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Festa do Cinema Italiano abre em Lisboa e no Porto a 9 de abril e "viaja" por todo o país
A Festa do Cinema Italiano regressa a Portugal para a 19ª edição, com La grazia, de Paolo Sorrentino, a abrir o festival. Da programação constam ainda as mais recentes obras de Mario Martone, Gabriele Salvatores, Gianni Amelio e Gianfranco Rosi, antestreias nacionais e internacionais e até mais uma incursão na realização de Johnny Depp.
9 Abr a 7 Jun 2026
Um dos grandes destaques é a homenagem à icónica Claudia Cardinale, com uma retrospectiva na Cinemateca Portuguesa que contará com a presença da filha da atriz.
A Festa do Cinema Italiano, principal evento em Portugal dedicado ao cinema e à cultura italiana, acaba de apresentar a programação da sua 19ª edição. O festival abre com La grazia, o mais recente filme de Paolo Sorrentino — realizador multipremiado e vencedor do Óscar com A Grande Beleza —, que retrata os últimos dias de mandato de um Presidente da República, tendo inaugurado a última edição do Festival de Cinema de Veneza. A sessão de abertura terá lugar a 9 de abril, às 21h30, simultaneamente no Cinema São Jorge, em Lisboa, e no Batalha Centro de Cinema, no Porto. A estreia comercial é a 16 de abril.
O festival encerra com Três Vezes Adeus (Tre ciotole), da realizadora Isabel Coixet, um retrato íntimo sobre a despedida e a possibilidade de serenidade perante a perda. Inspirado no livro homónimo de Michela Murgia, o filme reúne Alba Rohrwacher e Elio Germano numa história sensível que conjuga a franqueza emocional da autora com o olhar delicado da realizadora espanhola.
A Festa do Cinema Italiano inicia o seu percurso em Lisboa e no Porto e segue a sua itinerância por cerca de 20 cidades até ao mês de junho. Em Lisboa, decorre de 9 a 19 de abril nas salas do Cinema São Jorge, UCI – El Corte Inglés e Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema. No Porto, o festival é apresentado entre 9 e 11 de abril, no Batalha Centro do Cinema e no Cinema Passos Manuel.
Às cidades já mencionadas juntam-se: Tavira (13 e 14 abril, no Teatro Municipal António Pinheiro), Cascais (16 a 19 de abril, na Casa das Histórias Paula Rego), Setúbal (6 a 19 de abril, no Cinema Charlot – Auditório Municipal), Alverca (17 e 18 de abril, no Teatro Estúdio Ildefonso Valério), Leiria ( 20, 21 e 22 abril, no Teatro Miguel Franco), Beja (22 e 23 de abril, no Pax Julia Teatro Municipal), Almada ( 5, 6, 13, 20 e 27 de maio, no Auditório Fernando Lopes-Graça), Coimbra ( 6, 7, 8 de maio, no Teatro Académico de Gil Vicente), Moita (6 e 7 maio, no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo), Figueira da Foz (22 a 24 maio, no CAE - Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz), Aveiro ( 18 e 19 de maio, no Teatro Aveirense), Lagos (26 a 29 de maio, na Biblioteca Municipal de Lagos Júlio Dantas), Vila Franca de Xira (15 a 17 de maio, no Auditório Junta de Freguesia Vila Franca de Xira), Loulé ( 6 e 7 junho, no Auditório do Solar da Música Nova) e Oeiras, Sardoal e Évora (em datas a anunciar).
Festival conta com 12 filmes em antestreia nacional
A programação da 19ª edição da Festa do Cinema Italiano reúne também alguns dos mais importantes realizadores do cinema italiano contemporâneo, com 12 filmes apresentados em antestreia nacional e que passaram recentemente por grandes festivais internacionais. Entre os destaques está Fuori, de Mario Martone, apresentado em competição no Festival de Cannes, com Valeria Golino no papel da escritora Goliarda Sapienza. O filme retrata a sua breve passagem pela prisão em Roma, nos anos 80.
Também Paolo Virzì regressa com Cinque secondi. Entre conflitos e cumplicidades, a história acompanha um delicado processo de reconciliação com o passado e de redescoberta do cuidado e da confiança. A guerra e as suas feridas estão no centro de Campo di battaglia, de Gianni Amelio, apresentado no Festival de Cinema de Veneza, que aborda o dilema entre o idealizado sacrifício pela pátria e o instinto de sobrevivência durante a Primeira Guerra Mundial.
