Exposições
Luiz Pacheco Passeia por todo o País (1925-2025)
Esta exposição itinerante chega agora a Amarante, assinalando o centenário do nascimento de Luiz Pacheco, escritor e editor incontornável da cultura portuguesa do século XX.
17 Mar a 31 Mar 2026
Ao longo do seu percurso, Luiz Pacheco testemunhou muitos dos principais momentos de tensão e de reviravolta vividos no século XX português, entre a sobrevivência autónoma, no limiar da marginalidade, às décadas mais delicadas do regime do Estado Novo e a experiência ambígua da explosão democrática e dos seus impactos numa nova realidade social, política e cultural.
Desde meados da década de 1940, Luiz Pacheco assumiu o estatuto de autor total, adequado ao panorama de erosão cultural que marcou as diferentes manifestações do regime totalitário salazarista, nomeadamente ao nível da censura e da repressão à circulação de obras, ideias e indivíduos. O périplo de Pacheco apresenta todos os sinais de uma inequívoca exemplaridade, configurando uma figura de exceção, única nas suas peculiaridades e no impacto que foi tendo em todos quantos conviveram com a sua afirmação polémica e provocatória. Essa exuberância memorável, muitas vezes fixada num certo anedotário reiterado, passou pela capacidade de assumir a um tempo os estatutos de escritor, editor, crítico, publicitário e divulgador da própria obra, mas também pelo contributo determinante na consolidação de um panorama literário português assente na edição de nomes como Mário Cesariny, António Maria Lisboa, Manuel de Lima, Natália Correia, Vergílio Ferreira, Herberto Helder e Hélia Correia, entre muitos outros.
Esta exposição inclui-se nas comemorações do centenário do nascimento de Luiz Pacheco. Desenvolvida no âmbito do projeto UnderDig – Surrealismo-Abjeccionismo em Portugal (2023.14574.PEX), em estreita colaboração com a família do escritor e contando com o apoio documental e científico da Casa da Liberdade – Mário Cesariny, a exposição pretende oferecer um olhar diferenciado sobre a vida e a obra de Luiz Pacheco a partir de algumas componentes do seu espólio.
Estruturalmente, a mostra encontra-se organizada em duas grandes secções, cada uma correspondendo a um aspeto significativo da experiência vital ou da produção literária e cultural de Luiz Pacheco.
A primeira secção, Panorama(s) do Homem e da Obra, apresenta, ao longo de seis painéis organizados cronologicamente, uma síntese panorâmica das principais etapas do percurso do escritor, acentuando sobretudo as circunstâncias pessoais e as produções literárias ou editoriais mais representativas de cada momento. Inclui-se também nesta secção um núcleo dedicado a Ana da Silva, com a apresentação das peças produzidas no âmbito do Instituto Politécnico de Santarém e de documentos conservados no seu espólio pessoal. Entre esses documentos, saliente-se um painel constituído por algumas das cartas trocadas com José Saramago, em 1995.
A segunda secção, A Oficina de Luiz Pacheco, parte de um conjunto diversificado de documentos – correspondência, páginas de diários, marginália a livros conservados na biblioteca pessoal do escritor – para dar a conhecer facetas menos conhecidas do seu percurso, nomeadamente a natureza intrinsecamente oficinal e experimental da sua criação literária, incluindo a rigorosa planificação de livros nunca concluídos, e a consciência da natureza essencialmente interdiscursiva e crítica de qualquer projeto literário pessoal. Ao longo de seis painéis, o visitante da exposição poderá contactar com cartas de e para Luiz Pacheco, com índices e planos de projetos literários esboçados e com os apontamentos e intuitos críticos deixados nas páginas de livros da sua biblioteca. Desse modo, pretende-se que Luiz Pacheco, figura emblemática para muitos e parte do imaginário coletivo de várias cidades de norte a sul do país, seja também (re)conhecido como testemunho de um dos mais instigantes, originais e dinâmicos casos literários da literatura e da cultura portuguesas contemporâneas.
Curadoria: Rui Sousa e Ana da Silva
Horário: das 9h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00
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