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Música

Jessica Moss abre temporada do Teatro da Cerca de São Bernardo

A violinista e compositora canadiana Jessica Moss abre a temporada 2026/2027 do Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, com um concerto único em Portugal. A artista apresenta nesta cidade o seu álbum mais recente – Unfolding – e dirige uma residência artística para jovens músicos, ao longo de uma semana.

3 Set a 10 Set 2026

Teatro da Cerca de São Bernardo
Cerca de São Bernardo, 3000-097 Coimbra

Sob a designação desCONCERTO, as duas actividades marcam o regresso de Jessica Moss ao nosso país e a sua estreia absoluta na cidade de Coimbra. É também a primeira vez que “Unfolding”, o seu mais recente trabalho discográfico, editado em 2025 pela Constellation Records, é apresentado em Portugal.

Neste disco, a artista aprofunda a sua música imersiva baseada em loops, fundindo violino, voz e electrónica ao vivo num universo sonoro cerimonial.

Composto num contexto de urgentes confrontos políticos, o álbum reflecte sobre lutas pela libertação, luto e resiliência, com uma atenção especial à causa e à liberdade palestiniana. A obra é aliás dedicada pela própria “a uma Palestina livre no nosso tempo de vida”. O espectáculo acontece a 5 de Setembro, sábado, pelas 21h30. Os bilhetes custam 10 euros e podem ser comprados na ticketline ou reservados antecipadamente pelos contactos habituais do TCSB: 239 718 238 / 966 302 488 / bilheteira@aescoladanoite.pt.

Residência artística para jovens músicos/as
Ao longo da semana em que permanecerá em Coimbra, Jessica Moss dirigirá uma oficina para jovens músicos da cidade (12 aos 18 anos), limitada a 12 participantes. Ao longo dos trabalhos, que decorrerão entre 3 e 10 de Setembro, ainda em período de férias lectivas, a artista partilhará a sua obra, o seu percurso, as suas metodologias de trabalho e as influências que ajudaram a trilhar o seu caminho. Procura-se desconstruir preconceitos e explorar novas possibilidades de criação: destinada a intérpretes de instrumentos da família dos violinos, a oficina desafia os/as jovens a saírem da sua zona de conforto sonoro, confrontando-os/as com diferentes abordagens ao instrumento musical com que estão familiarizados, dando a conhecer outras formas de trabalho, composição e criação, e estimulando a experimentação e a curiosidade pela descoberta. No final, a 10 de Setembro, Jessica Moss e os/as participantes apresentam ao público em geral o resultado desta residência artística, no concerto de encerramento, marcado para as 21h30. As sessões da oficina têm lugar entre as 10h30 e as 17h00 e o custo da inscrição é de 60 euros. O formulário de inscrição e as informações detalhadas estão disponíveis no blogue d'A Escola da Noite, em weblog.aescoladanoite.pt.

Jessica Moss: a música como experiência colectiva
Jessica Moss (Montreal, Canadá) é uma violinista e compositora com mais de duas décadas de actividade na música experimental contemporânea. Ganhou destaque como membro dos Thee Silver Mt. Zion e co-fundadora dos Black Ox Orkestar. Desde 2015, dedica-se principalmente à composição e performance a solo, criando música moldada pela improvisação ao vivo e pela crença no concerto como espaço de reflexão e experiência partilhada. O seu sexto, e mais recente, álbum a solo, “Unfolding”, é uma experiência musical profundamente emocional, inspirado em géneros músicais como pós-clássico, metal ambiental, folclore da Europa de Leste, drone e uma miríade de outras tradições. Jessica Moss é reconhecida pela sua abordagem única e inventiva na criação de ambientes sonoros imersivos ao vivo. As suas performances a solo são construídas a partir de violino, voz, sinos, loopers e pedais de efeitos, tudo operado ao vivo, sem sequências pré-programadas ou computadores, equilibrando-se delicadamente entre a composição e a improvisação, explorando transições dinâmicas entre quietude e intensidade, melodia e ruído, tristeza e alegria. Moss colaborou, ao vivo e em estúdio, com Vic Chesnutt, Carla Bozulich, Patti Smith, Jem Cohen, Guy Picciotto, Jim White, Matana Roberts, Big|Brave, L’Oiseaux Tempete, Feist e Mary Margaret O’Hara, entre outros, e actuou em festivais como Le Guess Who?, Big Ears, Supersonic, Donau, Basilica Hudson 24-Hour Drone and Soundscapes, Suoni Per Il Popolo, POP Montreal, Ottawa Jazz, Serralves em Festa, WSO New Music and Bang On A Can NYC, para além de ter feito digressões com Godspeed You! Black Emperor, Swans, Thurston Moore e outros.

Em 2024, lançou digitalmente o álbum For UNRWA, uma iniciativa de angariação de fundos para a ajuda aos palestinianos, posteriormente exibido no Museo Burel, em Belluno (Itália), como parte de um programa sobre arte e resistência. Desde 2024, participa num intercâmbio de investigação experimental entre três artistas de Montreal e físicos quânticos do Institut Quantique (Université de Sherbrooke), liderado por Pia Baltazar na Société des arts technologiques (SAT) e sediado no centro de investigação digital Sporobole, no Quebeque. Estreou versões orquestrais dos seus anteriores trabalhos a solo com o Novarumori Ensemble, em colaboração com o compositor Isak Goldschneider, e continua a explorar projectos site-specific como, por exemplo, “weave me too into the threads of your song”, uma colaboração com o escritor e músico Gabriel Levine e o artista visual Erik Ruin, inspirado na poesia anarquista em iídiche.

Moss acredita que a música ao vivo, na sua melhor forma, pode ser uma experiência verdadeiramente colectiva, capaz de unir as nossas almas e as nossas células de uma forma que poucas outras coisas conseguem. Enquanto o mundo se desmorona sob as manifestações cruéis do capitalismo tardio, o público é convidado a abrir espaço para o luto colectivo, acompanhado por uma oferta de esperança para o futuro.

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