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"O Dia dos Prodígios"
Chega agora à 12.ª edição o livro com que Lídia Jorge se estreou e, em simultâneo, trouxe algo de novo, em 1980, à literatura portuguesa.
Trata-se de um longo poema narrativo cuja acção decorre numa aldeia remota do Portugal profundo, visitada pela primeira vez pelos soldados da Revolução, mas os locais, preocupados com a morte de uma serpente, não entendem a mensagem da boa nova.
Sobre a sua forma, tão particular e inovadora, escreveu Pierre Léglise-Costa – «Lídia Jorge foi beber ao passado comum das mulheres mediterrânicas e desta extremidade do mundo ocidental que é a sua terra. Para traduzir os ritos, os gestos, os gritos e a ternura, ela encontrou o tom e as formas das litanias que, particularmente no Sul de Portugal, são a expressão, comum e muito antiga, tanto da vida como da esperança.»
Tão prodigioso quanto o seu título, O Dia dos Prodígios constitui um tesouro literário inestimável.
«Dou notícia de um livro invulgar, não dou notícia, porque me não é possível, de tudo o que determina a sua invulgaridade.»
«É um romance que é constituído por histórias que se encadeiam umas nas outras, mas em que todas elas formam uma espécie de leque e, nesse leque, nós temos uma visão deste mundo. Eu não conheço nada parecido na época em que isto foi escrito.»
«A última palavra do livro é dó – primeira nota da escala musical. Mas é também pena, caridade e piedade. Música e pena nos envolvem como uma voz para a nossa própria sobrevivência. Diz-se que é no Algarve que termina a Europa. Ou será que é lá que tudo começa?»
«Caso singular, Lídia Jorge opera dentro duma literatura que não cultiva sistematicamente nem as experiências do concreto nem o conhecimento material da realidade; pelo contrário, a literatura é considerada entre nós ou um ornamento, ou cosa mentale, abstrata. Aqui reside a linha de força original deste primeiro romance-surpresa de Lídia Jorge.»

Lídia Jorge estreou-se com a publicação de O Dia dos Prodígios (1980), um dos livros mais emblemáticos da literatura portuguesa pós-revolução.
Desde então tem publicado obras nas áreas do romance, conto, ensaio, teatro, crónica e poesia.
Os seus textos têm sido adaptados para teatro, televisão e cinema e têm sido distinguidos com os principais prémios literários nacionais.
De entre os seus livros destacam-se A Costa dos Murmúrios, O Vale da Paixão, O Vento Assobiando nas Gruas, Os Memoráveis, Estuário e Misericórdia, romance multipremiado que foi distinguido com o Prémio Médicis Estrangeiro, atribuído pela primeira vez a um autor de língua portuguesa.
Amplamente traduzida e publicada no estrangeiro, entre os prémios internacionais que recebeu contam-se o Prémio ALBATROS da Fundação Günter Grass, o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas de Guadalajara e, mais recentemente, o Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia.
Em 2025, recebeu o Prémio Pessoa, sendo a primeira escritora a ser distinguida com este galardão, e, em 2026, o Prémio Camões.
Literatura Lusófona
308 páginas
17,70 Euros
ISBN: 978-972-20-9028-5
12.ª Edição: Setembro 2026
Dom Quixote | Leya

