Teatro
Luz nas Trevas, de Bertolt Brecht
Em 2026, o Teatro da Rainha volta à ruína da antiga Casa da Cultura, entre 14 e 21 de julho, com uma peça a prometer acalorar e iluminar as húmidas noites caldenses: “Luz nas Trevas”, de Bertolt Brecht.
14 Jul a 21 Jul 2026
Escrita em 1919, “Luz nas Trevas” destaca-se entre as peças em um acto de Brecht por aí se expor, pela primeira vez, o modo como os negócios se processam numa sociedade capitalista. Luís Varela encenou-a em 1975, com um elenco que então integrava Fernando Mora Ramos. A actual produção contará com a participação de todo o elenco do Teatro da Rainha, vários amadores na figuração e composições musicais de Alexandre Branco Weffort interpretadas em tempo real por uma banda em cena.
“Lux in Tenebris”, no original, tem como ponto de partida um divertido conflito de interesses entre dois negócios aparentemente inconciliáveis. Paduk, determinado a subir na vida, instala na rua dos bordéis uma exposição para promover a educação sexual da população, transaccionando palestras sobre os malefícios da prostituição e as doenças venéreas associadas à corrupção do corpo e da alma. «Isto aqui é filantropia, no sentido mais vasto», declara a um repórter que o entrevista. Madame Hogge, proprietária de um prostíbulo, sente o seu negócio ameaçado, pelo que terá de tomar medidas radicais. «Você é mesmo um homem sem consciência!», atira na direcção de um Paduk que logo lhe responde: «É muito lisonjeiro da sua parte.» Comédia didáctica com contornos chaplinescos, este é um espectáculo que aponta a mira ao falso moralismo de uma burguesia interessada apenas no lucro material.
Na encenação de Luís Varela, à peça juntaram-se vários intermezzos a oferecerem uma forte componente musical e a imprimem ritmo a uma história simples, mas rica em subtilezas. Pela barraca de Paduk desfilam o povo, a igreja, o município e quem mais tenha dinheiro para pagar bilhete: «Blenorragia, 1 marco!» Pelo bordel de Madame Hogge não diremos quem passa, seria demasiada indiscrição. O problema é se a prostituição acaba. Como manterá Paduk o seu negócio? «Você quer destruir a raiz da infecção, a própria prostituição. Assim, você quer destruir a sua própria raiz, a base do seu negócio, a rocha sobre a qual se ergue a sua casa», adverte Madame Hogge. Portanto, há que encontrar consensos. Os consensos são deveras lucrativos onde a hipocrisia impera.
Com tradução e encenação de Luís Varela, “Luz nas Trevas” contará com a interpretação de Fábio Costa, Hâmbar de Sousa, Inês Barros, Isabel Lopes, José Carlos Faria, Mafalda Taveira, Nuno Machado, Tiago Moreira, Alexandra Sofia Rosário, Célia Franca, Fernando Rodrigues, Filipe Ferreira, Maria Isabel Oliveira, Vítor Duarte, Carlota Rodrigues, Mariana Santos, Mariana Silvério, Nando Tomás e Kamilly Luz Rocha. A cenografia é de José Carlos Faria, os figurinos de Manuela Bronze, música original de Alexandre Branco Weffort, desenho de luz de Hâmbar de Sousa e desenho de som de Francisco Leal. O telão de fundo e as pinturas são executados por Fernando Travassos e Bartolomeu Gusmão, construção cenográfica por Joel Pereira, Manuela Ferreira assiste na execução dos figurinos. Formação musical constituída por Rúben Leiria (clarinete), João Heliodoro (saxofone tenor), Alberto Valongo (guitarra eléctrica), Francelino Silva (bateria) e pelo actor Tiago Moreira (guitarra elétrica).
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