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«Serán_123_123», performance participativa com Breogán Xague

Integrada na programação do Anozero’26 – Bienal de Coimbra, a performance participativa «Serán_123_123», de Breogán Xague, propõe uma experiência sonora coletiva centrada na repetição, escuta e transformação da linguagem.

6 Jun 2026  |  18h30

Praça do Comércio, escadaria da Igreja de Santiago
Preço
Entrada livre
No próximo dia 6 de junho, entre as 18h30 e as 19h00, a escadaria da Igreja de Santiago, na Praça do Comércio, acolhe a performance participativa «Serán_123_123», de Breogán Xague, no âmbito da programação do Anozero’26 – Bienal de Coimbra.

A proposta parte de uma investigação sobre os contornos da linguagem e os momentos em que esta se torna irreconhecível enquanto sistema estruturado. A partir da música galega de transmissão oral e de repertórios partilhados no Norte de Portugal, a performance centra-se em vocalizações não traduzíveis — como «ailalalá», «ailele» e outras variações sonoras — entendidas não como palavras, mas como matéria sonora em si mesma.

O artista isola fragmentos recolhidos em gravações de campo realizadas na fronteira entre a Galiza e Portugal, propondo ao público uma experiência coletiva baseada na escuta, repetição e adaptação. Neste processo, a linguagem deixa de funcionar como sistema fixo de significado para se tornar espaço de variação, erro, transformação e criação partilhada.

Mais do que uma performance, «Serán_123_123» afirma-se como um exercício de construção coletiva do som e da voz, onde o público é convidado a participar ativamente na criação de uma paisagem vocal em constante mutação. Através deste gesto, a proposta questiona a ideia de identidade linguística como algo estável, abrindo espaço para formas híbridas e transitórias de expressão.

Breogán Xague é artista visual, músico e poeta, desenvolvendo o seu trabalho entre a Suécia e a Galiza. A sua prática investiga os processos de construção de comunidade e os elementos que definem identidades culturais em contextos de transformação, cruzando artes visuais, som e investigação poética. O seu percurso inclui exposições individuais e coletivas em diferentes instituições na Europa.

Integrada numa programação que privilegia práticas participativas e experiências sensoriais, esta iniciativa reforça o papel da arte enquanto espaço de escuta, experimentação e construção coletiva de sentido.

A cidade de Coimbra volta a afirmar-se como um dos principais polos culturais do país com a realização do Anozero’26 – Bienal de Coimbra, subordinado ao tema «Segurar, dar, receber ». A edição deste ano propõe uma reflexão sobre cuidado, partilha e interdependência, reunindo artistas e criadores em torno de práticas que exploram as relações humanas num contexto contemporâneo desafiante.

Com curadoria de Hans Ibelings, John Zeppetelli e Daniel Madeira, a Bienal estará patente até 5 de julho de 2026.

Organizada pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), pela Câmara Municipal de Coimbra e pela Universidade de Coimbra, a bienal continua a transformar espaços emblemáticos da cidade em locais de criação, pensamento e encontro entre arte e comunidade.
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