Tradição
Cortejo dos Trajes de Papel de São Bartolomeu volta a colorir a Foz com cerca de 700 figurantes
Tradição centenária percorre as ruas da Foz do Douro antes de terminar com o emblemático banho na Praia do Ourigo.
30 Ago 2026 | 10h30
Organizado pela União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde (UFAFDN), o cortejo vai ter início na Rua das Sobreiras, seguindo pelo Passeio Alegre e pela Rua Senhora da Luz, terminando na Praia do Ourigo, onde vai ter lugar o tradicional banho de São Bartolomeu, um dos momentos mais simbólicos desta celebração.
Este ano inspirado no tema “Fábulas e Lendas”, o desfile reúne centenas de participantes de diferentes gerações, que ao longo de vários meses transformam papel crepe em verdadeiras obras de arte. O resultado é um espetáculo de criatividade, cor e tradição que continua a afirmar-se como uma das manifestações culturais mais emblemáticas da cidade do Porto.
O reconhecimento no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial representa um marco na história do Cortejo e constitui um importante incentivo à preservação desta tradição, valorizando o trabalho de todos aqueles que, geração após geração, têm mantido vivo este património cultural.
"Este reconhecimento é, acima de tudo, uma homenagem à comunidade. Das pessoas que, há décadas, dedicam tempo, criatividade e talento para que esta tradição continue a emocionar quem a vive e quem a visita", afirma Cláudia Bravo, presidente da União das Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde.
Mais do que um desfile, este evento conta com muita música e animação durante toda a manhã. O Cortejo dos Trajes de Papel de São Bartolomeu continua a afirmar-se como um momento de encontro entre gerações, envolvendo associações locais, escolas, artesãos, costureiras, voluntários e centenas de figurantes que mantêm viva uma tradição com profundas raízes na identidade da Foz.
SOBRE O CORTEJO DE SÃO BARTOLOMEU:
A Romaria de São Bartolomeu remota à tradição do século XIX, quando fiéis acreditavam que, a 24 de Agosto, São Bartolomeu encarnava nas águas e o Diabo andava à solta e procuravam proteção conta males de pele, gaguez ou efeitos demoníacos, mergulhando no mar em busca da sua proteção. A romaria trazia até à Foz um vasto número de crentes que procuravam o banho milagroso.
Nos anos 30 do século passado surge a tradição dos trajes de papel, trazida pelo antigo embarcadiço “Costa Padeiro” e associada à “Festa do Banheiro”. Já o primeiro Cortejo de Trajes de Papel em dia de São Bartolomeu realizou-se em 1952. A partir de 1963 é dado novo fôlego ao Cortejo por Joaquim Picarote, um “bairrista da Foz”. Desde 1979/1980 a organização do Cortejo ficou a cargo da Junta de Freguesia e, após a união das freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde em 2013, estabeleceu a Junta o seu Atelier de São Bartolomeu.
O Cortejo dos Trajes de Papel, ao longo da sua diacronia, adquiriu um carácter identitário para a comunidade local, onde há uma clara valorização do trabalho manual e conteúdo material desta tradição. A criação dos trajes implica uma logística prolongada no tempo e a transformação minuciosa de papel crepe em trajes coloridos.

