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Exposições

"Ao Porto" de Alfredo Moreira da Silva

“AO PORTO” reúne 13 obras de grande formato, realizadas no Alentejo entre 2019 e 2026, num regresso do artista à cidade onde nasceu e se formou.

19 Set a 3 Out 2026

Porto
Rua Mestre Afonso Domingues, 47 – 4150-023 Porto
Preço
Entrada livre

Há lugares dos quais partimos sem verdadeiramente os deixar. Quarenta e quatro anos depois de ter deixado o Porto, Alfredo Moreira da Silva regressa à cidade onde nasceu e se formou para apresentar “AO PORTO”, uma exposição que reúne uma seleção de obras realizadas no Alentejo entre 2019 e 2026.

Com inauguração a 18 de setembro, entre as 18h00 e as 21h00, na Rua Mestre Afonso Domingues, 47, no Porto, e patente até 3 de outubro, a exposição estabelece um diálogo entre dois territórios fundamentais na vida e na obra do artista: o Porto onde começou e o Alentejo onde, ao longo de mais de três décadas, construiu grande parte do seu universo pessoal e artístico.

Depois de “SUL | Espectros Além do Tejo”, retrospetiva que assinalou cinco décadas de pintura, e de “INNATA”, apresentada este ano em Lisboa, “AO PORTO” introduz um novo movimento neste percurso: o regresso. Não como exercício nostálgico, mas como reencontro entre aquilo que permanece e aquilo que a distância transformou.

Nascido no Porto em 1958, Alfredo Moreira da Silva formou-se na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis e começou cedo a desenvolver uma relação com a paisagem, a cor e a matéria que viria a atravessar toda a sua obra. Em 1982 deixou a cidade e, depois de diferentes experiências, estabeleceu-se no Alentejo, onde criou na Herdade da Matinha um território em que pintura, floresta e vida quotidiana se tornaram progressivamente indissociáveis. É dessa paisagem que chegam agora ao Porto as obras desta exposição.

O ALENTEJO NO PORTO
Selecionadas entre pinturas realizadas entre 2019 e 2026, as obras de “AO PORTO” percorrem sete anos da produção de Alfredo Moreira da Silva e revelam diferentes momentos de uma linguagem construída através da cor, da sobreposição, do derrame e da experimentação continuada.

Não são representações literais da paisagem. São antes vestígios daquilo que nela foi vivido e observado: luz, água, vegetação, matéria, estações, tempo. A paisagem surge transformada pela memória e pelo gesto, numa pintura que se aproxima da abstração sem perder a relação física e emocional com o território que lhe deu origem.

Realizadas no Alentejo, dentro e em redor do atelier de Alfredo Moreira da Silva na floresta que há décadas se dedica a regenerar, as obras trazem consigo a experiência de uma paisagem vista e vivida ao longo do tempo. Em “AO PORTO”, essa paisagem encontra-se com outra: a cidade das origens do artista, agora observada à distância de uma vida construída noutro lugar.

Entre as obras apresentadas encontra-se “Living on the Edge of a Desert”, de 2019, uma pintura com 3,60 metros de largura em que uma linha de horizonte atravessa uma sucessão de laranjas, rosas, verdes e azuis. A seleção estende-se até 2026, permitindo observar a evolução de uma prática em que a tinta derramada substitui progressivamente a pincelada, as superfícies se tornam mais fluidas e o próprio acaso passa a fazer parte do processo, sempre dentro de uma disciplina de observação e experimentação construída ao longo de décadas.

TREZE OBRAS, SETE ANOS DE PINTURA
Distribuídas por quatro espaços da casa - Sala de Estar, Dormitório Primário, Dormitório I e Dormitório II -, as 13 obras assumem uma presença física determinante na exposição. São pinturas de grande formato, muitas com cerca de dois metros de altura e algumas atingindo os 3,50 e os 3,60 metros de largura.

A seleção reúne obras sobre tela e MDF, de diferentes escalas e momentos, desde “Living on the Edge of a Desert”, de 2019, até trabalhos realizados em 2026, entre os quais “Still ILWMB”, com 3,50 metros de largura, e “Still ILWMB”.

UM REGRESSO SEM NOSTALGIA
Se o Alentejo se tornou o território central da vida e da pintura de Alfredo Moreira da Silva, o Porto permanece como ponto de origem. Foi aqui que nasceu, estudou e começou a formar o olhar que, décadas mais tarde, continua a orientar o seu trabalho.

“AO PORTO” coloca esses dois lugares frente a frente: não para reconstruir o passado, mas para perceber aquilo que atravessou a distância.

Depois de cinco décadas de prática artística, regressar significa também olhar novamente para o lugar de onde se partiu.

Porque a distância altera aquilo que permanece.

SOBRE ALFREDO MOREIRA DA SILVA
Alfredo Moreira da Silva (Porto, 1958) é um pintor português cuja obra se desenvolve no campo da abstração contemporânea, com uma linguagem contemplativa e cromática profundamente ligada à paisagem. Formado na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, desenvolveu ao longo de cinco décadas uma prática pictórica marcada pela cor, pela matéria, pelo gesto, pela memória e pela observação continuada.

Desde os anos 1990, vive e trabalha no Alentejo, onde recuperou a Herdade da Matinha, no Cercal, transformando-a ao longo de décadas através de um processo continuado de regeneração da paisagem. É também aí que se encontra o seu atelier, estabelecendo uma relação direta entre o trabalho artístico e o território que o rodeia. A paisagem que ajudou a regenerar tornou-se, simultaneamente, matéria e contexto da sua pintura.

As suas pinturas são expostas desde 1995 e integram coleções privadas em vários países. Entre 2025 e 2026 apresentou “SUL | Espectros Além do Tejo”, retrospetiva dedicada a cinco décadas de pintura, seguindo-se “INNATA”, em Lisboa.

EXPOSIÇÃO “AO PORTO”
Alfredo Moreira da Silva

Seleção de pinturas: 2019–2026
Curadoria: Rebecca Degiorgio, AMS Gallery
Inauguração: 18 de setembro de 2026, 18h00–21h00

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