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Primeira trienal ArtCut do Vaticano decorre na Universidade Católica Portuguesa

A partir de 12 de outubro, a Universidade Católica Portuguesa acolhe, na sua sede em Lisboa, a primeira Trienal de Arte das Universidades Católicas (ArtCut), organizada pelo Vaticano, a qual tem como comissário-geral o Cardeal José Tolentino de Mendonça e como curador-chefe o português Nuno Crespo.

Promovida pelo Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, a Trienal de Arte das Universidades Católicas é uma iniciativa internacional, que decorrerá em oito cidades de sete países e três continentes, ao longo de 2026 e 2027, reunindo sete universidades católicas, 104 artistas, 14 curadores e várias instituições culturais de todo o mundo. 

O primeiro capítulo da ArtCut começa no Rio de Janeiro no Brasil, a 27 de agosto, seguindo-se Santiago do Chile (Chile, 3 de setembro), Bogotá (Colômbia, 9 de setembro), Boston (EUA, 23 de setembro) e Milão (Itália, 6 de outubro). Em Lisboa (Portugal), decorre de 12 de outubro a 15 de dezembro, depois será em Luanda (Angola, 29 de outubro) e, a terminar, Veneza (Itália). 

À Universidade Católica Portuguesa, juntam-se, na trienal, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Brasil), a Pontificia Universidad Católica de Chile (Chile), a Pontificia Universidad Javeriana (Colombia), Boston College (EUA), a Università Cattolica del Sacro Cuore (Itália) e a Universidade Católica de Angola (Luanda) Angola. 

Em Lisboa, estarão representados reputados artistas como Andreia Santana, Aires Mateus, Amadeo de Souza Cardoso, Ana Vieira, Augusto Alves da Silva, Carlos Bunga, Cristián Salineros F., Daniel Blaufuks, Délio Jasse, Dimakatso Mathopa, Francesca Woodman, Gordon Matta-Clark, Heidi Bucher, Helena Almeida, Irineu Destourelles, João Abel Manta, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Julião Sarmento, Lara Almárcegui, Maria Beatriz, Martha Rosler, Mona Hatoum, Nicolás Paris, Patrícia Garrido, Pedro Costa, Rafa Bqueer, René Tavares, Taysir Batniji, Vanderlei Lopes e William Eggleston. 

Sob o tema «Exercises in Empathy», a ArtCut foi concebida como um projeto coletivo dedicado à criação artística, à investigação científica e ao diálogo, explorando o papel da arte na abordagem das questões mais urgentes do nosso tempo, através de exposições, encomendas artísticas, publicações e programas públicos. Ao reunir uma rede internacional de universidades e de diversos agentes, procura também refletir sobre o papel da educação universitária, das relações humanas e do conceito de empatia, dando corpo ao que o Papa Leão XIV afirma na Encíclica «Magnifica Humanitas», sobre as chamadas inteligências artificiais, que «podem simular empatia ou compreensão, mas não compreendem aquilo que produzem, porque não habitam o horizonte afetivo, relacional e espiritual em que o ser humano se torna verdadeiramente sábio» (MH, n.º 99).  Assim, a ArtCut pretende ainda aprofundar, no espaço público, este debate em torno da salvaguarda da dimensão humana. 

Neste sentido, o Cardeal José Tolentino de Mendonça, Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, recorda que, quando o Papa João Paulo II, naquela que é a Magna Carta das Universidades Católicas, as descreveu como centros de criatividade e de irradiação, estava a formular um programa que cada época é chamada a concretizar com renovada energia. A universidade, enquanto comunidade educativa, reforça a capacidade humana de criar — de gerar novas ideias, de organizar o que antes parecia fragmentado, de imaginar novas versões do mundo — e deve ser vista como um convite à participação num ato de cocriação, e não como um mero exercício técnico de repetição. Já o Papa Leão XIV, na «Magnifica Humanitas», incentiva as universidades a interpretarem criativamente a complexidade dos desafios atuais e a empenharem-se «em tornar mais justa e fraterna a vida das nossas sociedades» (MH, n.º 47). 

«A trienal ArtCut é um projeto alimentado pela con­vicção de que as linguagens artísticas são um dispositivo privilegiado para estabelecer relações, diálogos e afinidades sem impedimentos culturais, linguísticos ou políticos. É uma exposição que se desenvolve pelo mundo inteiro, onde se reúnem artistas que falam diferentes línguas, que desenvolvem diferentes poéticas e possuem práticas artísticas, culturais, sociais e políti­cas muito distintas. Entre eles e nós, que recebemos e experimentamos as suas obras, desenvolve-se uma vasta conversa, uma conversa sonhada por sua Eminência o Cardeal Tolentino de Mendonça e materializada numa vasta exposição a que ele chama uma Escola de Empatia», salienta o curador-chefe desta trienal, Nuno Crespo. 

E acrescenta: «A ambição enorme da nossa Escola de Empatia é proporcional à dimensão dos abalos que as socieda­des e culturas humanas têm sofrido a ponto de muitas vezes tornarem o impensável real. Um projeto que encontra nas obras de arte dispositivos empáticos que é necessário ativar e aos quais precisamos prestar mais atenção porque neles reside a possibilidade de desinstalar a crescente desumanização que vemos vir na nossa direção». 

Além de diretor da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, Nuno Crespo é curador, crítico de arte, investigador e já comissariou diversas exposições. Licenciado e doutorado em filosofia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, as suas atividades de investigação têm sido direcionadas para o cruzamento entre arte, arquitetura e filosofia, bem como para as possibilidades de exercício do pensamento crítico. Tem dedicado artigos a autores como Adolf Loos, Aldo Rossi, Immanuel Kant, Peter Zumthor, Ludwig Wittgenstein e Walter Benjamin. Entre as suas publicações, destacam-se trabalhos sobre Adriana Molder, Aires Mateus, Axel Hütte, Bernd e Hilla Becher, Candida Höfer, Daniel Blaufuks, Rainer Werner Fassbinder, Gerhard Richter, Luísa Cunha, Pedro Costa, Rui Chafes e Vasco Araújo, entre outros, bem como os livros Corpo impossível (2006), Wittgenstein e a estética (2011), Julião Sarmento: Olhar animal (2013), Textos Públicos. Arte Portuguesa Contemporânea 20032023 (2024), entre outras obras por si editadas.

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