"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Exposições

E trazia da floresta o silêncio que antecede a tormenta

Um conjunto de trabalhos de Sebastião Castelo Lopes sobre papel e sobre madeira povoam o espaço da galeria Monumental. Papel, carvão, tinta acrílica e madeira são os materiais em bruto sobre os quais se adivinha o tempo da construção deste conjunto de trabalhos. Disfarçadamente, armadilhas, jaulas, parecem habitar esta “floresta” da sala.

8 Jun a30 Jul

Galeria Monumental
Campo dos Mártires da Pátria, 101, 1150-227 Lisboa
Preço
Entrada livre
 
Uma armadilha armada é uma dor em potência, é um objecto de tal forma agressivo e violento, que nos sentimos feridos por ele só de o olhar. Antes de fazer deitar sangue, a armadilha já aleija a ver.

E a armadilha captura, força uma paragem, retira a liberdade. A armadilha está camuflada, aparenta ser inofensiva, atraiçoa. A armadilha pode não se ver, pode estar disfarçada. Se assim for, tudo tem a potencialidade de ser uma armadilha porque tudo pode ser uma armadilha disfarçada. Uma armadilha disfarçada de floresta, uma armadilha disfarçada de silêncio, e por aí em diante. Tudo tem a potencialidade de capturar, de retirar liberdade, de abrir ferida de sangue, de aleijar à vista.

Mas, e se cair na armadilha não for pior do que estar fora dela? A personagem Morte, do livro As Intermitências da Morte, também acreditava que ficar no seu escritório era melhor do que ir ao mundo dos vivos, mas a verdade é que foi na casa de um violoncelista que se tornou de carne e osso. Só quando viu a partitura de Bach (suite número seis opus mil e doze em ré maior) é que ganhou peso. Talvez estejamos enganados, talvez entrar nas armadilhas nos dê peso, matéria.

Façamos então como António Proaño, personagem de O Velho que Lia Romances de Amor (de onde foi retirado o título desta exposição) e percorramos estes trabalhos atentos a todos os sons, aos cheiros, à brisa, como se andássemos pela floresta de El Idílio.
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