"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Exposições

O Canto do Bode

Fortes D’Aloia & Gabriel, Galeria Luisa Strina e Sé anunciam uma exposição inédita e colaborativa que apresenta, durante o verão e em dois atos distintos, obras de 32 artistas representados e 4 convidados pelas galerias na Casa da Cultura da Comporta.

22 Jun a29 Ago

Casa da Cultura da Comporta
Rua do Secador, 8
Alcácer do Sal
Preço
Entrada livre

Alexandre da Cunha, Anderson Borba, Arnaldo de Melo, Caetano de Almeida, Cildo Meireles, Dalton Paula, Daniel Fagus Kairoz, Edu de Barros, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Fernanda Gomes, Janaina Tschäpe, João Loureiro, João Maria Gusmão, Jorge Queiroz, Juan Araujo, Julião Sarmento, Kim Lim, Laura Lima, Leonor Antunes, Lucia Laguna, Luiz Zerbini, Manata Laudares, Marcius Galan, Marina Rheingantz, Marina Saleme, Mauro Restiffe, Michel Zózimo, Panmela Castro, Pedro Victor Brandão, Rebecca Sharp, Rivane Neuenschwander, Robert Mapplethorpe, Sheroanawe Hakihiiwe, Tadáskía (aka max wíllà morais) e Tonico Lemos Auad.

Com cenografia de João Maria Gusmão

Ato 1: 22 de junho – 25 julho | Abertura dia 22 junho, terça-feira, 12h às 20h
Ato 2: 29 Julho – 29 Agosto

Casa da Cultura da Comporta
Rua do Secador 8
Terça a sexta 11h – 14h e 16h – 21h
Sábado e domingo 10h – 14h e 15h – 19h

A exposição é estruturada como uma peça de teatro, desenrola-se em dois atos – o primeiro abre a 22 de junho e o segundo a 29 de julho –, tem cenografia especialmente concebida pelo artista João Maria Gusmão e uma narrativa que se desdobra simultaneamente na plateia, palco e bastidores.

O título faz referência ao termo grego tragoedia – tragos ("bode") e oidé ("canto") –, e celebra a tradição brasileira de sacralização do profano e profanação do sagrado, desconstruindo a dicotomia entre o dionisíaco e o apolíneo, que é abordada por Friedrich Nietzsche em O Nascimento da Tragédia (1872).

O projeto vai ocupar o antigo cinema da Casa da Cultura, que é gerido pela Fundação Herdade da Comporta, e “resulta de uma colaboração inédita entre as três galerias brasileiras, de gerações distintas, que se unem a iniciativas globais de construção de novos modelos de atuação, diante de um contexto inédito no circuito das artes”, explica Maria Ana Pimenta, diretora internacional da Fortes D’Aloia & Gabriel.

“O elemento teatral, o lugar e o grupo de artistas – de distintas gerações e percursos formais –, que o projeto reúne, traduzem práticas e estabelecem diálogos que reafirmam no seu enredo a possibilidade de integrar vozes, que apresentadas juntas, justapostas ou alternadamente num “palco comum” propõem novas narrativas”, conclui a responsável.

No proscénio, mirando a plateia, as baquetas penduradas da obra Slit IX (2019), de Alexandre da Cunha, definem no pulso do erotismo o ritmo do primeiro ato. O trabalho inédito de Ernesto Neto, Umbigo Ventre Fruto Arte (2021), evoca ritmo e fertilidade. Sheroanawe Hakihiipe incorpora desenho e cor à tradição oral da cultura Yanomami – El Alto Orinoco, na Venezuela, a cosmogonia e ancestralidade do artista. A pintura de Edu de Barros remete à história dos afrescos e à sua relação com a ascensão espiritual, paralelamente, a pintura enigmática de Jorge Queiroz, revela universos pós simbólicos.

No centro do palco, as obras de Daniel Fagus Kairoz e Cildo Meireles questionam momentos políticos infames na história brasileira. Com The Weeping White Man e Word, trabalhos de 2020, o artista convidado Anderson Borba justapõe práticas da escultura modernista e de artistas autodidatas para tratar temas atuais. As esculturas suspensas de Leonor Antunes usam materiais como o vime e latão para criar uma coreografia visual, enquanto as pinturas After the Storm de Rivane Neuenschwander sugerem novas topologias desenhadas com papel embebido pelas chuvas tropicais e abrem passagem à natureza empírica da pintura luxuriante de Laguna Laguna. A reformulação de significados do mundo material permeia a exposição e reflete-se nos trabalhos de João Loureiro, Manata Laudares e Pedro Victor Brandão.

Explorando as relações entre o espaço interior e exterior, seja como lugar imaginário ou representativo, o segundo ato abre o palco com as obras históricas Narcissus (1959) e Caryatid (1961) de Kim Lim, que reconhecem o interesse da artista por civilizações antigas e ativam, simultaneamente, a tensão entre uma experiência ordenada e os ritmos dinâmicos das formas orgânicas. A pratica pictórica e meditativa de Rebecca Sharp revela cenários insólitos e surreais e Bandeirinha de Marcius Galan questiona as capacidades metafóricas no espaço e a nossa relação com ele.

