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Teatro

A Escola da Noite: conversa com a encenadora e instalações na segunda semana de "Casa Tomada"

Construído a partir do conto homónimo de Julio Cortázar, o espetáculo “Casa Tomada” é acompanhado por uma instalação sonora e por uma instalação vídeo, com poemas e imagens relacionadas com o tema central da peça – o drama das pessoas refugiadas.

© Eduardo Pinto

2 Mai a 25 Mai 2024

Teatro da Cerca de São Bernardo
Cerca de São Bernardo, 3000-097 Coimbra

Com direção da encenadora brasileira Silvana Garcia, “Casa Tomada” toma como ponto de partida o conto com o mesmo título do escritor argentino Julio Cortázar. A dramaturgia foi construída através de um processo colaborativo, que envolveu os atores – Ana Teresa Santos, Igor Lebreaud, Miguel Magalhães e Ricardo Kalash – e a assistente de encenação Paula Garcia. Em palco, aborda-se a situação de pessoas refugiadas obrigadas a deslocarem-se entre supostos campos de acolhimento: os quatro atores reproduzem “o quotidiano desses seres destituídos, capturados na cena entre a estadia precária e o pôr-se novamente em movimento, sem que se saiba exatamente o destino” – adianta a encenadora. Sem identificar um espaço, um tempo ou uma população em particular, “Casa Tomada” evoca a condição dos milhões de pessoas que foram e são obrigadas a abandonar a sua terra. É um “gesto de solidariedade e empatia para com essas populações em êxodo”, um “clamor de indignação contra as forças que as ameaçam”, acrescenta Silvana Garcia.

Duas instalações
Pensado e construído “como um poema cénico”, o espetáculo é acompanhado por uma instalação vídeo, criada por Eduardo Pinto, com imagens e excertos de discursos oficiais sobre a situação de pessoas refugiadas em diferentes locais do mundo.

No foyer do Teatro, pode ser vista e ouvida a instalação “Malas Poéticas”, criada por Rachel Caiano, Paula Garcia e Zé Diogo. A partir de uma torre de malas de viagem que parecem suster o teto do Teatro, o público é convidado a ouvir duas dezenas de poemas, escritos por Alda Espírito Santo, Ary dos Santos, Atiq Rahimi, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto, Kajal Ahmad, Meral Cicek, Omar Khayyam, Pablo Neruda e Rui Knopfli, entre outros/as autores/as. Os/as intérpretes do espetáculo, a própria encenadora, a assistente de encenação e ainda Juliana Roseiro, Mariana Banaco e Zé Paredes emprestaram as suas vozes à leitura dos poemas selecionados.

Conversa com o público
Após a sessão de sábado, dia 11 de maio, pelas 23h00, a equipa artística do espetáculo conversa com os espectadores. A encenadora Silvana Garcia, a atriz Ana Teresa Santos, os actores Igor Lebreaud, Miguel Magalhães e Ricardo Kalash, a assistente de encenação Paula Garcia, a cenógrafa e figurinista Rachel Caiano, o músico Luís Pedro Madeira, o iluminador Danilo Pinto, o videasta Eduardo Pinto e o sonoplasta Zé Diogo estarão à disposição do público para ouvir críticas e comentários e para responder a questões sobre o processo de construção do espetáculo. A participação nesta conversa, aberta a qualquer pessoa, independentemente de ter assistido ao espetáculo nesse ou noutro dia, é gratuita.

A temporada do espetáculo “Casa Tomada” no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, prolonga-se até 26 de maio, com sessões às quintas-feiras (19h00), sextas e sábados (21h30) e domingos (16h00). As sessões dos dias 10 e 19 de maio contam com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.

Silvana Garcia
Silvana Garcia é investigadora, pedagoga, dramaturga, dramaturgista e encenadora. Realizou estudos de graduação e pós-graduação em Artes Cénicas na Universidade de São Paulo e é professora aposentada da Escola de Arte Dramática (Escola de Comunicações e Artes/Universidade de São Paulo, 1989-2023).

Autora de “Teatro da Militância” (1990), “As Trombetas de Jericó. Teatro das Vanguardas Históricas” (1997), “Territórios e paisagens. Estudos sobre teatro” (2017), além de outras edições, como organizadora ou colaboradora. Tem inúmeros artigos sobre teatro publicados no Brasil e no exterior.

Dramaturga e diretora do grupo Lasnoias & Cia., formado em 2005, dirigiu os espetáculos Lesão Cerebral (2007), Há um crocodilo dentro de mim (2009) e Não vejo Moscou da janela do meu quarto (2014). Os seus últimos trabalhos como encenadora foram Mergulho (2015), baseado na obra de Ali Smith, com a Cia. Delas; Senhora X, Senhorita Y (2018), baseado em A mais forte, de Strindberg, com o Damas & Cia.; História de amor – Últimos capítulos (2021), de Jean-Luc Lagarce, com a Cia. do Pássaro; e Tudo acontece numa segunda-feira, de Vinícius Piedade (2023).

Não vejo Moscou da janela do meu quarto (2014) recebeu o Prémio Shell de Melhor Direção e de Melhor Iluminação (para Beto Bruel); Senhora X, Senhorita Y (2018) foi nomeado para o Prémio Aplauso Brasil (dramaturgia).

Foi curadora da série Cena Inquieta (Olhar Imaginário/SESCTV, direção de Toni Venturi, 2020), pela qual recebeu o Prémio APCA de Teatro (Categoria Especial, 2020).

Foi professora convidada em cursos de especialização e pós-graduação em diversas universidades brasileiras e foi professora-orientadora convidada do programa de pós-graduação em Teoria e História do Teatro da Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación da Universidad de la Republica, em Montevidéu, Uruguai (2010-2015).

Integrou a CIELA - Cátedra Itinerante de la Escena Latino-Americano (criado em Manizales, Colômbia, em 2007) e o núcleo gestor do Archivo Virtual de Artes Escénicas (Facultad de Bellas Artes/Universidade Castilla La Mancha, Espanha). É membro do Diretorio de Evaluadores Externos, órgão do Vicerrectorado de Investigación, da Pontificia Universidad Catolica del Perú (desde 2018).

Casa Tomada
encenação de Silvana Garcia
A ESCOLA DA NOITE
quinta-feira, 19h00
sexta e sábado, 21h30
domingo, 16h00
> M/14 > 90 min > 5 a 10€

sessões com interpretação em LGP
10 e 19 de maio
sexta-feira, 21h30
domingo, 16h00

conversa com a equipa artística após o espetáculo
11 de maio
sábado, 23h00
entrada gratuita 

informações e reservas:
239 718 238 / 966 302 488 / bilheteira@aescoladanoite.pt
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