O projeto expositivo com curadoria de Susana Rodrigues, promovido pela Associação Alfaia em colaboração com outros espaços culturais do concelho de Loulé, propõe uma leitura contemporânea do misticismo mediterrânico através da trajetória de um símbolo-talismã que atravessa milénios, geografias e sistemas de crença.
19 Jun a 22 Ago 2026
Galeria Alfaia
R. Brites D'Almeida 18, 8100-720 Loulé
Preço
Entrada livre
No território de Loulé — sucessivamente fenício, romano, islâmico e cristão — a espiritualidade não se organiza por rupturas absolutas, mas por camadas de permanência e transformação simbólica. A presença da Hamsá nos Banhos Islâmicos de Loulé, espaço de purificação corporal e espiritual, reforça a sua dimensão ritual. Este símbolo possui, contudo, raízes mais antigas, remontando ao Mediterrâneo oriental e ao Próximo Oriente, onde a mão aberta funcionava já como amuleto protetor. Ao longo de diferentes contextos culturais, a Hamsá assume múltiplas designações e significados: no contexto islâmico, surge como Mão de Fátima; no judaísmo, como Mão de Miriam; noutras tradições, incluindo o hinduísmo e o budismo, relaciona-se com os cinco sentidos, os fluxos de energia do corpo e os princípios da vida. É igualmente herdeira de uma longa linhagem simbólica que inclui figuras como Tanit, divindade fenício-púnica associada à fertilidade, proteção e regeneração. Esta persistência manifesta-se na noção de baraka, entendida como uma energia espiritual que atravessa objetos, corpos e territórios. A mão aberta torna-se, assim, um gesto de proteção, bênção e intercessão — não como objeto isolado, mas como expressão de uma ligação profunda entre corpo, comunidade e espaço. A exposição reúne dez artistas: Ana André, Ana Rita de Arruda, Boris Eldagsen, Daniel Costa, Gustavo Jesus, João Motta Guedes, John Whitney Sr., Mumtazz, Teresa Ramos, Tom Haviv - de geografias, gerações e práticas distintas que, de diferentes formas, exploram relações entre símbolo, memória e espiritualidade. O projeto inclui ainda uma excursão a Salir, no dia 21 de junho, orientada por Filipa Araújo, que parte do vestígio megalítico do menir do Polo Museológico de Salir, atravessando a memória andalusina e o imaginário popular da Moura Encantada. Nos Banhos Islâmicos realizar-se-á, a 24 de julho, uma conversa sensorial idealizada pela mesma investigadora em torno dos aromas e essências do período andalusino, convocando o olfato como via de evocação da memória.
Artistas: Ana André, Ana Rita de Arruda, Boris Eldagsen, Daniel Costa, Gustavo Jesus, João Motta Guedes, John Whitney Sr., Mumtazz, Teresa Ramos e Tom Haviv Curadoria: Susana Rodrigues
De 5ª a sábado Quinta e sexta-feira: 14h30-18h Sábado: 10h-13h30/14h30-18h
Programa paralelo: 21 de junho às 17h30 - excursão a Salir, Constelações de Memória, por Filipa Araújo* 24 de julho às 18h - conversa nos Banhos Islâmicos de Loulé com Filipa Araújo
Investigadora: Filipa Araújo
* inscrição através dos endereços producao.alfaia@gmail.com / alfaia.org@gmail.com
Em parceria com o CENDREV - Centro Dramático de Évora, oferecemos convites duplos para assistir ao filme "Sirât", de Oliver Laxe, integrada no ciclo Take 1, com curadoria da Nitrato Filmes, no próximo dia 19 de junho, às 19h00, no Teatro Garcia de Resende, em Évora.
Em parceria com a PRIS Audiovisuais, oferecemos convites duplos para o filme "Perfeitos à Francesa", uma comédia francesa onde o caos familiar, os golpes improváveis e as gargalhadas fazem parte do plano.