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Exposições

Visita Guiada com artistas Ana Velez e Pedro Leitão e curadoras Alda Galsterer e Alexia Alexandropoulou

A Galeria Belo-Galsterer tem muito gosto de convidar para a Visita Guiada com os artistas Ana Velez, Pedro Leitão e as curadoras Alda Galsterer e Alexia Alexandropoulou, no espaço da galeria às novas exposição "Escape from Freedom" de Velez e do projeto "O Belo é a Fera" de Leitão, presente até 03.10.2026, fechando a 18 de julho para o verão.

24 Jun 2026  |  18h00

Galeria Belo-Galsterer
Rua Castilho 71, RC, Esq. 1250-068 Lisboa
Preço
Entrada livre
Datas de abertura ao público:
18.06.-18.07.2026
09.09.-03.10.2026
Exposição de Ana Velez: "Escape from Freedom"
Projeto de Pedro Leitão: "O Belo é a Fera"

Escape from Freedom
«Por que razão, então, é que a liberdade é, para muitos, um objetivo tão valorizado e, para outros, uma ameaça?»
(Erich Fromm, 1941)

O título da exposição de Ana Velez, é emprestado a uma das obras mais conhecidas do psicanalista Erich Fromm - Escape from Freedom -, traduzido para várias línguas no mundo inteiro.
A exposição da artista inicia-se com a imagem da capa da primeira versão deste livro, publicado nos EUA em 1941, a preto e branco. No original o fundo da capa é cinzento e o texto preto. Depois da entrada, objetos móveis pendurados do teto movimentam-se no espaço e convidam-nos a entrar; funcionam como janelas pelas quais se nos oferecem novos pontos de vista para o espaço. Entramos e temos uma vista surpreendente para um painel de vários desenhos, em tons de preto, antracite e branco... e amarelo. O movimento que o escorrer da tinta cria no espaço do desenho multiplicado pelo todo dos 20 desenhos cria um lugar quase alucinante que nos prende o olhar. Quando nos viramos para o outro lado encontramos a contraparte desta instalação nas 20 polaroids reveladas em Polaroid Reclaimed Green Film. É o segundo momento em que Erich Fromm se torna relevante: versões traduzidas da sua peça mestre 'Escape from Freedom' em 20 línguas, formas diferentes de ver o mundo, o design, a arte, a literatura, a liberdade.

Tendo essas informações, a exposição de Velez começa a fazer sentido olhando para as declinações dos tons de cinza, preto e agora, cada vez mais presente, a cor na sua obra. Quando se trabalha sobre um tema como este: porquê a liberdade é assustadora? muitas perguntas começam a surgir, e o trabalho da artista desdobra-se em vários núcleos, desenho sobre desenho, mobiles, fotografias polaroids – que também já são um clássico no seu trabalho...
Com a grande constatação de Fromm (em 1941), de que o ser humano prefere ser obediente em vez de independente, como reflexão de fundo, nesta exposição, Velez mostra-nos o que significa liberdade pessoal a todos os níveis, usando a cor como forma de libertação de um cânon cromático autoimposto. Assim, chegamos à conclusão que a arte tem mais para dar, pois é um instrumento de perceção que evolui constantemente, permitindo novas formas de expressão e compreensão do mundo.
(texto de Alda Galsterer, junho de 2026)

O Belo é a Fera
O Belo é a Fera toma o seu título do estudo da antropóloga Lúcia van Velthem sobre o povo Wayana da Amazónia. No centro do livro encontra-se o mito de Tuluperê, a serpente primordial cuja pele ornamentada se torna a origem das formas e das maneiras de compreender o mundo. Para os Wayana, os objetos não são coisas inertes, mas presenças vivas, inseparáveis das forças e dos seres que os rodeiam. Estas ideias acompanham o trabalho recente de Pedro Leitão após uma viagem pela Amazónia. Em vez de documentar essa experiência, a exposição reflete sobre aquilo que permanece depois dela: sons, memórias e formas que continuam a circular entre lugares, corpos e materiais. À entrada, o caderno de artista introduz a exposição. Sons gravados na floresta amazónica envolvem a galeria. Mais do que um elemento de fundo, a obra sonora atua como uma presença contínua, transportando fragmentos de outro lugar e estabelecendo um fio sensorial entre as diferentes obras. No centro encontra-se a Cosmic Snake, uma grande obra têxtil que reúne diferentes tradições visuais. Os padrões geométricos das mantas pastorais do sul de Portugal entram em diálogo com formas encontradas na Amazónia. Estas mantas, historicamente utilizadas pelos pastores como vestuário e cama, transportam consigo histórias de movimento e sobrevivência. Tal como a pele da serpente, tornam-se superfícies onde a memória e a experiência ficam inscritas. As pinturas e os desenhos são povoados por rostos, corpos, plantas e animais que parecem emergir uns dos outros e voltar a dissolver-se. As figuras surgem apenas parcialmente, como se estivessem suspensas entre a revelação e o desaparecimento. Em vez de ilustrar narrativas específicas, as obras sugerem estados de transformação contínua, onde as identidades permanecem fluidas e onde as fronteiras entre a vida humana, animal e vegetal não são totalmente fixas. Ao longo do espaço, as formas migram de uma obra para outra, reaparecendo como padrões, sons ou memórias. O Belo é a Fera reúne estes fragmentos sem procurar resolvê-los, permitindo que diferentes geografias emocionais e físicas coexistam no mesmo espaço. Não contam uma única história. Através de diferentes meios, as obras traçam o percurso de formas, memórias e gestos à medida que circulam entre paisagens, corpos e materiais.
(texto de Alexia Alexandropoulou, junho de 2026)
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