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Teatro

Nós somos as netas de todas as bruxas que vocês não conseguiram queimar

A 10.ª criação da estrutura artística Bestiário apresenta-se em Leiria a 12 de Setembro, na Igreja de São Pedro, com o acolhimento do Teatro José Lúcio da Silva.

© Alípio Padilha

12 Set 2025  |  19h00

Igreja de São Pedro
Largo São Pedro, 7, 2400-235 Leiria
Quarenta a cinquenta mil mulheres foram mortas durante o período da caça às bruxas. As mais fustigadas eram, por um lado, idosas ou viúvas que, sem recursos, recorriam à mendicidade, e, por outro, mulheres que tinham conhecimentos audazes para a condição feminina, como ervas contracetivas e abortivas, bem como camponesas que lutavam pelo direito à sua terra.
Estas mulheres, que diferiam do padrão de feminilidade vigente, eram uma ameaça ao poder e tinham de ser aniquiladas.

Nós somos as netas de todas as bruxas que vocês não conseguiram queimar é a 10.ª criação da estrutura artística Bestiário e apresenta-se em Leiria a 12 de Setembro, na Igreja de São Pedro, com o acolhimento do Teatro José Lúcio da Silva
A obra estreou a 28 de Outubro de 2024 no âmbito do Temps d'Images, em Lisboa.

Recorrendo ao arquivo vivo dos vários corpos femininos e à implicação dos mesmos na sociedade atual, num olhar comparativo com o maior femicídio da História Ocidental - a caça às bruxas - aproveitamos para mover placas tectónicas significacionais: O que é ser bruxa? O que é ser mulher? Ao mesmo tempo refletiremos sobre o significado que o conceito bruxa ganhou a partir das lutas feministas dos anos sessenta e do seu reflorescimento atual. Partindo dos registos históricos investigaremos a identidade das vítimas da caça às bruxas em Portugal para, através do seu reconhecimento, reivindicar o seu lugar na História.

sinopse
A multidão reúne-se para o evento habitual. A figura é arrastada e a massa, em êxtase, vocifera injúrias, arremessa objetos e, em catarse, expurga a sua ira. O carrasco cumpre a sua função, o corpo incendeia-se, afoga-se, enforca-se, envenena-se e a plateia está em ovação. A última mulher a ser sentenciada por bruxaria na Europa morreu em 1782, na Suíça.

Conceito, direção artística e dramaturgia | Teresa V. Vaz
Textos a partir de O Apocalipse de São João, Malleus Maleficarum de Heinrich Kramer e James Sprenger e Feiticeiros, profetas e visionáriosTextos antigos Portugueses seleção de Yvonne Cunha Rêgo
Criação e interpretação | António Bollaño, Francisca Neves, Joana Petiz, Lia Vohlgemuth 
Dispositivo cénico e figurinos | Teresa V. Vaz 
Apoio de figurinos e bordados | Isabel Brissos 
Instalação sonora | Filipe Baptista 
Apoio à instalação plástica | Daniela Cardante 
Curadoria e assessoria teórica | Vânia Moreira 
Direção de produção | Manuela Morais  
Apoio à produção e à direção artística | Bestiário 
Apoio à produção | Lucas França 
Assessoria de comunicação | Helena Marteleira 
Vídeo | DROID.ID 
Fotografia | Bruno Simão 
Coprodução | Teatro Cine Gouveia, Teatro José Lúcio da Silva 
Residências | A Oficina - Teatro Oficina Guimarães 
Apoios | Festival Temps d'Images, Pólo Cultural das Gaivotas, Espaço Lx Jovem




sobre Bestiário

Bestiário nasce de fragmentos, por isso tem nome de coleção. Cada fragmento tem uma história, e é na justaposição das várias narrativas que criamos uma identidade. Procuramos investigar a nossa herança cultural reavivando os contos biográficos e populares. Posicionamo-nos no presente, escolhendo ora vivê-lo, ora analisá-lo. Queremos fomentar a criação de autor, deixando-nos inspirar pelas ciências naturais e sociais. Acreditamos em obras de arte que contaminem.
Bestiário nasceu em 2018 pelas mãos de Afonso Viriato, Helena Caldeira, Miguel Ponte e Teresa V. Vaz.

Nós somos as netas de todas as bruxas que vocês não conseguiram queimar é a 10.ª produção de Bestiário. As produções anteriores são: Homo Sacer (2023) Mesa (2022) Lumina (2022) GALERIA (2021), Homem-Agem (2021), Parlamento Grimm (2020), Parlamento Shakespeare (2019), Umbra (2019) e Atmavictu (2018)

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