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Teatro

A Escola da Noite e a Quinta Parede estreiam co-produção "O Homem do Caminho"

“O Homem do Caminho” é um monólogo teatral adaptado pelo autor brasileiro Plínio Marcos (1935-1999) a partir do conto “Sempre em frente”, que faz parte do segundo volume de “Histórias populares: canções e reflexões de um palhaço”, publicado em 1987.

1 Jun a 18 Jun 2023

Teatro da Cerca de São Bernardo
Cerca de São Bernardo, 3000-097 Coimbra
Com o mesmo título do monólogo, o texto foi posteriormente publicado como a terceira parte do livro de memórias circenses de Plínio Marcos, “O truque dos espelhos” (1999). É inspirado pelo universo circense e pela cultura cigana, com os quais Plínio conviveu de perto no início da sua carreira, nos seus tempos de palhaço Frajola.

Iur – a personagem única da peça – é um dos homens do caminho: anda sem termo, não teme fazer frente ao mistério e conta-nos esta história na primeira pessoa. Tem três nomes, sendo que um deles é desconhecido pelo próprio Iur. Essa condição é uma forma de enganar a morte: quando chegar a sua vez, ele não vai escutar o chamamento. Declara que um saltimbanco reúne três grandes artes: contar histórias, ser mestre de enganos, roubos e ilusões e o sexo. “O Homem do Caminho” apresenta as artes nómadas como um acto de libertação dos seus públicos, entre os quais se destacam, por um lado, os homens – “fixos” – associados a uma vida rígida, burocrática e repressiva; e, por outro lado, as mulheres – contidas, desoladas e silenciosas – presas às vidas “secas” ao lado dos “homens-pregos”.

As histórias de Iur oferecem uma reflexão sobre poder, egoísmo, manipulação, luta de classes e o sentido da existência humana, no limbo entre a liberdade e as amarras que a condicionam ou oprimem.

José Caldas e o teatro do Brasil no percurso d'A Escola da Noite
O espectáculo é a 76.ª criação d'A Escola da Noite e a terceira visita da companhia à obra de Plínio Marcos, depois de “Dois Perdidos Numa Noite Suja” (2004, com encenação de Sílvia Brito) e de “O Abajur Lilás” (2012, em co-produção com o Cendrev, encenação de António Augusto Barros). Insere-se na linha de trabalho dedicada à dramaturgia brasileira, que tem levado a companhia a apresentar obras de autores como Nelson Rodrigues (“A Serpente”, 1998), Cleise Mendes (“Noivas”, 2005) e Bosco Brasil (“Novas diretrizes em tempos de paz”, 2013).

José Caldas, encenador brasileiro há muitos anos radicado em Portugal, faz parte desse percurso da companhia – foi responsável pela encenação de “A Serpente”, estreada nos primeiros anos do grupo, na antiga sala-estúdio do Pátio da Inquisição. Na adaptação que fez para este espectáculo, Caldas (que partilha o palco com Allex Miranda e Juliana Roseiro) desdobrou as falas da personagem, acentuando o diálogo interior de Iur na reflexão que faz sobre o caminho que é preciso continuar a trilhar.

“O Homem do Caminho”, que foi apresentado em ante-estreia na passada semana na Guiné-Bissau, estreia em Coimbra a 1 de Junho e mantém-se em cena no Teatro da Cerca de São Bernardo até dia 18, com sessões às quartas e quintas-feiras (19h00), às sextas e sábados (21h30) e aos domingos (16h00). É recomendado para maiores de 16 anos e tem a duração de 60 minutos. Os bilhetes, que já podem ser reservados pelos contactos habituais do TCSB (239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt) custam 10 Euros. O desconto de meio bilhete é aplicável a menores de 30 e a maiores de 65 anos, estudantes, desempregados/as, profissionais e amadores/as de teatro e às quintas-feiras (preço único).

O “autor maldito”
Plínio Marcos (1935-1999) é um dos nomes mais marcantes do teatro brasileiro do século XX. Para além das peças já apresentadas pel'A Escola da Noite, escreveu, entre várias outras, as peças “Barrela” (1958), “Quando as máquinas param” (1963), “Navalha na Carne” (1967), “Oração de um pé-de-chinelo” (1969), “Querô, uma reportagem maldita” (1979) e “Madame Blavatski” (1985). Foi considerado um “autor maldito”, com várias obras proibidas pela censura dada a alegada “obscenidade” da linguagem empregada pelas suas personagens, quase sempre figuras marginais e do “bas-fond”.

Apesar de sofrer na pele os efeitos dessa censura e de ser obrigado a viver dos livros que ele próprio vendia na rua, nos bares e à porta dos teatros, Plínio ironizava com a perseguição: "foi sempre por merecimento, eu nunca fiz nada para agradar às pessoas”. E encontrava uma explicação: “eu falo das transas nos estreitos, escamosos e esquisitos caminhos do roçado do bom Deus, das pessoas que estão por aí se danando, que moram na beira do rio e quase se afogam cada vez que chove, daquele homem que só come da banda podre, daquelas pessoas que só berram da geral sem nunca influir no resultado”.

O Homem do Caminho
de Plínio Marcos
co-produção A Escola da Noite / Quinta Parede
 
Coimbra, Teatro da Cerca de São Bernardo
quartas e quintas-feiras, 19h00
sextas-feiras e sábados, 21h30
domingos, 16h00
 
texto Plínio Marcos
adaptação e encenação José Caldas
interpretação Allex Miranda, José Caldas, Juliana Roseiro
espaço cénico Ana Rosa Assunção, José Caldas
 figurinos Ana Rosa Assunção
música Allex Miranda, José Caldas
luz Danilo Pinto, José Caldas
som Zé Diogo
montagem Danilo Pinto, Diogo Lobo, Eduardo Pinto, Rui Valente, Zé Diogo
execução de adereços Elsa Rajado, José Caldas, Joshua G. Ford
direcção de cena Juliana Roseiro
co-produção A Escola da Noite - Grupo de Teatro de Coimbra / Quinta Parede - Associação Cultural
 
> M/16 > 60 min > 5 a 10€
Bilhetes à venda no TCSB, na TicketLine e nos locais habituais
 
A Escola da Noite - Grupo de Teatro de Coimbra
telef. +351 239 718 238 / 966 302 488
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