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Exposições

Exposição de Christine Enrègle “Oliveira, linhas de vida”

Os desenhos apresentados na Galeria Santa Maria Maior resultam de um processo artístico desenvolvido por Christine Enrègle ao longo de várias residências realizadas desde 2022, no Pátio dos Artistas, em Lisboa. 

1 Mar a 28 Mar 2026

Galeria Santa Maria Maior
R. da Madalena 147, 1100-006 Lisboa
Executadas a carvão sobre tela de algodão, estas obras de grande formato têm como ponto de partida a oliveira centenária do Rossio — uma presença silenciosa e persistente, enraizada no tecido histórico da cidade.

Situada no Largo de São Domingos, esta oliveira inscreve-se num território profundamente marcado pela memória. Integra um conjunto memorial que convoca o massacre de Judeus ocorrido em 1506, o pedido público de perdão pronunciado séculos mais tarde e a afirmação do carácter cosmopolita e tolerante de Lisboa. Enquanto organismo vivo, a árvore afirma-se como contraponto à violência histórica, sustentando um espaço onde a lembrança exige reconhecimento, escuta e responsabilidade.

Desde a Antiguidade, a oliveira ocupa um lugar central no imaginário simbólico do Mediterrâneo. Associada à sabedoria, à vitória e à promessa, atravessa a mitologia grega e a tradição bíblica como sinal de continuidade e de paz possível. No Rossio, essa herança simbólica concentra-se numa imagem simultaneamente frágil e resistente, onde o tempo histórico e o tempo natural se cruzam.

O trabalho de Christine Enrègle inscreve-se neste campo de tensões entre história, mito e experiência sensível. Os desenhos recusam a representação descritiva da árvore para se aproximarem da sua presença material e rítmica, da sua capacidade de resistência e permanência. O carvão — matéria instável e profundamente ligada ao gesto — introduz um tempo lento e reiterado, no qual o olhar se aprofunda e o traço se sedimenta.

O percurso expositivo propõe uma leitura processual deste conjunto de obras, revelando-as como espaços de suspensão e de escuta. Mais do que imagens, estes desenhos configuram lugares de refúgio e de memória ativa, onde a resiliência se afirma como força ética e poética. A oliveira surge, assim, não apenas como motivo, mas como sinal: de uma paz sempre por construir, de uma reconciliação exigente e de uma esperança que persiste.
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