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"Antologias da Memória" reflete sobre o que é "Portugal" e "ser português"

A exposição “Antologias da Memória”, que será inaugurada na terça-feira, no Museu de Arte Contemporânea do Chiado, em Lisboa, propõe uma reflexão sobre o que é “Portugal” e “ser português”.

© Mário Cruz/LUSA

Com curadoria de António Brito Guterres e Henriqueta Silva, a exposição propõe “um olhar sobre rostos, corpos, vivências e memórias pessoais e partilhadas, individuais e coletivas, que questionam e problematizam os imaginários e discursos construídos em torno do que é ‘Portugal’ e ‘ser português’”, lê-se na página oficial do MNAC.

“Enquanto portuguesa afrodescendente, licenciada em História da Arte e mestranda em Museologia, debruçar[-me] sobre a representação de africanos e (portugueses) afrodescendentes em Portugal é tão intuitivo como imperativo”, explicou Henriqueta Silva.

“Numa crítica endógena ao museu”, onde “os géneros tradicionais da arte têm uma presença significativa”, a exposição pretende “desafiar os imaginários e discursos predominantes na construção, representação e interpretação de uma determinada ‘portugalidade’”, realça.

Ao MNAC chegam, através das obras dos artistas Dri, Emma Andreetti, Fatumata, Henrique J. Paris, Hugo Barros, Júnior Jacinto, Onun Trigueiros, Rappepa Bedju Tempu, Rixmiester e Sara Fonseca da Graça, “outras formas de ser, estar, pertencer e representar, por vezes desconsideradas, invisibilizadas ou marginalizadas”.

Convocar estes artistas ao MNAC – considera a curadora – “é importante para contrariar a presente ausência ou ausente presença de narrativas e expressões individuais e coletivas provenientes de comunidades que nascem nas ‘periferias’ - geográficas, económicas e/ou sociais”.

Em conversa com os artistas, os curadores aperceberam-se de que “a maior parte deles nunca tinha visitado” o MNAC, “por diferentes motivos”, entre os quais a falta de acessibilidade.

A exposição questiona, assim, “o quê, quando, como e quem” tem acesso ao museu, promovendo o debate sobre a de(s)colonização de discursos e práticas, patrimónios e públicos museológicos.

Mas a exposição vai ainda mais longe e convoca “olhares e vozes menos óbvias, nomeadamente as de quem limpa, cuida e conserva o MNAC”.

Em resultado das conversas com quatro funcionárias de limpeza, os curadores apresentam também uma visita guiada pelas suas “histórias, vivências e memórias do quotidiano no que para elas é um espaço de trabalho e, para outros, um espaço de referência nacional para a arte contemporânea portuguesa”.

Henriqueta Silva admite a “provocação à noção de ‘centro’ de Lisboa e de ‘centralidade’ ou 'referência’ do MNAC”, ambas dependentes “do ponto de vista”.

Reconhecendo que os museus têm feito “alguns esforços de representação de expressões artísticas e culturais ‘periféricas’”, Henriqueta Silva considera, porém, que são ainda “esforços simbólicos, estéticos ou performáticos”.

E explicita: “Na maior parte das vezes, não partem de ‘nós’ para ‘nós’, não somos ‘nós’ a representarmo-‘nos’.”

A exposição “Antologias da Memória” – que é inaugurada na terça-feira, às 18:30, e estará patente até 31 de janeiro de 2027 – resulta de um desafio lançado pelo projeto “Portugal entre Patrimónios”, acolhido na Galeria PeP do MNAC.


Fonte: LUSA | 9 de outubro de 2026 

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