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Encontro com Marco De Paolis e apresentação do livro “Caccia ai nazisti”

Conferência “A recente experiência judicial militar sobre os crimes de guerra cometidos em Itália durante a Segunda Guerra Mundial, na perspetiva atual do direito humanitário” de Marco De Paolis, Procurador Geral Militar junto da Corte d’Appello de Roma, e apresentação do livro “Caccia ai nazisti”.

19 Jan 2026  |  18h30

Instituto Italiano de Cultura
Av. Infante Santo, 43, 2º andar 1350-169 Lisboa
Preço
Entrada livre
Em colaboração com a livraria italiana PIENA – Libri Persone Visioni.

«Apesar do longo tempo decorrido desde a data do facto acima referido, não se obtiveram elementos úteis para a identificação dos autores e para o apuramento das responsabilidades.» É nestes termos que se pronuncia o decreto de arquivamento de 1960 relativo aos processos do chamado “Armário da Vergonha”, com o qual a Procuradoria-Geral Militar de Roma acabou por negar justiça aos massacres perpetrados pelos nazi-fascistas em Itália após o armistício de 8 de Setembro de 1943.

Não era verdade. Os “elementos úteis” existiam, e em número significativo, mas alguém decidira, de forma arbitrária, não dar seguimento às investigações. A fazer uma escolha diferente, mais de quarenta anos depois desse arquivamento, foi o jovem procurador militar de La Spezia, Marco De Paolis. No livro Caccia ai nazisti, De Paolis relata quinze anos — entre 2002 e 2018 — de investigações, interrogatórios, diligências no terreno, audição de testemunhas e julgamentos que conduziram a mais de quinhentos processos judiciais contra criminosos de guerra nazis e fascistas, responsáveis por massacres de civis e militares. Marzabotto, Sant’Anna di Stazzema, Civitella in Val di Chiana, mas também nas ilhas gregas de Kos, Leros e Cefalónia: são apenas alguns dos episódios mais conhecidos entre os dos quais De Paolis se ocupou, consciente de que «a dor não prescreve» e de que a sede de verdade dos sobreviventes e dos familiares das vítimas fora ignorada durante demasiado tempo.

Uma história cativante, uma verdadeira caça aos culpados entre Itália, Alemanha e Áustria, para interrogar antigos membros das SS ainda vivos, apurar as suas responsabilidades, levá-los a tribunal e obter a sua condenação. E, ao mesmo tempo, um relato íntimo e pessoal do que significou mergulhar numa «dor tão imensa», como a definiu um dos sobreviventes: a dor de quem teve de suportar a injustiça adicional «do incumprimento, por parte do Estado, da sua tarefa primordial e inadiável de procurar, julgar e punir os responsáveis por aquela violência brutal».

Com prefácio de Liliana Segre.

MARCO DE PAOLIS é procurador-geral militar junto da Corte Militare d’Appello de Roma. Magistrado militar desde 1988, foi procurador militar-chefe na cidade de La Spezia entre 2002 e 2008 e, de 2010 a 2018, dirigiu a Procuradoria Militar de Roma. Entre 2002 e 2018 coordenou investigações relativas a mais de 500 processos por massacres de civis e militares italianos cometidos após 8 de Setembro de 1943, levando a julgamento 17 processos e obtendo 57 condenações à prisão perpétua contra os responsáveis pelas mais graves atrocidades perpetradas em Itália e no estrangeiro durante a Segunda Guerra Mundial.

Docente de Direito Penal, Processo Penal e Direito Penal Militar, é considerado um dos juristas mais experientes no domínio dos crimes de guerra nazi-fascistas. Entre os numerosos reconhecimentos internacionais, recebeu o Prémio Michel Vanderborght da International Federation of Resistance Fighters e o Prémio Especial de Carreira da International Association of Prosecutors.

Em 2021 foi distinguido com a Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha.
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