Exposições
IDENTIDADE | Retrato Social 2016-2026
Exposição onde o fotógrafo Nuno Marcelino, propõe uma reflexão sobre o retrato enquanto espaço de inscrição da presença humana, onde o tempo se fixa, se acumula e se transforma em memória.
20 Jun a 12 Set 2026
FICHA TÉCNICA
MUSEU NACIONAL SOARES DOS REIS
Diretor
António Ponte
Autoria
Nuno Marcelino
Curadoria
Rui Pinheiro
Textos
Marcos Cruz
Quando se isola a figura humana ou se destaca o seu valor dentro de uma composição, constroi-se um retrato.
A invenção da fotografia podia ter sido adiada por muito mais tempo, não fosse a necessidade premente da nova sociedade burguesa em dar visibilidade à sua ascenção económica e social. Este desejo será o que melhor justifica a oportunidade histórica da fotografia e explica o sucesso desta criação.
O gosto da aristocracia determina o aparecimento do retrato em miniatura, pintado nos mais diversos suportes. A redução das dimensões teve como consequência a diminuição dos custos de produção. Em breve, possuir um retrato deixaria de ser um privilégio exclusivo das classes mais altas e abastadas. Esta prática contribuiu para equilibrar a sociedade, diluindo distinções entre classes e democratizando a imagem como símbolo de representação.
Os artistas passaram então a trabalhar para um mercado mais amplo, onde uma maior acessibilidade económica permitia também uma circulação mais alargada dos bens culturais.
Só com o aparecimento da fotografia se veio a dar resposta à crescente procura do público. Surgiram, então, nos centros urbanos, os primeiros estúdios fotográficos, alcançando rapidamente um enorme sucesso comercial.
É o século XIX, com a sua característica industrialização, que oferece uma resposta satisfatória à crescente procura do retrato.
A fotografia surge como uma verdadeira revolução tecnológica onde o retrato acompanha a ascensão de novas camadas sociais que adquirem maior significado político e social.
Com o abandono progressivo dos processos pioneiros, como o daguerriotipo, e o aparecimento do colódio húmido, de custo muito inferior, abriu-se a possibilidade da imagem multiplicável e consolidou-se o caminho definitivo para o retrato fotográfico.
É nesse território que nasce IDENTIDADE, Retrato Social. Desenvolvido ao longo de mais de uma década, este projeto reúne um vasto arquivo de retratos realizados através do processo de colódio húmido. Pessoas de diferentes origens e contextos sociais surgem aqui lado a lado, formando uma espécie de cartografia humana.
Existe nestas imagens uma rara suspensão do tempo. O silêncio necessário, a imobilidade e a consciência de estar diante da câmara tornam-se visíveis em cada presença.
Em diálogo com a coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, esta exposição aproxima imagens contemporâneas, aos retratos históricos de artistas aqui representados.
Estabelece-se, assim, uma continuidade silenciosa entre memória, representação e permanência.

