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Tânia Carvalho é nomeada diretora artística do BallettVorpommern
Tânia Carvalho é nomeada diretora artística do BallettVorpommern (Theater Vorpommern | Greifswald, Stralsund & Putbus | Alemanha) a partir da temporada 2027/28 na sequência de um processo de seleção internacional que recebeu cerca de 70 candidaturas.
A call suscitou um forte interesse internacional, com cerca de 70 candidaturas provenientes de vários países europeus, bem como dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão. Na sequência de um processo de seleção em várias fases, conduzido por um painel de especialistas com elementos de fora da região, a direção do Theater Vorpommern nomeou Tânia Carvalho para o cargo.
Rolf C. Hemke, diretor artístico do Theater Vorpommern, afirmou estar “extremamente satisfeito e orgulhoso” com a nomeação:
“Com Tânia Carvalho, trazemos para o BallettVorpommern uma artista com uma sólida projeção internacional e uma voz coreográfica profundamente singular. Ao mesmo tempo, a saída de Ralf Dörnen, depois de mais de três décadas, assinala o fim de um período determinante, pelo qual lhe devemos uma profunda gratidão. O nosso objetivo é preservar a amplitude distintiva da companhia, entre o ballet clássico e a dança contemporânea, desenvolvendo-a simultaneamente em novas direções artísticas. Tânia Carvalho representa precisamente esta combinação entre continuidade e uma nova voz artística.”
No Theater Vorpommern, Tânia Carvalho assumirá a direção da companhia BallettVorpommern, composta por doze intérpretes, criando novas obras, dando continuidade ao desenvolvimento da ampla diversidade estilística do ensemble e reforçando as suas ligações nacionais e internacionais.
Sobre Tânia Carvalho:
Iniciou aulas de dança clássica aos cinco anos e de dança contemporânea aos catorze. Em 1994, estudou Artes Plásticas na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha e, entre 1995 e 1997, frequentou a Escola Superior de Dança, em Lisboa. Concluiu o Curso de Intérpretes de Dança Contemporânea do Fórum Dança, em 1999, e o Curso de Coreografia da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2005.
Frequentou também o curso de Joalharia do Ar.Co, em 1999. Entre 2007 e 2013, teve aulas particulares de piano e formação musical com João Aleixo, Diogo Alvim e Yuri Popov. Estudou erhu com Inês, em 2018, e com Cheong Li, a partir de 2019.
Desde os anos 1990, desenvolve criações em dança, música, desenho e cinema, incluindo solos, peças de grupo, concertos e colaborações com outros artistas. Na criação coreográfica, trabalha com intérpretes de diferentes formações e experiências, tanto em projetos próprios como em contextos de companhia, formação e participação. Cofundou o coletivo Bomba Suicida em 1997, do qual fez parte até 2014. A partir desse ano, passou a produzir as suas criações em nome próprio. Em 2021, integrou o coletivo agência 25.
Criou obras para a Company of Elders, a Companhia Paulo Ribeiro, o Ballet Contemporâneo do Norte, o Ballet de l’Opéra de Lyon, a Dançando com a Diferença, a Companhia Nacional de Bailado, o Ballet National de Marseille e o Jeune Ballet. Em 2021, foi também responsável pela direção coreográfica do Projeto Jovens Bailarinos da Companhia Paulo Ribeiro. Em 2024, criou Mysterious Heart para a Tanzmainz. Em 2026, encontra-se a desenvolver uma criação para o Ballet de l’Opéra du Rhin.
Desenvolveu também projetos coreográficos em contextos de formação, nomeadamente com alunos da Escola Superior de Dança, em Lisboa. Em 2025, criou Tout n’est pas visible, tout n’est pas audible, com alunos finalistas dos conservatórios superiores de música e dança de Lyon e Paris. O projeto foi apresentado em espaços museológicos nas duas cidades, no âmbito da Biennale de la danse de Lyon e do Festival d’Automne à Paris. Em 2026, criou La roue para o Jeune Ballet.
A Companhia Nacional de Bailado remontou A Tecedura do Caos e Olhos Caídos. Em 2021, a ?finMalta integrou no seu repertório A Tecedura do Caos. Em 2022, o Ballet National de Marseille remontou Xilografia e o solo Como se pudesse ficar ali para sempre. Colaborou também com Anne Rehbinder e Antoine Colnot na criação de Promesse, da companhia HKC, assinando a coreografia.
Na criação coreográfica, colaborou também com intérpretes da área da música, entre os quais a pianista Joana Gama e a cantora lírica Catarina Molder.
Na composição musical, cria a música de muitas das suas peças coreográficas e compõe também para outros artistas, entre os quais Luís Guerra e Simon Vincenzi. Uma das suas composições integrou o documentário ALinha, de Manuel Guerra. Desenvolve ainda projetos musicais autónomos e, em 2023, editou o seu primeiro álbum, Music for Versa-Vice. Em 2021, criou com Matthieu Ehrlacher o duo Papillons d’éternité, através do qual desenvolve projetos de música e dança.
Em 2018, realizou o seu primeiro filme, Um Saco e uma Pedra – peça de dança para ecrã. Estreado no Teatro Maria Matos com música interpretada ao vivo, foi posteriormente apresentado em contextos como o festival Chantiers d’Europe, em Paris, o Abril Dança em Coimbra, a BoCA, na Cinemateca Portuguesa, e o Festival Planalto.
Criou também uma das coreografias do filme Body-Buildings (2021), de Henrique Pina. Em 2022, criou Sucessão inevitável de acontecimentos para a série Danças na Cidade, da RTP, dedicada ao património arquitetónico de Lisboa.
Desenvolve também trabalho em desenho. Toledo é uma exposição em constante transformação, apresentada em espaços como o Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura (CAAA), em Guimarães, o Teatro Viriato, em Viseu, a BoCA, em Lisboa, a KLAP Maison pour la danse, em Marselha, e o Théâtre de la Ville, em Paris, entre outros. Realizou ainda dois desenhos de grande formato ao vivo, com curadoria de Miguel Moreira, um no CAAA e outro no Teatro Viriato.
Entre 2011 e 2014, integrou a rede europeia Modul-dance, que reunia coreógrafos e instituições dedicadas à dança. Em 2018, foi responsável pela programação da secção nacional do Festival Cumplicidades, em Portugal.
Em 2000, recebeu o Prémio Jovens Criadores por Inicialmente Previsto. A Sociedade Portuguesa de Autores distinguiu Icosahedron, em 2012, e onironauta, em 2021, com o Prémio de Melhor Coreografia.
Em 2018, o Teatro Municipal Maria Matos, o São Luiz Teatro Municipal e a Companhia Nacional de Bailado organizaram o Ciclo Tânia Carvalho, assinalando vinte anos de criação. O programa reuniu obras criadas entre 2008 e 2018 e incluiu a estreia de S, uma criação para a Companhia Nacional de Bailado.
Em 2019, foi distinguida como Cidadã de Mérito pela Câmara Municipal de Viana do Castelo.
Em 2022, no âmbito da Temporada Cruzada Portugal–França, o Théâtre de la Ville dedicou uma programação ao seu trabalho, apresentando várias das suas obras em diferentes salas de Paris.
Em 2023, foi distinguida pelo Ministério da Cultura de França com o título de Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres.

