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Exposições

"Clamor da Maré Cheia"

A terceira instalação da mais recente exposição da artista Cristina Rodrigues, intitulada «Clamor da Maré Cheia», inaugura em Baião pelas 15h do próximo dia 25, domingo, no Mosteiro de Santo André de Ancede, recentemente restaurado pelo Arquiteto Álvaro Siza.

25 Jul a31 Out

Mosteiro de Santo André de Ancede
Mosteiro 4640-021 Ancede
Baião
Preço
Entrada livre

Baião recebe exposição «Clamor da Maré Cheia» de Cristina Rodrigues no dia 25 de julho.

A terceira instalação de “Clamor da Maré Cheia”, exposição polinuclear da artista plástica Cristina Rodrigues, é apresentada no Mosteiro de Santo André de Ancede, em Baião, às 15h do dia 25 de julho. A inauguração contará com a presença de Paulo Pereira, Presidente da Câmara Municipal de Baião.

Depois de Lisboa, com a peça “Clamor da Maré Cheia”, instalada no Jardim do Museu Nacional de Arqueologia, frente ao Mosteiro dos Jerónimos e do Cais da Alfandega de Vila do Conde, com obra igual, o Mosteiro de Santo André de Ancede, em Baião é o local escolhido por Cristina Rodrigues para erguer a terceira das quatro instalações de arte contemporânea que compõem esta narrativa sobre o Homem e o Mar.

“Clamor da Maré Cheia” é uma exposição polinuclear, concebidas em sintonia com os seus quatro lugares de exibição. Uma narrativa que exalta o Homem como um ser curioso e trabalhador, capaz de enfrentar grandes adversidades, trilhando caminhos desconhecidos. As esculturas que integram a obra - quase cinco dezenas de peças que utilizam o ferro e redes de pesca como matéria de trabalho -, são fruto de uma reflexão da autora sobre uma das epopeias humanas mais desafiantes, a odisseia marítima.

O Mosteiro de Santo André de Ancede, recentemente restaurado pelo Arquiteto Álvaro Siza, acolherá, a instalação site-specific intitulada de Barqueiro de Hades, uma obra distinta das obras expostas em Vila do Conde e Lisboa. Composta por nove esculturas, representando anjos, Barqueiro de Hades ilustra uma reflexão da autora sobre Caronte, figura da mitologia grega, filho de Nix - a Noite - e de Érebo -a Escuridão - , cujo trabalho era levar os mortos à sua morada final, fazendo a travessia de barco entre duas margens – a do mundo dos vivos e a margem do mundo dos mortos.

Santo André de Ancede é um local de culto, onde sempre se celebrou o Espírito e será na sua Igreja, pelas 16h30 do dia 25 de julho, data da inauguração, que Cristina Rodrigues brindará todos os visitantes com um concerto da cantora lírica Carla Caramujo, também intitulado “Clamor da Maré Cheia”. A soprano construiu o programa do concerto, com peças de Hahn, Fauré, Puccini, Lacerda, Vianna da Mota, Grieg e Rachmaninoffque, que tal como Cristina Rodrigues, se inspiraram no mar para criar. O mar transporta o labor, o sustento e a espiritualidade e estes autores interpretam-no de forma singular. «A sua beleza onírica, o seu ruído, ora ameaçador, ora nostálgico, a sua influência na vida das populações, transporta-nos para um universo de emoções, similares em qualquer latitude», afirma Carla, sobre o mar. Carla Caramujo será acompanhada por um quarteto de cordas composto por Álvaro Pereira e Evandra Gonçalves nos Violinos, Luis Norberto na Viola d’Arco e Michal Kiska no Violoncelo.

Ermesinde, fundada para ser essencialmente uma cidade de trabalho, receberá no dia 31 de julho, no seu Fórum Cultural, a última das obras desta exposição polinuclear, uma instalação intitulada Homens do Mar.

A exposição ficará patente até ao dia 31 de outubro, nos quatro locais que acolhem a exposição.

Notas biográficas:

Cristina Rodrigues (1980) é uma artista plástica e arquiteta portuense com trabalho apresentado na Europa, Ásia e América do Sul em diversas exposições a solo, o que a torna uma das artistas plásticas portuguesas mais relevantes da sua geração. Várias das suas obras integram coleções de museus e de entidades públicas nacionais e internacionais.

