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Álbum de Serigrafias de Xavier Vilató com poemas de Gonçalo de Salvado em destaque na Biblioteca Nacional
Inaugurou-se, no passado dia 29 de outubro, na Sala de Exposições (Piso 3) da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, a exposição Xavier – Gravuras para a Memória. A mostra reúne uma seleção de cerca de quarenta gravuras e litografias de Xavier Vilató, artista francês de origem espanhola que descende de uma conceituada família de criadores, sendo sobrinho-neto de Pablo Picasso.
Estas obras integram agora o acervo da BNP graças a uma generosa doação do próprio artista. Enquanto arte sobre papel, múltipla e reprodutível — tal como o livro —, a gravura encontra nesta instituição o seu lugar natural de acolhimento e preservação, enriquecendo significativamente a coleção de iconografia nacional.
Neste contexto, encontra-se em exposição e em particular destaque o álbum Encontro ao Luar, que apresenta serigrafias de Xavier Vilató, poemas de Gonçalo Salvado e abertura de Maria João Fernandes. Trata-se de uma edição de luxo limitada, originalmente realizada pelo Centro Português de Serigrafia em 2003 para acompanhar a primeira grande exposição do artista em Portugal.
Composto integralmente em serigrafia, o álbum integra poemas de Gonçalo Salvado extraídos do seu livro Iridescências, publicado em Castelo Branco, em 2002, pela editora Sirgo.
Do texto de abertura de Maria João Fernandes citamos:
“A poesia de Gonçalo Salvado de um lirismo depurado e luminoso, surge-nos hoje num diálogo expressivo e esplendidamente natural com o universo de Xavier. O par amoroso primordial, Adão e Eva, reinventado pelo artista atravessa o cenário destes sonhos felizes, um momento tocado de realidade. Pois esta é a verdadeira paisagem da nupcial união da poesia e da realidade, o território da alma onde nascem as imagens verdadeiras e verdadeiramente vividas do paraíso. Um encontro ao luar, no leve, transparente, azul e dourado jardim de uma felicidade inventada, aquela em que todos gostaríamos de acreditar, a que já vivemos, total, perfeita e transfigurada, pelo menos um instante nas nossas vidas.”
Acerca da poesia presente no Álbum Encontro ao Luar pronunciou-se o crítico espanhol Tomás Paredes Romero (Jornal El Punto de Las Artes, Madrid):
“Gonçalo Salvado que perfuma de fuego sus resplandores iluminando las noches y las sombras, en que se agazapan los mistérios del hombre, la luz que no vemos hasta que el poeta la enciende (…) su obra es una fiesta de noches y claridades, donde el poeta oficia los ritos del amor y de la soledad, los oficios sagrados de la vida, que el hombre genera y hace germinar (…)”
A exposição Xavier – Gravuras para a Memória é organizada pela Biblioteca Nacional de Portugal e permanecerá patente até ao dia 28 de fevereiro de 2027.
A mostra contempla obras criadas pelo artista em históricos ateliers parisienses, tais como o de René Tazé, na gravura, e os de Clot Bramsen e Stéphane Guilbaud, na litografia. Estas criações dão continuidade à linha de diálogo que Xavier tem vindo a estabelecer com ateliers míticos como o Lacourière-Frélaut, por onde passaram grandes mestres do século XX, incluindo Matisse, Rouault, Sonia Delaunay, Chagall, Miró, Giacometti, Henry Moore e o seu tio-avô, Pablo Picasso.

