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Festival Outono Vivo celebra 125 anos do nascimento de Vitorino Nemésio nos Açores
O festival literário Outono Vivo, que decorre de 30 de outubro a 15 de novembro, na Praia da Vitória, nos Açores, celebra os 125 anos do nascimento de Vitorino Nemésio, escritor natural da cidade.
“É, sem dúvida, merecedor deste nosso reconhecimento. Ele será o centro deste Outono Vivo, em que logo no dia da abertura teremos uma exposição que será inaugurada com o nome ‘Vitorino Nemésio – Vida e Obra”, afirmou a presidente do município da Praia da Vitória, que organiza o festival.
Durante 17 dias, o programa do Outono Vivo apresenta uma feira do livro com cerca de 20 mil títulos e um programa cultural, que integra, para além de apresentações de livros, com a presença dos autores, debates, exposições, música, teatro e cinema.
A XXI edição do festival destaca Vitorino Nemésio, poeta e romancista, que nasceu em 19 de dezembro de 1901 na Praia da Vitória, na ilha Terceira.
Entre as várias atividades que assinalam a data será lançado o livro infantil “Se bem me lembro: chamava-se Vitorino Nemésio”, de Diana Zimbron, com ilustração de Luís Cardoso, encomendado pelo município da Praia da Vitória.
“Queremos muito perpetuar a vida e obra de Vitorino Nemésio e entendemos que os mais novos têm de ter noção de quem foi Vitorino Nemésio”, revelou Vânia Ferreira, acrescentando que o livro será posteriormente distribuído pelas escolas do concelho.
O programa integra ainda um passeio turístico-literário sobre o autor, que tem na Praia da Vitória uma casa-museu com o seu nome e uma biblioteca instalada na antiga casa das suas tias.
“A Casa de Vitorino Nemésio – o único espaço museológico da cidade da Praia da Vitória – tem-se sinalizado como um espaço de referência. Apesar de muito pequena, é uma casa muito acolhedora e efetivamente sente-se que tem uma alma gigante e que conta a história deste homem e desta obra emblemática que é motivo de orgulho para a Praia da Vitória”, salientou Vânia Ferreira.
Pela Feira do Livro do Outono Vivo, na Academia da Juventude e das Artes da Ilha Terceira, vão passar cerca de 50 autores nacionais e regionais.
Entre eles destacam-se nomes como João Tordo, Inês Pedrosa, João Pinto Coelho, Adolfo Mesquita Nunes, Francisco Moita Flores, Pedro Chagas Freitas e Maria Francisca Gama.
Estarão ainda no festival Luís Nuno Rodrigues, João Ferro Pelica, Manuel Clemente, Samuel Pimenta, Susana Amaro Velho, Conceição Calhau, Joana Duque e Miguel Monjardino, entre outros.
O programa conta com vários debates, incluindo uma mesa redonda sobre “Democracia, diplomacia e informação”, com Maria João Avillez e João Vale de Almeida.
A Feira do Livro, que volta a ser organizada pela livraria Letras Lavadas, apresenta cerca de 20 mil títulos de perto de uma centena de editoras, num total de 40 mil livros.
Segundo Vânia Ferreira, a feira “ganhou uma grande expressão” nos últimos anos, integrando “o top 3 de vendas” em Portugal.
“Há, sem dúvida, um aumento na compra de livros. As pessoas ao dirigirem-se à feira, gostam do contacto com o livro e acabam por adquirir”, apontou.
A autarquia cede transporte a todas as escolas do concelho para que os alunos se possam deslocar à feira do livro, o que também tem contribuído, na opinião de Vânia Ferreira, para o aumento da literacia. “Muitas destas crianças regressam depois com as suas famílias e isso é importante, porque elas também levam uma mensagem para casa. E os próprios pais depois também se sentem convidados a virem à feira e a desfrutarem do cartaz literário que nós temos para apresentar”, salientou.
Os músicos terceirenses Evandro Meneses e João da Ilha atuam no Auditório do Ramo Grande e a Sociedade Musical União das Fontinhas e o Grupo Folclórico Fontes da Nossa Ilha uniram-se para criar o espetáculo “Onde a Terra se faz Memória”.
O grupo de teatro Gerónima apresenta a peça “O chão começou-me a faltar”, a partir de testemunhos reais de sobreviventes do sismo de 1980, com encenação de Lúcia Moniz, e o beOMNI Expression apresenta o espetáculo “Sob as Luas de Álamo”, inspirado na obra do poeta Álamo Oliveira.
Há ainda um concerto didático e participado para crianças, baseado na obra de Edvard Grieg, com direção de Antero Ávila e narração de Inês Mariano.
O festival representa um investimento do município de 30 mil euros e alguns espetáculos contaram também com o apoio da Direção Regional da Cultura e da Junta de Freguesia de Santa Cruz.
Fonte: LUSA | 29 de outubro de 2026

