Barradas, que tocará um jazz mais contemporâneo", e que convidou o guitarrista norte-americano Jonathan Kreisberg.

O guitarrista Mateus Saldanha apresenta o seu disco de estreia, "Troubles" (2025).

O trio de João Barradas (acordeão) inclui André Rosinha (contrabaixo) e Diogo Divagações (bateria), e convidou para este concerto o guitarrista nova-iorquino Jonathan Kreisberg, que se deu a conhecer em 1995 com o álbum "Third Wish with Wyscan".

O músico norte-americano soma esta colaboração a várias outras que têm pontuado a sua carreira, nomeadamente, com Lonnie Smith, LeeKonitz, Joe Locke, Ari Hoenigm Stefano di Battista e Don Fernando.

O festival de Jazz de Monserrate foi criado em 2022 pela Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), a entidade que gere os parques e monumentos de Sintra.

 

No ano passado, assistiram ao Festival 4.300 espectadores, segundo esta entidade.

A programação integral e horários podem ser consultados em www.jazzemmonserrate.pt.


Fonte: LUSA  | 31 de julho de 2026 

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