Teatro
Filodemo
No contexto das comemorações dos 500 anos de Luís de Camões, o Teatro Nacional D. Maria II apresenta Filodemo, uma das raras incursões do poeta no teatro, agora transformada num espetáculo pleno que convida a redescobrir o legado camoniano a partir do palco contemporâneo.
27 Mar a 18 Abr 2026
Escrita provavelmente na juventude do autor, Filodemo é uma comédia pastoril situada num mundo rural idealizado, habitado por pastores e ninfas que vivem amores ingénuos, feitos de enganos e revelações. O seu universo é tudo menos atual, um retrato distante, quase anacrónico, das convenções e dos modos de amar de outro tempo. Mas é precisamente nessa distância que se abre um espaço fértil para a invenção: olhar de novo para o que nos é estranho para compreender o que em nós permanece igual. Pedro Penim parte dessa dissonância temporal para propor uma encenação que confronta a inocência do texto com as urgências do presente. Num tempo em que certos discursos procuram cristalizar o passado e transformá-lo em instrumento de exclusão, o diálogo com os clássicos torna-se um gesto de resistência. Reencenar Filodemo é, assim, mais do que celebrar o génio de Camões: é afirmar que o teatro continua a ser um lugar de disputa simbólica, de reapropriação e de liberdade. Entre a poesia e o jogo cénico, Filodemo celebra o reencontro entre a palavra de Camões e o palco de hoje, um diálogo entre a distância e a presença, entre o passado que nos funda e o presente que o reinscreve.
Ficha Artística
de Luís de Camões
encenação Pedro Penim
interpretação Ana Coimbra, Ana Tang, Bernardo de Lacerda, Guilherme Arabolaza, João Grosso, José Neves, June João, Mariana Magalhães, Stela, Vítor Silva Costa
figurinos Aldina Jesus
desenho de luz Daniel Varela
desenho de som Margarida Pinto
sonoplastia João Neves, Rui Dâmaso
vídeo André Carrilho
assistência de encenação Joana Brito Silva
produção Teatro Nacional D. Maria II

