Exposições
“Cerâmica-Matéria-Mulher: semióticas do gesto”, por Rita GT é a nova proposta da ZET, em Lisboa
A artista de Viana do Castelo explora a forma como o corpo, a matéria e o gesto produzem uma linguagem que lhe é cara e que usa para interagir com o espetador, que pretende que seja interventivo e participativo quando interage com a instalação quase cénica que é a exposição.
26 Fev a 1 Jun 2026
Com várias exposições individuais em Portugal e no estrangeiro, a artista dá especial relevância às questões da memória e cultura popular, como é exemplo a recente apresentação no Museu de Arte da Bahia, no Brasil, da performance “O Círculo das Contas de Ouro em Filigrana: Conexões Históricas entre Bahia e Viana do Castelo”, que juntou as Cantadeiras do Vale do Neiva e as Cantadeiras Ohùn Obìnrin de Itaparica, do Brasil, um projeto apoiado pelo dstgroup. A performance destapa o véu do lado obscuro do ouro, que deixa de ser apenas ornamento, com o seu brilho natural, passando a ser, através do canto, revelador de histórias de mulheres, da sua fé e resistência, do trabalho e exploração. Como Rita GT descreve, “ganhadeiras, lavradeiras, mães, trabalhadoras invisíveis — todas invocadas em coro”. Para a curadora, é transversal a todo o trabalho a elasticidade plástica e performativa, caraterística que enriquece o trabalho da artista, permitindo-nos “leituras do mundo e propostas de ação e, sobretudo, ouvimos muitas vozes caladas pelo silêncio do patriarcado e do colonialismo”.
Para a exposição na ZET, em Lisboa, a artista sugere que a visita seja fei-ta com uma atitude participativa, interventiva, que permita ao espectador apropriar-se das mensagens mais ou menos implícitas deixadas nas pe-ças de cerâmica de Rita GT, criando, em si, novos discursos e novas se-mióticas.

