"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Teatro

Prado de Fundo

Os SillySeason estão prestes a chegar a Lisboa com a sua mais recente criação. De 15 a 25 de junho, Prado de Fundo está em cena no Teatro da Politécnica. Depois, é apresentado em Santarém, a 2 de julho, no Teatro Sá da Bandeira.  

15 Jun a25 Jun

Teatro da Politécnica
Rua da Escola Politécnica, 56, 1250-102 Lisboa

2 Jul

Teatro Sá da Bandeira
Rua João Afonso, nº 7 2000-055 Santarém
Santarém

Em Prado de Fundo, lançam-se num olhar sobre a fotografia, pesquisando a sua relação com o teatro. O objetivo é questionar a infalibilidade da memória e da documentação no ato teatral. O Cerejal de Tchekhov entra como um dos múltiplos pontos de partida que servem a ideia comum de memória. Não se faz, portanto, uma recriação do clássico russo, mas antes o que ele sugere: um retrato do presente a partir das vivências do passado. 

O Cerejal já só existe nas recordações das personagens que o habitaram. No texto de Tchekhov, é através das palavras que o passado ganha vida. Em Prado de Fundo, é o próprio dispositivo fotográfico que se testa. A fotografia transforma-se, então, no elemento central do espetáculo, representativo apaziguador que prova, desesperadamente, a veracidade dos eventos vividos.  


Sinopse
Comprei uma moldura. E só depois tirei a fotografia.
É uma questão de confiança. Pode confiar-se numa moldura, já numa fotografia…
Partindo do universo d’O Cerejal, de Tchekhov, os SillySeason procuram, neste espetáculo, explorar a fotografia e o seu poder representativo apaziguador que prova, desesperadamente, a veracidade dos eventos vividos. Mesmo aqueles que não aconteceram.
Prado de Fundo pretende questionar a infalibilidade da memória e da documen-tação no ato teatral.
É a revelação dos cantos da fotografia que ficam escondidos pela moldura.
Será algo menos real porque não o vemos?


Ficha artística e técnica
criação SillySeason
interpretação Ana Sampaio e Maia, Cátia Tomé, Ivo Silva, Ricardo Teixeira, Rita Morais
audiovisuais João Cristóvão Leitão
desenho de luz Sara Garrinhas
comunicação Tiago Mansilha
produção SillySeason
apoios/parcerias Ministério da Cultura –DGArtes; GDA; Artistas Unidos; Dupla Cena; O Espaço do Tempo; O Teatrão; mala voadora; Rua das Gaivotas6; Teatro Praga; Câmara Municipal de Santarém

Sobre o projeto
"Não é [...] pela Pintura que a Fotografia participa na arte, é pelo Teatro.” [in A Câmara Clara]. É esta aproximação do ato fotográfico ao ato teatral, enunciada por Roland Barthes, que serve de premissa e de mote ao novo espetáculo do coletivo SillySeason. Assim, uma das linhas dramatúrgicas do projeto Prado de Fundo consistirá no equacionar da fotografia como um mecanismo capaz de fixar e de reproduzir – no tempo e de modo ad eternum – a efemeridade de um momento preciso, de um acontecimento ocorrido uma única vez. O coletivo SillySeason propõe-se, então, a indagar sobre o modo como o registo fotográfico é ou não capaz de gerar matéria mnemónica fidedigna; propõe-se a problematizar as parcelas de “realidade” e de “ficção” que coabitam uma mesma fotografia, isto é, a trabalhar sobre o(s) modo(s) de construir, manipular, destruir e reinventar uma mesma memória (fotográfica).
Assim, numa primeira fase do espetáculo, existirá, cenográfica e funcionalmente, um estúdio de fotografia, cuja utilização resultará na captação de material fotográfico. Este material (e respetivo processo de composição/encenação) – decalcado, concetualmente, do trabalho de Nicholas Nixon e, esteticamente, do universo de David LaChapelle – será captado diante do espetador, sendo inspirado em diversos episódios textuais relativos à obra dramática O Cerejal, de Anton Tchekhov, a qual é protagonizada por indivíduos consumidos por um passado-memória que, constante e invariavelmente, invocam.
Na segunda parte do espetáculo, o material fotográfico produzido anteriormente será projetado e disposto – como se de um atlas warburguiano se tratasse – para ser alvo de uma reconfiguração e de uma montagem virtuais, mediante o recurso a técnicas e a softwares de manipulação de imagem em tempo real. Deste modo, o material fotográfico – imóvel e estático, por definição – é transformado em imagem em movimento, sendo alvo de ampliações, de reduções, de sobreposições, de recortes ou de reenquadramentos e onde fotografias pertencentes a diferentes tempos (narrativos e físicos) passam a ocupar um mesmo espaço (visual) ou onde detalhes secundários adquirem um protagonismo (in)suspeito. Paralelamente a este processo de montagem visual live, os performers do espetáculo Prado de Fundo irão performar a voz-off destas renovadas imagens – à semelhança do que ocorre em La Jetée, de Chris Marker –, reescrevendo, inevitavelmente, a obra dramática O Cerejal, que, outrora, foi de Tchekhov.
Isto tudo porque, diz-nos Barthes, “Perante a objetiva, eu sou simultaneamente aquele que eu julgo ser, aquele que eu gostaria que os outros julgassem que eu fosse, aquele que o fotógrafo julga que sou e aquele de quem ele se serve para exibir a sua arte.” [in A Câmara Clara].

Sobre o coletivo SillySeason
SillySeason é uma estrutura associada do Rua das Gaivotas6, sedeada em Lisboa. O coletivo surge em 2012, pelas mãos de alunos finalistas das Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, da Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa e da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Tem desenvolvido, desde então, produções artísticas nas áreas do teatro, da performance e do vídeo. Destacam-se a curta-metragem Frei Luís de Sousa (vencedora do prémio de Melhor Curta-Metragem Portuguesa do Festival de cinema Queer Lisboa 2014), o espetáculo/videoclip T-REX (2014, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e incluído na programação do Festival Temps d’Images 2014) e o espetáculo PANORAMA (2015, estreado no Teatro Sá da Bandeira de Santarém e com reposições em Lisboa, no Teatro Nacional D. Maria II, e em Coimbra, n’O Teatrão). Das principais intenções do grupo ressaltam: a produção de objetos que permeiam a fusão de vários materiais e discursos artísticos; o desenvolvimento do trabalho em colaboração e em rede; e o incentivo à descentralização e à internacionalização. Como tal, o coletivo SillySeason tem colaborado com artistas das mais diversas áreas, tais como João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Pedro Zegre Penim, Celina da Piedade, Mónica Sintra, A Tua Prima, Há.Que.Dizê.Lo, Os Burgueses, Kinéma, Rabbit Hole, Rui Palma e Paula Sá Nogueira.

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