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Exposições

A pintura como arte de renascer

Alice Maria Vieira Lucas dos Reis, artista visual natural de Santarém, tem patente uma exposição individual sob o tema “Renascer” no Centro Cultural Regional de Santarém - Fórum Actor Mário Viegas em Santarém.

9 Jan a 31 Jan 2026

Centro Cultural Regional de Santarém
Rua Dr Joaquim Luis Martins 16, 2000-141 Santarém
Preço
Entrada livre

A visitação pode ser feita até ao dia 31 de janeiro de 2026, no horário das 14h30 às 18h30 durante a semana e entre as 10h e as 13h aos sábados.

Quem é Alice

Alice Reis é uma mulher cuja história de vida é marcada por um extraordinário sentido de determinação e resiliência. Nascida em circunstâncias inesperadas, ela revela: “Eu era para não vir ao mundo, porque os meus pais só queriam ter um filho.” A sua entrada prematura na vida, aos sete meses e meio de gestação, sinaliza um padrão de vivência antecipada e intensa que se estenderá por toda a sua trajetória. Desde os primeiros passos, dados aos oito meses, até às palavras pronunciadas aos dez, Alice sempre se sentiu à frente do seu tempo, profundamente inquieta e inquietante.

A sua relação com o passado é intrincada. Desde tenra idade, Alice teve de lidar com a figura autoritária do pai, que impunha nela as suas expectativas. Ela descreve como conheceu o homem que seria o seu futuro marido aos catorze anos, iniciando um namoro que desafiava o rígido controle paterno. “Ele queria que eu estudasse sem namorar”, relembra, enfatizando os conflitos emocionais que marcaram essa fase das suas vidas.

O amor persistente e eterno de Alice pelo seu marido, é um testemunho da força das memórias e da paixão. Apesar da oposição do pai, ela manteve a relação, mesmo diante de um ultimato severo. “Tens tudo o que quiseres, mas tens de acabar o namoro”, disse o pai um dia. Alice, firme nas suas convicções, não recuou. Essa tensão familiar culminou num casamento marcado por profundos desafios, mas também por momentos de afeto e muita reconciliação.

Como chega à Pintura

A arte sempre foi uma presença constante na vida de Alice. Com um talento notório para as artes visuais, ela obtinha sempre excelentes notas em educação visual e português durante os seus anos escolares. A sua paixão pela pintura nasceu num ambiente onde as expectativas eram muitas vezes limitadoras. Mesmo assim, Alice começou a explorar este seu talento a partir dos doze anos, utilizando materiais simples como aguarelas e guaches, desafiando a ideia de que ser artista não era uma profissão viável. “Para os meus pais não havia ninguém que vivesse disso, de pincéis”, reflete, ao mesmo tempo em que expressa a sua busca incessante por beleza e expressão.

As memórias de infância estão entrelaçadas com as suas experiências artísticas. Desde as intervenções decorativas em casa até a coleta de materiais naturais para as suas invenções e criações, a arte foi sempre uma forma de resistência e autodescoberta. “Eu vejo arte em tudo. Num ramo seco que encontro na rua, apanho e levo para casa”, declara, ilustrando uma profunda conexão com a natureza e a transformação.

O que significa este “renascer”, o tema da sua exposição

O conceito de “renascer” torna-se acidentalmente central na obra de Alice Reis, refletindo a complexidade da própria vida. Para ela, renascer é “a partir daqui, do presente, como um caminho a seguir, um ponto de partida”. Esse renascimento está ligado não apenas às superações pessoais, mas também à capacidade de enfrentar adversidades, seja através da doença, da perda ou do contato com diferentes realidades e mentalidades. Nas suas obras, convida igualmente o espectador a refletir sobre as suas próprias experiências.

A história de Alice Reis, tecida entre amor, dor e arte, é uma verdadeira ode ao renascimento (do) humano, uma demonstração de como a criatividade pode emergir das mais profundas adversidades, transformando-as em beleza e significado.

Texto a partir de uma entrevista a Alice Reis - 13 de janeiro de 2026
Texto: Sílvia Mendonça
Fotografia: Vítor Lopes 

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