Teatro
Teatro da Garagem escolhe quatro projectos para a 19.ª edição do Try Better, Fail Better
O Teatro da Garagem já revelou os projectos seleccionados para a 19.ª edição do Try Better, Fail Better, o programa de apoio à criação emergente que, desde 2008, tem afirmado o risco, a experimentação e o erro como motores da criação artística.
26 Set a 27 Set 2026
As quatro propostas escolhidas evidenciam a diversidade de linguagens, formatos e preocupações artísticas que caracteriza esta edição do Try Better, Fail Better. Entre teatro, performance e criação multidisciplinar, as propostas abordam temas como a construção da identidade, a vulnerabilidade, o luto, a memória, a imaginação e os mecanismos de normalização social. Em conjunto, desenham um retrato plural das inquietações e formas de criação de uma nova geração de artistas.
"O ciclo TRY BETTER, FAIL BETTER regressa em 2026 com quatro propostas que atravessam territórios distintos da criação contemporânea — da palhaçaria ao teatro físico, da autoficção ao imaginário onírico — unidas por uma mesma convicção: o erro, a dúvida e a fragilidade são matéria de afirmação humana e de reforço comunitário."
Carlos J. Pessoa, direcção artística do Teatro da Garagem
Num contexto cultural frequentemente marcado pela lógica da avaliação e da competição, o Try Better, Fail Better continua a afirmar um modelo singular: sem júri, sem prémios e sem vencedores. Cada projecto recebe um apoio financeiro de 1750 euros, acompanhamento técnico e de produção e um período de residência artística distribuído entre o Teatro Taborda e espaços parceiros, criando condições para que a experimentação aconteça sem a pressão do resultado final.
Os bilhetes já podem ser adquiridos.
Toda a informação em teatrodagaragem.com
Os projectos selecionados:
"dis-far-ce", Mariana Magalhães (multidisciplinar)
Partindo da investigação sobre o acto de disfarçar e a construção de identidade, dis-far-ce inspira-se no trabalho da fotógrafa Cindy Sherman para explorar a tensão entre reconhecimento e desconstrução de narrativas culturais. A peça recorre a maquilhagem, próteses, figurinos e dispositivos digitais, incluindo uma instalação tipo fotomaton que convida o público a um jogo interactivo entre vídeo e cena.
"Desafinada no Coração", de Miriam Freitas (performance)
Inspirada no conceito de sincronização espontânea do físico Steven Strogatz e na obra de György Ligeti para cem metrónomos, Desafinada no Coração desloca a ideia de afinação para o universo afectivo e social. Cruzando palhaçaria contemporânea, teatro físico e experimentação vocal, o projecto explora o desvio, a falha e a vulnerabilidade como matéria poética, questionando os mecanismos de normalização que atravessam os corpos contemporâneos.
"Maria D. não sobe montanhas", Gustavo Antunes (teatro)
Construída como peça-poema em quadros, esta criação parte de um exercício de autoficção para abordar o luto, a perda e a capacidade de reinvenção, inspirada na figura da mãe do criador. Cruzando teatro, dança e canto, e dialogando com referências como Laurie Anderson e Paula Rego, a peça aborda também temas como masculinidade, violência psicológica e memória familiar, propondo o palco como espaço coletcivo de partilha em torno da finitude.
"Paradoxo Molotof", de Bárbara Gomes, Joana Resende, Mariana Sardinha e Zé Alves (teatro)
A partir de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, esta proposta colectiva constrói uma reflexão sobre a crise da imaginação e da narração no mundo contemporâneo, dialogando com o pensamento de Byung-Chul Han. Quatro intérpretes-criadores encarnam a mesma personagem para investigar as suas urgências individuais, num exercício de meta-teatralidade que combina improvisação, linguagem física e estética onírica.

