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"Cartas ao Capitão Nemo"

Um inédito de Tabucchi, a que o grande escritor italiano se dedicou durante vários anos, sem nunca o publicar, chegando até a dá-lo por destruído. Um livro onírico e pleno de sugestões, além de um retrato muito eficaz da Itália do pós-guerra.

Uma mãe melancólica e distante, que ouve no gramofone a canção «Amado mio»; um pai fotografado com o braço eternamente estendido; um tio que colecciona bonecas; uma cave onde algo terrível aconteceu.

E também uma Aprilia vermelha, um piano, um rato morto. E, por fim, Duccio, a quem chamam Cino, um rapazinho que descobre o lado mais abjecto da vida e tenta esconjurá-lo com os meios que tem. Por exemplo, escrevendo ao Capitão Nemo...

Eis os protagonistas deste romance breve e enigmático, ambientado numa villa na costa toscana, na véspera de um Ano Novo da década de 1950.

Recuperado por entre os papéis guardados numa gaveta na casa do escritor, e pacientemente reconstruído por Thea Rimini, Cartas ao Capitão Nemo é, nas palavras do autor, «crónica de uma dissociação psíquica, metáfora da solidão ou radiografia de um futuro “vingador”».

«Cartas ao Capitão Nemo oferece sugestões poderosas: desde as primeiras experiências narrativas, em que condensava uma espécie de épica toscana agrícola, libertária e anárquica, Tabucchi avança em direcção àquele horizonte metaliterário que tornará tão reconhecível o timbre da sua escrita.»
PAOLO DI PAOLO, LA REPUBBLICA

«À luz da totalidade da obra, aquele “romance ausente”, em que o gene do adorado poeta Fernando Pessoa parece agir com maior evidência, revela-se uma etapa tudo menos secundária.»
PAOLO DI STEFANO, CORRIERE DELLA SERA   


Antonio Tabucchi (1943-2012) nasceu em Pisa, onde fez os seus estudos, primeiro na Faculdade de Letras e depois na Scuola Normale Superiore.
Ensinou nas Universidades de Bolonha, Roma, Génova e Siena.
Foi Visiting Professor no Bard College de Nova Iorque, na École de Hautes Études de Paris e no Collège de France.
Publicou 27 livros, entre romances, contos, ensaios e textos teatrais.
As suas obras estão traduzidas em mais de 40 países.
Recebeu numerosos prémios nacionais e internacionais.
Sozinho, ou com Maria José de Lancastre, traduziu para italiano a obra de Fernando Pessoa.
Considerando que a sua pátria é também a língua portuguesa, escreveu um romance em português, Requiem, 1991.
O seu teatro foi levado ao palco, entre outros, por Giorgio Strehler e Didier Bezace.
O Fio do Horizonte, Nocturno Indiano, Afirma Pereira e Requiem foram adaptados ao cinema respectivamente por Fernando Lopes, Alain Corneau, Roberto Faenza e Alain Tanner.

Literatura Traduzida
144 páginas
17,70 Euros
ISBN: 978-972-20-8983-8
1.ª Edição: Setembro 2026
Dom Quixote | Leya

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