Também vindo de Veneza, Sotto le nuvole marca o regresso do cineasta e documentarista Gianfranco Rosi, vencedor do Prémio Especial do Júri no Festival de Veneza. Num hipnótico preto e branco, Rosi percorre o território entre o Vesúvio e o Golfo de Nápoles, compondo um retrato sensorial de uma cidade onde a história, a fé e a vida quotidiana se entrelaçam de forma única. Já Gabriele Salvatores apresenta Napoli – New York, uma aventura inspirada num argumento nunca filmado de Federico Fellini e Tullio Pinelli.
Baseado no romance de Rosella Postorino, Le assaggiatrici (As Provadoras de Hitler) marca uma nova etapa na filmografia de Silvio Soldini. Situado na Alemanha nazi, o filme observa um episódio histórico pouco conhecido — o grupo de mulheres obrigadas a provar a comida destinada a Hitler — para refletir sobre medo, sobrevivência e a vulnerabilidade do corpo feminino em tempos de violência e poder absoluto. Já Pietro Marcello apresenta Duse, um retrato livre e evocativo da lendária atriz Eleonora Duse, figura central do teatro europeu entre os séculos XIX e XX. Interpretada por Valeria Bruni Tedeschi, distinguida em Veneza pela sua interpretação, a personagem surge como símbolo de independência artística e de resistência.
Assiste-se igualmente ao regresso em força do cinema de género, em particular do terror, pela mão de Paolo Strippoli na sua inquietante La valle dei sorrisi. Já Gabriele Mainetti põe em confronto as máfias chinesa e italiana com cenas de combate kung-fu, La città proibita rende homenagem aos filmes de ação dos anos 80, com uma dose intensa de adrenalina, emoção e beleza.
Novo filme de Johnny Depp em destaque na Festa
Entre os títulos mais aguardados desta edição da Festa do Cinema Italiano está também Modi – Tre giorni sulle ali della follia, o novo filme realizado por Johnny Depp, uma obra dedicada ao pintor Amedeo Modigliani e aos turbulentos da vida do artista na Paris de 1916. Outro destaque do programa é Hey Joe, o mais recente filme de Claudio Giovannesi, protagonizado por James Franco. O filme acompanha o regresso de um veterano americano que, décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial, tenta reencontrar o filho que nunca conheceu. O realizador estará presente em Lisboa para apresentar o filme ao público. Chega também ao festival Buen Camino, protagonizado por Checco Zalone, uma comédia que conquistou quase dez milhões de espectadores, tornando-se a maior bilheteira de sempre do cinema italiano.
Competitiva: antestreia internacional de Ultimo schiaffo, de Matteo Oleotto
A secção Competitiva da Festa do Cinema Italiano reúne sete primeiras e segundas longas-metragens de realizadores emergentes do cinema italiano contemporâneo, que concorrem ao Prémio do Júri para Melhor Filme do festival. A seleção percorre diferentes geografias e estilos, revelando novas vozes e olhares que têm marcado presença em alguns dos principais festivais internacionais.
Do Festival de Cannes chega Le città di pianura, de Francesco Sossai, um dos filmes italianos mais comentados da última edição do festival. Com humor livre e espírito errante, o realizador acompanha a deriva noturna de dois amigos de meia-idade e de um jovem estudante pelas estradas e bares da planície veneziana, transformando uma sucessão de encontros numa reflexão sobre a amizade.
Também marcado pela reinvenção de géneros é Testa o croce?, de Alessio Rigo de Righi e Matteo Zoppis, um western singular que transporta o imaginário do faroeste para a Itália do início do século XX. Inspirado pelo universo dos espetáculos itinerantes de Buffalo Bill, o filme conta com Alessandro Borghi a dar corpo a um improvável herói de fronteira. Do Festival de Cinema de Veneza chega Un anno di scuola, de Laura Samani, um delicado retrato de juventude ambientado em Trieste. Inspirado no romance de Gianni Stuparich, o filme acompanha um grupo de estudantes confrontados com as tensões, os desejos e as descobertas que marcam o fim da adolescência e as fragilidades das relações entre rapazes e raparigas.
Também apresentado em Veneza, La gioia, de Nicolangelo Gelormini, mergulha num registo mais sombrio, explorando as zonas de sombra das relações humanas. Com uma interpretação intensa de Valeria Golino, o filme constrói um drama marcado por solidão, desejo e ambição social, evocando a atmosfera moralmente ambígua do grande cinema noir. La vita da grandi, de Greta Scarano, é outro dos filmes em competição nesta edição. Uma comédia leve e inclusiva, baseada em factos reais que aborda a relação de dois irmãos, um deles autista, os sonhos e mal-entendidos familiares numa espécie de “curso intensivo” para aprender a ser adulto.
