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Teatro

Companhia Visões Úteis transforma 30 anos de figurinos em arte performativa

Para ver na Casa São Roque – Centro de Arte, no Porto, de 19 a 29 de março, como o coletivo artístico transformou em exposição performativa o “armário teatral” dos personagens e figurinos mais icónicos de três décadas de criatividade, com apoio do programa municipal Criatório

19 Mar a 29 Mar 2026

Casa São Roque - Porto
R. São Roque da Lameira 2092, 4350-307 Porto
Não se pensa muito nisso, mas há quase tanta arte escondida nos roupeiros de uma companhia de teatro como aquela que nos habituamos a ver em palco. Está é despida, e meio adormecida, nos cabides e charriots, dos personagens que alimenta(ra)m infindáveis histórias e servem de inspiração a outras mais. Por duas semanas, porém, o imaginário de 30 criativos anos do conhecido coletivo artístico Visões Úteis (VU) ressuscitará do “armário teatral de personagens e figurinos” icónicos, acordando agora para (pelo menos) uma – quiçá - última e renovada atuação. Sob a forma de uma exposição performativa. Com tantas caras quantas cabem num torso de uma mitológica quimera.

Foi como lhe chamou a companhia: “Arraial de Quimeras”. Um dispositivo que se desdobra em uma exposição de figurinos e ilustrações e que, quando ativado, espoleta uma “performance festiva”, nas palavras da cenógrafa e figurinista Inês de Carvalho, do VU. O projeto entra em cena de 19 a 29 de março, na Casa São Roque – Centro de Arte (ver agenda mais em baixo).

E se ao leitor está ainda difícil corporizar o conceito do evento, que se previna ao potencial espetador que será apresentada uma “recriação - em objetos híbridos e de dupla projeção - de esculturas que se contemplam e figurinos que performam”, pois então! Ou seja, o Visões Úteis convidou “parceiros intérpretes – alunos do curso de teatro da Escola Superior Artística do Porto (ESAP) – para um jogo colaborativo e experimental, onde ‘corpos jovens’ se encontrarão com ‘tecidos antigos’, para um ciclo de ativações performativas da coleção de quimeras”, os tais vestígios têxteis de figurinos resultantes de 30 anos de produção teatral, como explica Inês de Carvalho.

Os intérpretes serão convidados, em tempo real e sem ensaios, a vestir-se, a transfigurar-se, isto “seguindo apenas algumas indicações que cruzam jogo e acaso – numa espécie de blind date em jeito de arraial performativo e não-normativo”, complementa a cenógrafa do VU.

Trata-se, no fundo, de um olhar autoral sobre o figurino como matéria de arquivo e de (re)criação. O qual, por sua vez, “desencadeia possibilidades de ‘trans-figuração’, que poderão ser contemplados num formato expositivo”, aponta Inês de Carvalho.

Para além das sessões exploratórias e de criação com os jovens do curso de Teatro da ESAP, ao longo do processo de criação serão realizadas diversas sessões exploratórias com parceiros de comunidades próximas que trazem outros olhares e perceções sobre os materiais de arquivo do VU. Entre elas o grupo de seniores do Centro Paroquial e Social Nossa Senhora do Calvário, as crianças da Escola Básica das Flores, e a comunidade da Casa da Pertença.

O “Arraial de Quimeras” tem ainda planeado o lançamento de um catálogo digital, que “colocará em diálogo a nova coleção de quimeras lado-a-lado com o material documental das criações originais”, com referência a textos e imagens que cruzam histórias marcantes do património do coletivo Visões Úteis, segundo revela Carlos Costa, diretor artístico da companhia portuense.

No desenho do projeto está ainda prevista a realização de um colóquio internacional sobre “O Figurino como motor de criação / Costume as creative power” (nome provisório), com organização de Jorge Palinhos – possibilidade ainda em esboço na mesa de trabalho.

“Arraial de Quimeras” conta com o apoio do programa Criatório, da Câmara Municipal do Porto, e, na decorrência do tratamento do arquivo do Visões Úteis, tem também como parceiro a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a colaboração do Arquivo Histórico Municipal do Porto.

“Arraial de Quimeras”
Agenda:
Inauguração da exposição – 19 de março, às 18h00
Apresentações - de sexta-feira a domingo, nos dias 20, 21, 22, 27, 28 e 29, com sessões às 15h30
Ficha Artística:
Direção artística e criação Inês de Carvalho consultoria de arquivo e dramaturgia Ana Vitorino sonoplastia Vasco Zentzua intérpretes alunos/as do Curso de Teatro da Escola Superior Artística do Porto, sob a supervisão da Professora Luísa Pinto: Alita Maia, Amanda Duda, Beatriz Ruela, Bruno Sousa, Guilherme Palha, José Valente, Lalu Barbas, Letícia Alandis, Matilde Brighton, Rita Ribeiro e Theo confeção Jandira Figueira, com o apoio da comunidade da Casa da Pertença construção do dispositivo Josué Maia design de comunicação Sara Allen registo vídeo Sara Allen e Alexandra Allen coordenação de produção Cláudia Alfaiate produção executiva Margarida Barreiros Feijó participação nas sessões exploratórias e de criação alunos do 4.º ano da Escola Básica das Flores e utentes do Centro Social e Paroquial N.ª S.ª do Calvário

Sobre o Visões Úteis:
O Visões Úteis é um projeto artístico sediado no Porto, onde foi fundado em 1994. O teatro foi a raiz de uma atividade constante e intensa que rapidamente se alargou a outras áreas das artes performativas. E em reconhecimento da sua ação artística junto de públicos diversificados, o coletivo recebeu em 2001 a Medalha de Ouro de Mérito Cultural da Cidade do Porto. O raio de ação do grupo estende-se a uma panóplia de projetos, paralelos à criação e itinerância de espetáculos, que desde sempre traduziram o desejo de confronto com outras áreas e com públicos distantes da produção artística. O Visões Úteis é membro da PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas, do IETM – International Network for Contemporary Performing Arts, da APCEN - Associação Portuguesa de Cenografia e da ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável.
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