"É de Cultura como instrumento para a felicidade, como arma para o civismo, como via para o entendimento dos povos que vos quero falar"

Música

Nielsen e Robert Schumann

Da luminosidade clássica ao individualismo intenso do romantismo, este concerto no Teatro Aberto conduz-nos por dois universos de inventividade, conflito e afirmação.

24 Jan 2026  |  18h30

Teatro Aberto
Praça de Espanha - R. Armando Cortez 1070-375 Lisboa
Pedro Neves dirigirá a Orquestra Sinfónica Portuguesa (OSP) no Concerto para Flauta (1926) de Carl Nielsen, uma obra em que o compositor dinamarquês, fascinado pela fricção tonal entre forças opostas, cria um retrato musical do flautista Holger Gilbert-Jespersen. De estilo sobretudo neoclássico e estruturado em dois andamentos, o concerto revela mudanças modais abruptas, tensão contrapontística e diálogos instáveis, culminando num finale onde coexistem inocência e volatilidade. Solista é Anabela Malarranha, flautista principal da OSP, cuja claridade lírica e qualidade técnica darão vida à escrita de Nielsen, das passagens camerísticas aos empolgantes confrontos com o trombone e os tímpanos.

Segue-se a Sinfonia n.º 2 (1845-46) de Schumann, um ato de extraordinária perseverança criativa, forjado durante um período de severa crise física e psicológica. A música expressa, pois, a resiliência do compositor: a nobreza do tema dos metais, o atleticismo do scherzo e a introspeção fugada do adágio abrem caminho a um finale imerso em alusões a Bach e num tributo à sua mulher, Clara Schumann. Eis, em suma, uma sinfonia repleta de tensões autobiográficas inextricavelmente codificadas na sua estrutura e profundidade emocional. Um programa de contrastes, que mostra como dois compositores, de épocas e com temperamentos distintos, sublimam a adversidade da vida e a transformam em expressividade.

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