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Exposições

IDENTIDADE | Retrato Social 2016-2026 

Exposição onde o fotógrafo Nuno Marcelino, propõe uma reflexão sobre o retrato enquanto espaço de inscrição da presença humana, onde o tempo se fixa, se acumula e se transforma em memória.

20 Jun a 12 Set 2026

Museu Nacional Soares dos Reis
R. de Dom Manuel II 44, 4050-522 Porto
Desenvolvido pelo fotógrafo Nuno Marcelino ao longo de uma década, o projeto assenta na construção de um arquivo composto por retratos realizados através do processo de colódio húmido sobre chapas metálicas. Este corpo de trabalho reúne pessoas de diferentes nacionalidades, origens e contextos sociais, constituindo um território humano amplo e heterogéneo. Recorrendo a uma técnica fotográfica do século XIX, o artista reativa um processo historicamente associado à origem da fotografia para o deslocar para o presente. Esta escolha introduz uma tensão produtiva entre temporalidades: por um lado, a materialidade, a lentidão e a exigência técnica do colódio húmido; por outro, a diversidade contemporânea dos sujeitos retratados. Cada imagem resulta de um encontro singular, onde o tempo de exposição, a imobilidade e a consciência do ato de ser fotografado se tornam elementos constitutivos do retrato. A exposição apresenta-se como um campo expandido de imagens, onde os retratos são dispostos sem hierarquia, formando um corpo coletivo em permanente construção. Esta acumulação transforma o arquivo num espaço vivo, onde o individual se dilui no conjunto e onde cada rosto participa numa narrativa mais ampla sobre identidade, diferença e pertença. Em diálogo com a coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, o projeto estabelece uma relação direta com a tradição do retrato enquanto dispositivo de memória e representação. A integração de imagens produzidas a partir de retratos de autores representados no museu introduz uma camada adicional de leitura, aproximando práticas históricas e contemporâneas e criando uma continuidade entre os modos de representação do passado e do presente.  Identidade afirma-se, assim, como um arquivo, não como um repositório fixo, mas como um sistema em constante expansão. O retrato surge como lugar onde o tempo se inscreve e onde a presença humana se torna visível. Entre o passado e o presente, entre o individual e o coletivo, a exposição constrói um espaço onde olhar e ser olhado se tornam parte de um mesmo gesto, convocando o visitante a integrar-se nesse fluxo contínuo de imagens, corpos e tempo.
 
FICHA TÉCNICA  
MUSEU NACIONAL SOARES DOS REIS
Diretor
António Ponte     
 
Autoria 
Nuno Marcelino
 
Curadoria
Rui Pinheiro
 
Textos
Marcos Cruz

Quando se isola a figura humana ou se destaca o seu valor dentro de uma composição, constroi-se um retrato.

A invenção da fotografia podia ter sido adiada por muito mais tempo, não fosse a necessidade premente da nova sociedade burguesa em dar visibilidade à sua ascenção económica e social. Este desejo será o que melhor justifica a oportunidade histórica da fotografia e explica o sucesso desta criação.

O gosto da aristocracia determina o aparecimento do retrato em miniatura, pintado nos mais diversos suportes. A redução das dimensões teve como consequência a diminuição dos custos de produção. Em breve, possuir um retrato deixaria de ser um privilégio exclusivo das classes mais altas e abastadas. Esta prática contribuiu para equilibrar a sociedade, diluindo distinções entre classes e democratizando a imagem como símbolo de representação.

Os artistas passaram então a trabalhar para um mercado mais amplo, onde uma maior acessibilidade económica permitia também uma circulação mais alargada dos bens culturais.

Só com o aparecimento da fotografia se veio a dar resposta à crescente procura do público. Surgiram, então, nos centros urbanos, os primeiros estúdios fotográficos, alcançando rapidamente um enorme sucesso comercial.

É o século XIX, com a sua característica industrialização, que oferece uma resposta satisfatória à crescente procura do retrato.

A fotografia surge como uma verdadeira revolução tecnológica onde o retrato acompanha a ascensão de novas camadas sociais que adquirem maior significado político e social.

Com o abandono progressivo dos processos pioneiros, como o daguerriotipo, e o aparecimento do colódio húmido, de custo muito inferior, abriu-se a possibilidade da imagem multiplicável e consolidou-se o caminho definitivo para o retrato fotográfico.

É nesse território que nasce IDENTIDADE, Retrato Social. Desenvolvido ao longo de mais de uma década, este projeto reúne um vasto arquivo de retratos realizados através do processo de colódio húmido. Pessoas de diferentes origens e contextos sociais surgem aqui lado a lado, formando uma espécie de cartografia humana.

Existe nestas imagens uma rara suspensão do tempo. O silêncio necessário, a imobilidade e a consciência de estar diante da câmara tornam-se visíveis em cada presença.

Em diálogo com a coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, esta exposição aproxima imagens contemporâneas, aos retratos históricos de artistas aqui representados.

Estabelece-se, assim, uma continuidade silenciosa entre memória, representação e permanência.
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