Exposições
Oitenta anos de carreira de António Victorino D’Almeida
O Acervo Santa Maria Maior inaugura a exposição de António Victorino D’Almeida.
12 Set a 10 Out 2026
Esta exposição não tenta abarcar essa vida inteira. Escuta os seus ecos. Um objeto guardado. Uma fotografia onde o rosto já não é o de agora, mas ainda é o mesmo. Um retrato pintado por outra mão, que o vê como só essa mão sabia ver. Nada disto fecha o homem numa só imagem. Multiplica-o. Como um som que se repete em salas diferentes e nunca soa exatamente igual.
Houve Viena, onde estudou composição e onde, mais tarde, representou Portugal durante sete anos. Houve Chopin, dezanove valsas gravadas com um rigor que chegou aos ouvidos de Alfred Brendel. Houve sinfonias e óperas, bandas sonoras e fado. Houve um filme, “A Culpa”, que levou o cinema português a vencer pela primeira vez lá fora. Houve “A Relíquia”, de Eça de Queiroz, transformada em teatro musicado, quase dois anos em palco. Houve romances, ensaios, uma autobiografia com um título que já é quase uma provocação, “Ao Princípio era Eu”. Houve também décadas de televisão, dezenas de programas que levaram a música clássica a quem talvez nunca a tivesse procurado sozinho. Um deles chamava se “A Música e o Silêncio”, porque o silêncio também é música: é sobre esse fundo que os sons se lançam, como se lançam cores e formas sobre uma tela vazia, e sem ele nada soaria. E houve, mais recentemente, um livro sobre outra espécie de surdez, essa que não vem do ouvido, mas do modo como o mundo foi deixando de escutar. “Ensaio sobre a Surdez” olha para uma sociedade que foi perdendo a capacidade de escutar o que a rodeia. Escrito por um homem que, garante com um sorriso, continua a ouvir muito bem.
O Acervo Santa Maria Maior recolhe estes ecos. Devolve-os à cidade que os produziu. Não como um arquivo fechado sobre si mesmo. Como uma sala onde ainda se pode ouvir. Uma homenagem a um dos nomes maiores da cultura portuguesa, na música, no cinema, na literatura. E um convite a ficar um pouco mais em silêncio, para ouvir melhor o que ele deixou soar.
Horário: Segunda-feira a sábado, 14h00-20h00