O seu perfil multidisciplinar fala por si, tendo Cristina Rodrigues já colaborado com diversas marcas de referência, protagonizando coleções ímpares. Com a FLY London, desenhou a “Urban Dwellers”, uma linha de sapatos e botas de senhora. Com a Licor Beirão, construiu a “Fonte da Felicidade”, estrutura forjada em ferro que suporta “taças de magia”. Criou uma coleção de tapeçarias para a Ferreira de Sá, que conta ainda com coleções de autores como Siza Vieira e Fátima Lopes. E, para a Alma de Luce, marca de mobiliário de luxo, construiu um contador único, a que deu o nome de “The Angel of Columbus”.

O ecletismo que emana das suas obras exprime as suas paixões e formação académica. Toda a sua obra é regida por uma estética simples que liga a etnografia social, a antropologia e a sustentabilidade ao desenho, à pintura, à instalação e à escultura. Devido ao grande sentido do global/universal, as suas instalações exprimem um trabalho aprofundado, desenvolvido em torno de permanentes contrastes entre o tradicional e o contemporâneo; um diálogo fluido entre o tradicional de inspiração popular e uma cultura de raiz mais «erudita».

Característica primordial em Cristina Rodrigues é o método através do qual procede à conservação, através da arte, de um conhecimento popular, de uma tradição, um idioma ou dialeto, uma técnica de artesanato, enquanto elementos que integram a cultura e a identidade de um local. Desta forma, não apenas os «regista» como tal, mas também os leva a percorrer mundo, integrando as suas obras e exposições.

A artista elabora as suas peças com minúcia, levando à descoberta da identidade artística de objetos obsoletos, transformando-os em relíquias escultóricas que realçam o seu percurso e o conjunto da sua obra. Com as suas criações, Cristina Rodrigues cria narrativas imaginárias que ligam a sua história pessoal, enquanto mulher portuguesa num contexto global, a um fantástico mundo de simbolismos. A artista conduz o espectador contemporâneo através de um percurso transcultural e transtemporal, em que são visíveis as preocupações com a dimensão humana, centrando-se de forma incisiva nos direitos humanos.

Em termos académicos, Cristina Rodrigues, em 2004, conclui a licenciatura em Arquitetura pela Universidade Lusíada, tendo posteriormente obtido um mestrado em História Medieval e do Renascimento pela Universidade do Porto. Na prestigiada Manchester School of Art, em 2016, concluiu um doutoramento em Arte e Design.

Entre as exposições de Cristina Rodrigues, destacamos:

No estrangeiro:

Espanha:
“A Casa é a Catedral da Vida” (2019), no Naves Matadero, Madrid;
“O Sudário” (2017-18), no Naves Matadero, em Madrid;
“A Paixão” (2016), uma exposição distribuída por cinco dos mais icónicos monumentos de Sevilha: Fundação Valentín de Madariaga y Oya; Pavilhão de Portugal; Universidade de Sevilha; Casa de la Provincia e Real Alcázar de Sevilha.

Reino Unido:
“O Reino dos Céus” (2017), na Catedral de Manchester.

Japão:
“Ecos do Mar” (2018), no The Hillside Forum, em Tóquio.

Sri Lanka:
“O Sudário”, na Colombo Art Biennale 2016, na Catedral de Colombo.

Em Portugal:
“Travessia” (2020), no Centro de Cultura Contemporânea, em Castelo Branco;
“O Horizonte” (2019), na Quinta da Cruz – Centro de Arte Contemporânea, Viseu;
“Retrospectiva” (2017), no Centro de Cultura Contemporânea, Castelo Branco;
“O Céu Desce à Terra” (2015), no Mosteiro de Alcobaça, Leiria;
“O Meu País Através dos Teus Olhos” (2013), No Museu Nacional de Arqueologia – Mosteiro dos Jerónimos, Lisboa.

Principais coleções de museus e entidades públicas que as obras de Cristina Rodrigues integram:

Catedral de Manchester, no Reino Unido;
Cheshire East Council, no Reino Unido;
Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso;
Município de Castelo Branco;
Município de Viseu;
Município de Vila do Conde;
Município de Baião e Estado Português.

Carla Caramujo é uma das mais reconhecidas sopranos portugueses da sua geração, tendo já vencido vários concursos nacionais e internacionais, entre os quais o Concurso Nacional Luísa Todi e Chevron Excellence (Reino Unido), dois conceituados prémios a nível mundial. Licenciada e mestre pela Guildhall School of Music and Drama de Londres e pelo Royal Conservatoire of Scotland, Carla Caramujo já fez dezenas de interpretações, desde a ópera barroca à produção contemporânea, e já se apresentou nas mais importantes salas de concerto e festivais de canto lírico, por todo o mundo.
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