Exposições
Quinta do Pisão em Cascais recebe a 12ª edição de LandArt
Pedro Cabrita Reis e Suzanne Themlitz são os artistas convidados desta edição, apresentando obras site specific inéditas, com curadoria de Luísa Soares de Oliveira.
30 Mai a 1 Nov 2026
Pedro Cabrita Reis
Na paisagem, uma escultura branca materializa-se como lugar do horizonte e resposta ao contorno suave das colinas. Escultura, mas também desenho e atualização do trabalho sobre o género da paisagem que este artista retoma pontual e obsessivamente no seio de um corpo de trabalho que dialoga em permanência com a História da Arte.
A PROBABLE HORIZON #8
ANO: 2026 | LOCAL: Refilão, Quinta do Pisão | OCUPAÇÃO: Instalação “Site Specific”
MATERIAIS: Metal pintado, dimensões variáveis
Susanne S. D. Themlitz
Num tanque da quinta, um ser híbrido segura uma cana de pesca cuja linha mergulha na água. A escultura reflete-se na superfície calma da água, e a linha estabelece a ligação com o desenho – e com o horizonte, em segundo plano, cuja imagem a água também nos devolve – que é basilar na obra desta escultora. As fronteiras esbatem-se, e mesmo o peculiar habitante desta paisagem transgride as fronteiras tradicionalmente atribuídas aos diversos reinos da Natureza.
THE LISTENER
(passava a noite pescando ao luar, ao som da serenata de corujas e raposas, e de tempos em tempos ouvindo ali perto o canto chiado de algum pássaro desconhecido)
ANO 2026 | LOCAL Junto da Casa da Cal, Quinta do Pisão | OCUPAÇÃO Instalação “Site Specific”
MATERIAIS Tinta sobre fibra de vidro e poliéster, cana, fio de pesca, chumbo, galochas e roupa, dimensões variáveis
Nota: “The Listener” a partir de „O Pescador“ de Goethe, em inglês para ser qualquer género - e o resto a partir do capítulo “Os lagos“ de Henry David Thoreau.
Pedro Cabrita Reis nasceu em 1956 em Lisboa, cidade onde vive e trabalha. O seu trabalho tem vindo a ser reconhecido internacionalmente, tornando-se crucial e decisivo para o entendimento da escultura a partir de meados da década de 1980. A sua complexa obra caracteriza-se por um discurso filosófico e poético idiossincrático, abrangendo uma grande variedade de meios: pintura, escultura, fotografia, desenho e instalações compostas por materiais industriais, achados e objetos manufaturados. Ao utilizar materiais simples submetidos a processos construtivos, Cabrita recicla reminiscências quase anónimas de gestos e ações primordiais repetidos no quotidiano.
O artista participou em exposições internacionais, como a Documenta IX e XIV em Kassel em 1992 e 2017, a 21.ª e 24.ª Bienais de São Paulo, respetivamente em 1994 e 1998, no Aperto da Bienal de Veneza em 1997. Em 2003, representou Portugal na Bienal de Veneza; em 2013 apresentou A Remote Whisper na 55.ª Bienal de Veneza e participou na exposição The Spectacle of the Everyday", Bienal de Lyon, 2009. Em 2022, Cabrita apresentou em Paris, no Jardin des Tuileries, Les Trois Grâces", encomendado pelo Musée du Louvre, e, por ocasião da 59.ª Bienal de Veneza, apresentou Campo na Chiesa di San Fantin.
Susanne S. D. Themlitz (Lisboa, Portugal, 1968) é uma das mais consagradas artistas portuguesas. Na sua prática, a artista desenvolve uma relação imbricada entre o real, o imaginário e o oculto, bem como recria um vocabulário imagético próprio sobre o humano e o universal.
Em permanente estado de metamorfose, as suas obras revelam um poder entrópico característico, e habitam questões acerca do natural, do onírico, do acaso e do oculto, da variabilidade dos materiais e dos meios, dos sonhos, de entre outras categorias. Se a construção de universos — tão imaginários quanto tangíveis — permaneceu, ao longo do tempo, uma constante no seu trabalho, uma certa economia de gestos também se fez cada dia mais presente. Por um lado, as suas esculturas e instalações começaram a trazer uma menor reminiscência antropomórfica, e, em seu lugar, surgiram objetos, artefactos e pequenas memórias imaginárias desse passado-presente humano.

