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"Ritual Bodies" inaugura na Alfaia
Exposição com curadoria de David Revés e Nicolai Sarbib, diretores da Salto, em Lisboa, que reúne trabalhos de Christine Henry (Porto, 1958) e Joana Coelho (Lisboa, 1998), aproximando duas artistas de gerações e contextos distintos cujas práticas encontram ressonâncias profundas na relação entre corpo, natureza, animalidade e memória.
18 Set a 7 Nov 2026
Radicada no Algarve desde 1981, Christine Henry desenvolve uma prática multidisciplinar que atravessa a fotografia, a pintura, a escultura, a instalação e o vídeo. O seu trabalho explora tensões entre Natureza e Humano, Natureza e História, Ausência e Presença, permanência e impermanência, procurando trazer à superfície mecanismos da perceção e formas de relação com um mundo simultaneamente familiar e estranho.
Por sua vez, Joana Coelho parte sobretudo do desenho para construir paisagens interiores e figuras híbridas onde se cruzam mente, corpo e espírito. Através da reinterpretação de mitologias, narrativas e sistemas simbólicos, e em diálogo com campos como a neurologia, a psicologia, a ecologia e o pensamento feminista, a artista explora estados de metamorfose e continuidades entre o humano e outras formas de vida.
É neste território de consonâncias e continuidades que "Ritual Bodies" se desenvolve. Na exposição, o corpo surge menos como uma entidade autónoma do que como matéria permeável, atravessada por impulsos, memórias e forças que a excedem. O humano aproxima-se da sua dimensão animal e vegetal, o mundo interior confunde-se com a paisagem e a realidade presente é atravessada por vestígios de tempos anteriores e por premonições de temporalidades futuras.
A exposição propõe, assim, pensar o ritual como um movimento simultaneamente ancestral e especulativo: uma aproximação ao que permanece de incontrolável nos corpos e, ao mesmo tempo, uma abertura a outras possibilidades de relação com o mundo. Perante um presente marcado pela violência ambiental, pela destruição de ecossistemas e pela fragilidade das estruturas que organizam a vida colectiva, regressar a um pensamento e agência ritual significa, por isso, menos procurar uma origem perdida, do que experimentar outras formas de comunhão, transformação e coexistência com o mais-que-humano, imaginando o corpo não como fronteira, mas como lugar de passagem entre diferentes formas de existência.
"Ritual Bodies" estará patente na Alfaia — Arte e Comunidade até ao dia 7 de novembro. A Alfaia é uma associação cultural sem fins lucrativos, fundada em 2017 e sediada em Loulé.

