Cinema e Vídeo
CINALFAMA - Cinema Invisível
Cinalfama lança Cinema Invisível, um programa regular dedicado a cinematografias frágeis e pouco visíveis.
18 Mar a 26 Mar 2026
Trata-se de uma programação contínua dedicada a obras, autores e cinematografias que raramente chegam às salas ou aos circuitos habituais de difusão. Filmes produzidos em contextos frágeis, arquivos esquecidos, práticas amadoras ou cinematografias ainda pouco mapeadas encontram aqui um espaço de atenção, contexto e encontro com o público.
Segundo um relatório recente da UNESCO sobre as indústrias audiovisuais, grande parte do mundo produz cinema em condições extremamente precárias, muitas vezes sem políticas públicas, infraestruturas ou redes de circulação. Ainda assim, essas imagens existem, circulam informalmente e continuam a surgir como formas urgentes de expressão cultural.
O Cinema Invisível parte dessa constatação simples: muito do cinema do mundo permanece fora do campo de visão das salas, dos catálogos e das histórias oficiais. O projeto propõe criar um lugar regular onde esses filmes possam ser vistos, contextualizados e discutidos.
Propõe-se olhar para os lugares onde o cinema existe sem nome, sem indústria consolidada ou sem circulação. Filmes que raramente entram nos manuais, nos guias ou nas histórias do cinema.
Programar o Cinema Invisível é aceitar trabalhar sem rede — e aceitar o risco de errar. Porque o erro é, muitas vezes, preferível à repetição do que já foi legitimado.
Embora alguns ciclos possam incidir sobre contextos geográficos específicos — como África, Ásia Central ou o Ártico — o programa não se limita a uma geografia. Poderá incluir cinematografias emergentes, arquivos esquecidos, práticas experimentais ou até territórios inesperados do cinema de género, incluindo ficção científica produzida fora dos grandes centros de produção.
MARÇO
Ciclo de Cinema Sarauí
(em colaboração com o FiSahara – Festival Internacional de Cinema do Saara Ocidental)
O primeiro ciclo do Cinema Invisível é dedicado ao cinema Sarauí, uma cinematografia que emergiu nos campos de refugiados do Saara Ocidental.
Desde 1975, cerca de 150 mil refugiados sarauís vivem nos campos de Tindouf, no sudoeste da Argélia, após a ocupação do Saara Ocidental por Marrocos e a retirada da administração espanhola. Ao longo das últimas duas décadas, o contacto com o cinema — particularmente através do FiSahara – Festival Internacional de Cinema do Saara Ocidental — contribuiu para o surgimento de uma prática cinematográfica própria.
Realizadores sarauís começaram a utilizar a imagem em movimento como forma de documentar a vida nos campos, preservar memória coletiva e dar visibilidade internacional a uma situação política prolongada.
Este ciclo propõe uma introdução a esse conjunto de filmes e autores, reunindo obras realizadas tanto por cineastas sarauís como por realizadores que trabalharam em colaboração com a comunidade.
SOBRE O CINALFAMA
O Cinalfama nasceu em Alfama em 2009, projetando cinema nas ruas e fachadas do bairro histórico de Lisboa.
Ao longo dos anos evoluiu para um projeto cultural que combina festival internacional, programação regular, residências artísticas e projetos de memória audiovisual ligados à cidade.
Hoje, o Cinalfama continua a trabalhar a partir da mesma ideia inicial: usar o cinema como instrumento de encontro, reflexão e descoberta
PROGRAMA
18 MAR - 4ª feira
19:00 | Fábrica Braço de Prata @ Sala Foucault
Toufa, de Brahim Chagaf (Sahara Ocidental), 2020 - 32’
Little Sahara, de Emilio Martín (Espanha), 2023 - 31’
19 MAR - 5ª feira
19:00 | Fábrica Braço de Prata @ Sala Foucault
Searching for Tirfas, de Lafdal Mohamed Salem (Sahara Ocidental), 2020 - 14’
They're Just Fish, de Ana Serna e Paula Iglesias (Espanha e Sahara Ocidental), 2019 - 17’
Running Home, de Michelle-Andrea Girouard (Canadá), 2019 - 30’
25 MAR - 4ª feira
19:00 | Fábrica Braço de Prata @ Sala Foucault
DESERT PHOSfate, de Mohamed Sleiman Labat (Sahara Ocidental), 2023 - 58’
Little Sahara, de Emilio Martín (Espanha), 2023 - 31’
26 MAR - 5ª feira
19:00 | Fábrica Braço de Prata @ Sala Foucault
Champs-Elysées, de Giussepe Carrieri (Sahara Ocidental), 2023 - 23’
Soukeina, 4400 Days of Night, de Laura Sipán (Espanha), 2017 - 28’
3 Stolen Cameras, de Equipe Media, RåFILM (Sahara Ocidental), 2017 - 17’

