Exposições
"Corpos que são bordas: fronteiras" de Luis Felipe Ortega
O Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (Círculo) apresenta, de 24 de janeiro a 21 de março de 2026, a exposição do artista mexicano Luis Felipe Ortega, um dos nomes mais relevantes da arte contemporânea latino-americana.
24 Jan 2026 | 16h00
Uma ocupação que interpela o corpo e o olhar
No projeto concebido por Luis Felipe Ortega, especificamente para o Círculo, o artista pretende uma ocupação espacial que «afete o corpo do visitante», centrando-se «nas múltiplas formas como o olhar do público está sempre mediado pelo seu corpo e, naturalmente, pelas maneiras como este se relaciona com o espaço escultórico e o espaço arquitetónico». A exposição coloca questões fundamentais: O que vemos? O que não vemos? Onde começa o espaço escultórico? Onde termina a arquitetura? Como se definem as fronteiras entre o dentro e o fora?
A mostra ocupará as quatro galerias do Círculo Sereia. Nas três primeiras salas, o artista desenvolve peças que partem destas interrogações, sem procurar respostas definitivas, mas antes abrindo espaço para a experiência e a reflexão. A quarta sala acolhe a projeção de uma obra vídeo filmada no Amazonas em 2022 e concluída em 2025.
Sobre o artista
Luis Felipe Ortega (Cidade do México, 1966) é formado pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). A sua obra estabelece uma extensa rede de relações entre literatura, cinema, filosofia, antropologia, música e artes visuais, a partir da qual gera ações, vídeos, desenhos, esculturas e instalações. O seu trabalho coloca em tensão os limites das peças com o corpo do espectador e sublinha a dimensão política do fazer artístico, explorando noções como horizonte, vazio e silêncio.
Representou o México na 56.ª Bienal de Veneza (2015) e participou em diversas bienais internacionais — Coimbra (2019), Praga (2009), Tirana (2001) e Gwangju (2000). O seu percurso inclui importantes exposições individuais e coletivas em instituições da Europa e das Américas. Paralelamente, Ortega tem desenvolvido atividade pedagógica em várias escolas e universidades, entre as quais a Escola Nacional de Artes Plásticas (UMAM), La Esmeralda (INBAL), Centro e SOMA (Cidade do México), Centro das Artes de San Agustín (Oaxaca) e UNARTE (Puebla).
Um regresso a Coimbra
Esta exposição assinala o regresso de Luis Felipe Ortega a Coimbra, onde participou na Bienal Anozero’19 com a obra Companhia (2019), uma escultura performativa comissionada para o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. Nesse trabalho, o artista ativava sons, objetos, corpo, palavras e voz a partir de uma partitura textual com referências a Samuel Beckett, T. S. Eliot e Roni Horn, continuando a sua investigação sobre o horizonte, o vazio e o silêncio — temas que também permeiam Corpos que são bordas: fronteiras.
Com entrada livre, a exposição pode ser visitada de terça-feira a sábado, estando encerrada aos feriados.