Depois das distinções em Locarno (Prémio Especial do Júri CINÉ+ e o Pardo para a Melhor Atuação, atribuído a Aurora Quattrocchi), chega a Portugal a primeira obra de Margherita Spampinato, Gioia mia, uma terna história de verão entre um neto e a sua avó.
Por fim, do Festival de Roma chega Ultimo schiaffo, de Matteo Oleotto, apresentado em antestreia internacional e distinguido com o Prémio do Júri Jovens –35. Entre comédia negra e fábula contemporânea, o filme acompanha dois irmãos desajeitados que enfrentam um Natal improvável numa paisagem fria e desolada, onde pequenos golpes de sorte e decisões improváveis podem alterar destinos.
Claudia Cardinale, Pasolini e os cinquenta anos de Feios, Porcos e Maus
A secção Amarcord volta a afirmar-se como um dos momentos centrais da Festa do Cinema Italiano, dedicada à redescoberta e celebração do património cinematográfico italiano. Em colaboração com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, o programa deste ano reúne duas iniciativas especiais que atravessam a história do cinema italiano e as suas figuras maiores.
A primeira é uma ampla retrospetiva dedicada a Claudia Cardinale, uma das grandes atrizes do cinema europeu e internacional, desaparecida em 2025. Dona de uma presença magnética e de uma rara versatilidade, Cardinale construiu ao longo de mais de cinco décadas uma carreira que atravessou com naturalidade o cinema de autor e as grandes produções internacionais. Trabalhou com alguns dos mais importantes realizadores do século XX: de Luchino Visconti e Federico Fellini a Blake Edwards e Werner Herzog. A retrospetiva revisita momentos fundamentais desse percurso, dos anos áureos do cinema italiano ao encontro tardio com Manoel de Oliveira em Gebo e a Sombra, revelando uma atriz cuja modernidade e intensidade continuam a ecoar muito para além do seu tempo.
Claudia Squitieri, filha da atriz e Presidente da Fundação Claudia Cardinale marcará presença em Lisboa na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, para abrir oficialmente a retrospectiva, no dia 1 de abril, às 19h00, com La ragazza con la valigia de Valerio Zurlini. No dia 2, apresentará também o filme Corleone, realizado pelo pai Pasquale Squitieri, às 19h00.
Também em parceria com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, o festival assinala os cinquenta anos da morte de Pier Paolo Pasolini com um ciclo especial intitulado Pier Paolo Pasolini — Raridades. Poeta, ensaísta, cineasta e uma das figuras intelectuais mais marcantes da cultura italiana do século XX, Pasolini é revisitado através de um conjunto de sessões e iniciativas que apresentam materiais raramente exibidos ou inéditos em Portugal. A secção Amarcord presta ainda homenagem aos cinquenta anos de Feios, Porcos e Maus (Brutti, sporchi e cattivi), a célebre sátira de Ettore Scola que se tornou um clássico incontornável da comédia italiana.
Debate sobre trabalho, sindicalismo e tensões políticas nas sessões especiais
A programação inclui ainda um conjunto de sessões especiais que ampliam o diálogo entre cinema, sociedade e cultura. Na sequência da exibição de Portuali, de Perla Sardella, o festival promove Portuários em Ação: Ética, Política e Solidariedade, no dia 11 de abril, no Cinema São Jorge (sala 2), um encontro dedicado às relações entre trabalho, sindicalismo e responsabilidade cívica. A conversa será moderada pelo historiador Stefano Gallo, autor de “Storia del lavoro nell’Italia contemporanea”, e contará com a participação de José Nivoi, membro da USB – Unione Sindacale di Base de Génova, porta-voz do C.A.L.P. – Collettivo Autonomo Lavoratori Portuali e membro da Global Sumud Flotilla. O encontro propõe uma reflexão sobre o papel do trabalho e das mobilizações sociais no contexto contemporâneo.
O programa Cinema Transfronteiriço Itália–Eslovénia, realizado em colaboração com Kinoatelje, apresenta uma seleção de filmes dedicados à história e à complexidade cultural da região de fronteira entre os dois países. Integrada no projeto Oriente Vzhod / Occidente Zahod – A fronteira no cinema e na história, parte do programa da Capital Europeia da Cultura 2025 Nova Gorica–Gorizia, a iniciativa propõe um olhar sobre uma região marcada por encontros, tensões e cruzamentos culturais ao longo do século XX e XXI.
