Exposições
"Manifesto" de João Bruno
A exposição de João Bruno no Centro Cultural de Cascais contribui para ampliar o diálogo entre artesanato e arte contemporânea em Portugal, reforçando a importância de práticas artísticas que partem de tradições locais mas as reinventam com ambição estética e conceptual.
6 Fev a 19 Abr 2026
O Centro Cultural de Cascais tem sido um dos principais palcos de apresentação da criação artística contemporânea em Portugal, acolhendo regularmente exposições que cruzam diversas linguagens e media, sem qualquer imposição hierárquica entre elas, exceto em termos de qualidade. Estando inserido na programação do Bairro dos Museus, este espaço cultural tem, portanto, recebido mostras que exploram a pintura, a fotografia e outras formas de expressão visual que se detenham sobre a contemporaneidade com um olhar crítico.
João Bruno, nascido em Tomar em 1973, o próximo artista a ser acolhido neste espaço, desenvolve uma obra singular centrada na manipulação têxtil e na exploração da lã — uma matéria-prima tradicional portuguesa que é reinventada através de formas contemporâneas e cromatismos intensos. João Bruno exercita uma reflexão sobre a matéria e a memória, construindo um diálogo entre tradição artesanal e linguagem plástica contemporânea: as obras expostas – esculturas têxteis, peças tridimensionais e instalações – são a expressão de uma mediação entre forma e textura, entre orgânico e geométrico, labor característico da ideia estética que tem levado à prática.
Assim, a escolha do espaço do Centro Cultural de Cascais, que, como atrás se assinalou, é conhecido por programar exposições que estimulam múltiplas leituras e experiências estéticas, permite que o visitante se mova entre diferentes perspetivas sensoriais, tal como acontece nas mostras de arte contemporânea que aqui têm lugar.
Por fim, uma exposição de João Bruno no Centro Cultural de Cascais contribui para ampliar o diálogo entre artesanato e arte contemporânea em Portugal, reforçando a importância de práticas artísticas que partem de tradições locais mas as reinventam com ambição estética e conceptual. O trabalho do artista, que já foi reconhecido internacionalmente em eventos como a London Design Fair e a Dutch Design Week, revela aos nossos visitantes não só uma técnica única, mas também uma visão sensível sobre a materialidade, a cor e a identidade cultural portuguesa.
Salvato Teles de Menezes
Presidente da Fundação D. Luís I
MANIFESTO
João Bruno Videira
Manifesto parte de uma questão histórica que atravessa o campo da produção cultural: a separação entre o que é reconhecido como arte e o que é classificado como artesanato. Durante décadas, o trabalho manual foi valorizado sobretudo pela sua utilidade, enquanto a sua capacidade de produzir pensamento, linguagem e posicionamento raramente foi considerada.
Esta exposição nasce desse intervalo. Do espaço onde o fazer não é apenas execução, mas também decisão, interpretação e construção de sentido. Onde a matéria deixa de ser neutra e passa a carregar tempo, gesto e escolha.
O trabalho de João Bruno Videira inscreve-se nesse território intermédio. Não como reivindicação, mas como prática contínua. Cada peça resulta de processos prolongados, de repetições e de atenção à resistência dos materiais, produzindo formas que não se limitam a servir, mas que também interrogam.
Manifesto não propõe uma leitura única nem uma hierarquia fechada entre objeto e obra. Propõe um espaço de observação onde o fazer manual pode ser reconhecido como um campo de pensamento, tão legítimo quanto qualquer outro.
Mais do que definir categorias, a exposição convida a suspender certezas e a olhar de novo para aquilo que, durante muito tempo, foi mantido à margem do olhar artístico.
Filipa Belo
Curadora
João Bruno Videira
João Bruno nasceu em Tomar em 1973. Cresceu rodeado por lã, muito por influência da mãe que era uma apaixonada pelos tradicionais tapetes de Arraiolos. A obra de João Bruno tem uma identidade própria que nasce do encontro entre materiais e técnicas tradicionais com o design e a arte numa estética e linguagem contemporâneas. É licenciado em Ciências da Comunicação e foi jornalista de televisão até encontrar na arte e no design a sua verdadeira forma de expressão.
Horário:
De terça a domingo das 10h às 18h
Última entrada às 17h40