O gesto abstrato confere materialidade à tensão psicológica, nas pinturas de Arnaldo de Melo e na tela de Janaina Tschape, enquanto Marujo de Marina Rheingantz sugere a reconstrução de uma memória. A representação da figura surge no trabalho da Panmela Castro que retoma a tradição do retrato nas pinturas de seus contemporâneos dos circuitos das artes e do ativismo social, o mesmo acontece no retrato de Dalton Paula, que recorre a um processo de reinterpretação de identidades históricas e culturais da diáspora africana.

O corpo aparece tratado como escultura clássica nas fotografias de bailarinos de Robert Mapplethrope e como desenho inusitado em três dimensões na escultura do torso tatuado de João Maria Gusmão. Nos trabalhos de Mauro Restiffe e Juan Araujo, palimpsestos de narrativas da arquitetura e arte suspendem-se na história da própria imagem, paralelamente, as obras de Erika Verzutti e Fernanda Gomes articulam vestígios do estúdio e restos do mundo extemporâneo.

A exposição O Canto do Bode abre o primeiro ato no dia 22 de junho, terça-feira, entre as 12h e as 20h, e mantém-se patente na Casa da Cultura da Comporta, Rua do Secador 8, até 29 de agosto, com o segundo ato a iniciar-se no dia 29 de julho. Pode ser visitada de terça-feira a domingo e a admissão é livre, mediante uso obrigatório de máscara facial e cumprimento das normas da DGS a respeito da ocupação do espaço e distanciamento físico.

Fortes D’Aloia e Gabriel
fdag.com.br
Fundada em 2001, Fortes D’Aloia & Gabriel é referência pela força e qualidade da arte contemporânea brasileira no cenário internacional. Em agosto, comemora o seu 20º aniversário. A galeria representa 40 artistas por meio de uma programação dinâmica e diversificada, com uma média de 15 exposições por ano, lançamentos de livros, workshops infantis, projeções e palestras com especialistas na área. Participa das feiras de arte mais importantes do mundo e apoia regularmente publicações e exposições institucionais. Fundada em 2001 por Márcia Fortes e Alessandra D’Aloia como Galeria Fortes Vilaça, teve seu nome alterado em 2016 quando Alexandre Gabriel, que até então havia atuado como Diretor Artístico, se tornou sócio. Atualmente, são duas salas de exposições com perfis distintos: Galpão em São Paulo e Carpintaria no Rio de Janeiro.

Galeria Luisa Strina
www.galerialuisastrina.com.br
Em 2021 a Galeria Luisa Strina completa 47 anos de atividade. Luisa Strina começou como marchande em 1970 e abriu sua galeria em 1974. Durante a década de 1970, Strina introduziu no mercado diversos expoentes do que mais tarde se chamaria Geração 70, como Cildo Meireles, Tunga, Waltercio Caldas e Antonio Dias. Sua galeria foi a primeira latino-americana convidada a participar da feira de arte de Basel, em 1992. Na década de 1990 começou a trabalhar com artistas brasileiros que posteriormente desenvolveriam carreira internacional, como Alexandre da Cunha, Fernanda Gomes, Marcius Galan e Marepe. Na década de 2000, a galeria voltou sua atenção para jovens artistas latino-americanos como Mateo Lopez, Gabriel Sierra, Jorge Macchi, Pedro Reyes e Carlos Garaicoa, bem como para uma nova geração de brasileiros, como Renata Lucas, Laura Lima, Jarbas Lopes e a portuguesa Leonor Antunes. Na última década, a Galeria Luisa Strina coroou sua longa trajetória trazendo para a galeria nomes como Anna Maria Maiolino, Lygia Pape, Alfredo Jaar e Robert Rauschenberg.

Sé Galeria
www.segaleria.com.br
Em 2011, a artista e curadora Maria Montero fundou a Phosphorus. Situado em um contexto histórico, na primeira rua da cidade de São Paulo, foi um espaço dedicado à experimentação artística e residências. Em 2014, após um programa contínuo de exposições e mais de vinte residências, Montero fundou a galeria Sé no mesmo edifício. Após 6 anos no centro de São Paulo, a Sé mudou sua sede para a casa 2 da Vila Modernista de Flávio de Carvalho, no bairro dos Jardins. Sé representa 19 artistas brasileiros, com sólida trajetória institucional ou acadêmica, a maioria deles iniciou seu diálogo com o mercado de arte por meio da galeria. A Sé ganhou vida em um momento de revisão do modus operandi da arte contemporânea, trabalhando em colaboração e parceria com os artistas representados, privilegiando o acompanhamento crítico e a realização de projetos institucionais, com foco na formação de novos públicos para artistas e obras que expressam uma visão conceitual e baseada em pesquisa da arte contemporânea.
Agenda
Ver mais eventos
Visitas
60,103,266
>