Exposições
Fariba Hajamadi, Conversa de Corvos
A exposição Conversa de Corvos apresenta pela primeira vez em Portugal o trabalho de Fariba Hajamadi (n. 1957, Isfahan, Irão), artista que reside e trabalha nos Estados Unidos da América desde a década de 1980.
4 Jul a 18 Out 2026
O projeto expositivo parte da obra Inverted Order: one of three sets of 5 elements (1989 – 1994), pertencente à Coleção Julião Sarmento e adquirida pelo artista em 1995.
A prática artística de Fariba Hajamadi desenvolve-se na interseção entre a fotografia e a instalação, questionando as narrativas históricas dominantes. A partir, por exemplo, do registo fotográfico de monumentos e artefactos em contextos institucionais, a artista opera processos de desconstrução e manipulação digital revelando dinâmicas de violência, apropriação e alienação de identidades. Reformulam-se assim espaços interiores cénicos, teatrais e irreais que, através da simetria e da repetição padronizada, evocam referências culturais íntimas em que a memória, a história e ficção se estranham e entrelaçam.
Numa curiosa ligação a Portugal, e produzidas entre nós, das obras apresentadas destaca-se o tríptico Until the End of the World (1991-2026) que parte de uma fotografia do Convento de Cristo em Tomar, mais precisamente do Claustro do Cemitério, forrado a azulejos, justapondo-se a estátua de Afrodite, símbolo de Amor, beleza e sexualidade. Cranes, Crows, and the Sleeping, uma obra de 2025-2026, configura-se como um grande mural em que a artista subverte o clássico padrão decorativo françês Toile de Jouy, substituindo as cenas bucólicas por imagens da história e do imaginário iraniano, numa fusão de referências culturais, memórias pessoais e narrativas coletivas atravessadas pelo real.
Por fim, os corvos, presença recorrente na exposição, assumem um papel simbólico central: na cultura persa, são testemunhas e mensageiros; em Lisboa, são também figura identitária da cidade e a sua presença reforça a ideia de cruzamento de culturas e do questionamento sobre a continuidade histórico-cultural que atravessa toda a obra de Hajamadi.
Fariba Hajamadi (n. Isfahan, Irão) vive e trabalha nos Estados Unidos da América. É licenciada em Pintura pela Western Michigan University (1980) e obteve mestrado em Belas-Artes no California Institute of the Arts (CalArts) em 1982. A sua prática artística foca-se na criação de obras e instalações de grande escala que cruzam a fotografia, a impressão e a pintura sobre suportes como tecido, tela e madeira. Pioneira na exploração da representação da alteridade, Hajamadi analisa as instituições culturais a partir da perspetiva de uma observadora externa, tanto pela sua condição de mulher como pela sua origem não-ocidental, investigando temas como a identidade de género, a memória cultural e o deslocamento.
O seu processo criativo parte de fotografias de interiores de instituições culturais, que servem de base para a construção de telas texturizadas e sobrepostas. Estas composições arquitetónicas são ficcionais, resultando de colagens digitais que combinam múltiplas perspetivas de um mesmo local ou fundem diferentes espaços. Através de uma perspetiva e simetria forçadas, que por vezes se aproximam do surreal, a artista dilui as fronteiras entre a fotografia e a pintura, propondo uma reflexão sobre a verdade histórica, a representação e as identidades de género e cultural.
Com um percurso internacional consolidado, o trabalho de Hajamadi tem sido amplamente exibido nos Estados Unidos da América e na Europa. Entre as suas exposições individuais mais marcantes destacam-se a recente Fariba Hajamadi: History is in the Caption no California Museum of Photography (2025), além de apresentações em espaços de relevo como a galeria Christine Burgin e a Max Protetch Gallery em Nova Iorque, a Galerie Laage-Salomon em Paris, o ICA na Pensilvânia e o Queens Museum em Nova Iorque.