Através de um encontro e da exibição de alguns documentários, a Festa irá também relembrar Giorgio Armani, um dos estilistas que mais se cruzou com o mundo do cinema e uma das figuras mais importantes da moda internacional. Por fim, o festival apresenta também Camilleri 100, documentário dedicado à vida e obra de Andrea Camilleri, um dos mais populares escritores italianos contemporâneos, autor do célebre Comissário Montalbano. A sessão contará com a presença do realizador Francesco Zippel, que estará em Lisboa para apresentar o filme e conversar com o público sobre o legado literário e cultural do autor siciliano.
Altre Visioni: a secção dedicada às propostas autorais
A secção Altre Visioni da Festa do Cinema Italiano reúne obras que exploram linguagens cinematográficas mais livres e experimentais. Entre os destaques está Arsa, do coletivo artístico Masbedo, filmado na ilha de Stromboli. Entre paisagens vulcânicas, vento e mar, o filme constrói uma fábula contemporânea sobre solidão, desejo e relação com a natureza. Os autores estarão presentes em Lisboa para acompanhar a apresentação do filme e inaugurar uma exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes.
Também integrado na secção está Una lunghissima ombra, do músico e compositor turinês Andrea László de Simone, uma obra de forte dimensão contemplativa que observa o quotidiano com um olhar sensível e minimalista, refletindo sobre a memória, o tempo e o contraste entre a intimidade da vida real e a constante exposição do mundo digital.
Por fim, White Lies, da artista e realizadora Alba Zari, propõe uma investigação pessoal sobre memória, identidade e herança familiar. Partindo da sua própria história — marcada pela infância no seio da controversa seita Children of God — o filme transforma a busca por respostas num percurso cinematográfico íntimo e profundamente reflexivo. A realizadora estará também presente em Lisboa para apresentar o filme ao público.
Os aperitivos: festa de abertura, karaoke e cine-jantar
Antes do arranque oficial do festival, a Festa do Cinema Italiano propõe as tradicionais AperiFestas, um conjunto de encontros que antecipam o espírito do festival através de momentos de convívio, música, gastronomia e cinema. Ao longo do mês de março, a programação inclui iniciativas como a antestreia especial de O Último Padrinho, de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, no Cinema Fernando Lopes, no dia 18 de março, às 21h00, e Lasciatemi Cantare — Karaoke à Italiana, um encontro festivo, no dia 20 de março, a partir das 20h30, no Drama Bar, dedicado aos grandes êxitos da música pop italiana.
Entre os momentos mais especiais desta programação está também o cine-jantar dedicado a O Leopardo, de Luchino Visconti, que terá lugar no dia 26 de março, às 19h00, no restaurante Il Gattopardo, no Hotel Dom Pedro Lisboa. A sessão integra a retrospetiva dedicada a Claudia Cardinale e propõe uma experiência que cruza cinema e gastronomia italiana, com um menu exclusivo concebido pelo chef Leandro Stenzel. De destacar ainda o Italo-Baile, a festa oficial de abertura da Festa do Cinema Italiano, no dia 4 de abril, na Casa Capitão, em Lisboa, uma noite de música, dança e celebração, com destaque para a atuação do Dj italiano Popolous.
Eventos paralelos para toda a família
A Festa do Cinema Italiano inclui também um conjunto de eventos paralelos, pensados para toda a família. Piccolini — A Estrela Sou Eu! Cartazes para uma estreia em grande é uma oficina criativa para crianças orientada por Ana Pêgo (Projeto Plasticus Maritimus), que convida os participantes a criar cartazes de cinema a partir de plástico recolhido na praia, cruzando imaginação, arte e consciência ambiental. Decorre dia 12 de abril, às 11h00, no Cinema São Jorge (Sala 2). Da programação constam ainda colóquios, momentos de stand-up comedy italiana, bem como sessões especiais e conversas com convidados do festival.
A Festa do Cinema Italiano é organizada pela Associação Il Sorpasso, em colaboração com várias instituições públicas e com o apoio de parceiros privados. Em 2026, o festival conta com o apoio institucional da Câmara Municipal de Lisboa, da Embaixada de Itália, do Instituto Italiano de Cultura de Lisboa, do Instituto do Cinema e do Audiovisual. A FIAT será a viatura oficial da Festa. Tem também o patrocínio da MAPEI, da JCDecaux e do Café Bellissimo. A PLMJ e a Fundação PLMJ são novamente Mecenas do festival. O evento conta com a parceria estratégica da Lisboa Cultura / Cinema São Jorge.
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