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Festivais

Coro e Orquestra do DeCA/Universidade de Aveiro em concerto

Concerto intitulado "Stabat Mater de Rossini" do 44º Festival Música de Leiria.

28 Mar 2026  |  21h30

Igreja dos Franciscanos
137, R. dos Mártires, Leiria
Preço
Entrada livre
Quando aos 37 de idade, depois de ter escrito mais de trinta óperas que alcançaram em muitos casos verdadeiros sucessos, atingiu o auge da sua fama com a estreia de Guilherme Tell e tudo levava a crer que a sua fulgurante carreira operística iria continuar, Rossini abandonou o teatro lírico e ficou praticamente afastado do movimento musical durante os 39 anos que ainda viveu.

Várias teorias se têm levantado na tentativa de esclarecer tão estranha atitude sem que, até hoje, se tivesse chegado a desvendar o mistério. A verdade é que, nestes quase 40 anos, Rossini apenas escreveu um punhado de obras, algumas com títulos irónicos ou mesmo maliciosos, como Pecados de Velhice, Valsa Lúgubre, Prelúdio Inofensivo ou Prelúdio Compulsivo em que o carácter da música está em contradição com estes títulos, e curiosamente as suas duas obras de inspiração religiosa mais importantes, a Petite Messe Solenelle e o Stabat Mater.

Esta obra, que surgiu de uma encomenda de um influente prelado de Madrid, Don Fernandez Varela, aproveitando uma viagem de Rossini àquela cidade em 1831, foi composta em duas fazes e teve mesmo duas estreias. Após recusa inicial, alegando que Pergolesi já tinha composto o perfeito Stabat Mater, Rossini terá, não sem relutância, aceite esta encomenda. À sua decisão final não será alheia a influencia do banqueiro francês Alexandre Aguado, seu patrono e companheiro de viagem, que terá servido de mediador.

Não é certo que a composição desta obra se tenha iniciado ainda em Madrid mas é sabido que, no seu regresso a Paris, Rossini concluiu seis dos dez números inicialmente previstos (o N. 1 e os N.ºs 5 a 9 da versão atual) durante o inverno de 1832, tendo entregado a conclusão da obra ao seu amigo e ex-companheiro de estudos, o compositor bolonhês Giovani Tadolini. Esta versão da obra foi estreada em Madrid na Páscoa de 1833 e após uma única apresentação pública, parecia votada ao esquecimento. Após a morte de Varela, em 1837, o manuscrito foi vendido a um editor francês, o que chegou ao conhecimento de Rossini, que tratou de o recuperar e propor a um outro editor a publicação da versão revista e completa do Stabat Mater. Durante o verão e o outono de 1841 Rossini escreveu a sua versão dos N:ºs 2, 3 e 4 e acrescentou o conclusivo “Amen” final (N.º 10). A estreia desta versão definitiva deu-se nos princípios de 1842, tendo sido recebida com grande êxito e percorrido várias cidades da Europa com assinalável sucesso.

Tem-se dito com frequência que o Stabat Mater é mais uma ópera de Rossini. Não pode, em verdade, negar-se que esta obra saiu da pena de um compositor essencialmente operático e italiano, mas se é verdade que a melodia ocupa um papel predominante, e em particular alguns andamentos apresentam características líricas facilmente reconhecidas em árias ópera, e alguns momentos de maior dramatismo acusam um forte pendor teatral, também não é menos verdade que outros andamentos dificilmente teriam lugar numa ópera rossiniana, seja por razões de estrutura, orquestração, o uso do coro ou mesmo o tratamento melódico.

O primeiro número conduz-nos a um ambiente solene dentro de um estilo quase operático. A ária de tenor (‘Cujus animan’) apresenta uma notável riqueza melódica, muito próxima da ária de ópera, mas é importante notar que a orquestração, pela sua riqueza e detalhe, não é frequente na obra rossiniana. No dueto que se segue (‘Quis est homo’) e no número seguinte (‘Pro peccatis’) a importância da melodia ajudam, de alguma forma, a manter esta ideia de algum dramatismo teatral presente na obra, mas, a partir do N.º 5 todo o ambiente muda. Com o recitativo (‘Eia Mater’), a capella tal como o N.º 9 (Quando Corpus Morietur’), o sentimento de religiosidade fica bem presente e, nem o carácter melódico e dramático dos números 6, 7 e 8, apesar de bem diferenciado, nos faz sentir verdadeiramente do teatro de ópera. O número final é uma brilhante fuga que, no final, nos traz de volta o ambiente solene do início da obra.

Não se conhece o autor do poema original do Stabat Mater mas é tradicionalmente aceite que a sua autoria se deve a um monge Franciscano do séc. XIII.

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