Exposições
Pedro Cabrita Reis – "com o coração livre de cuidados"
Primeira exposição individual de Pedro Cabrita Reis no MAAT, por ocasião do 10º aniversário do museu.
16 Set a 15 Fev 2027
O MAAT apresenta, por ocasião do seu 10º aniversário, a exposição Pedro Cabrita Reis – “com o coração livre de cuidados”. Trata-se da primeira exposição individual no museu de um dos artistas portugueses com maior projeção internacional.
“com o coração livre de cuidados” é uma exposição composta por cerca de duas centenas de obras inéditas de Pedro Cabrita Reis: pinturas, desenhos, esculturas e colagens. A maioria foi produzida entre 2025 e 2026, propositadamente para esta exposição que integra a programação do 10º aniversário do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia.
A exposição consolida as investigações do artista e aprofunda a sua ligação com os grandes temas e mestres da arte, com fortes referências à tradição da pintura ocidental (entre o Renascimento e o modernismo) e, mais genericamente, à cultura ocidental.
Com uma grande unidade temática, as séries (e algumas obras isoladas) são “pretextos para Pedro Cabrita Reis aprofundar os seus temas de sempre: o corpo e a sua erótica, a arquitetura e a sua ruína, a natureza, entendida como cenografia (paisagem), a história como fascínio e subversão”, descreve João Pinharanda, curador da exposição.
Os temas maiores centram-se em grandes e dramáticos episódios bíblicos: em Ecce Homo (2025), – apresentação e entrega de Jesus à multidão –, o artista substitui-se à personagem de Cristo; e em Adam and Eve (revised) (2026), ao evocar os pais pecadores, Cabrita Reis revisita a leitura simbólica que liga o protagonista da perdição da Humanidade ao seu Salvador.
“Cada uma destas pinturas, cada série, é usada como reconhecimento e afirmação de uma cultura e de uma história, de uma temporalidade onde o artista deseja ter pertença ativa. A obsessão com que pratica a aproximação ao cânone e o desvio do cânone, alcança-a contra a facilidade, mas realiza-a em felicidade, ‘com o coração livre de cuidados’, diz o artista – e temos assim a chave para o título de uma exposição onde peso e obsessão, aparentemente dominantes, são principalmente um consistente programa de trabalho de ambição internacional”, salienta João Pinharanda.
Nota: O título Pedro Cabrita Reis — «com o coração livre de cuidados» tem origem numa passagem de Hesíodo, em Trabalhos e Dias, dedicada à «Idade de Ouro», tempo primordial em que os homens viviam «como deuses», sem sofrimento, fadiga ou inquietação.
SOBRE O ARTISTA
Pedro Cabrita Reis nasceu em Lisboa em 1956, onde vive e trabalha. Amplamente reconhecido como uma das figuras maiores da arte contemporânea europeia, construiu, desde meados da década de 1980, uma obra decisiva para a renovação da escultura contemporânea, desenvolvendo uma prática multidisciplinar que integra pintura, escultura, desenho, fotografia e instalação. Hoje, continua a afirmar-se como uma das mais influentes e consistentes figuras da arte contemporânea das últimas décadas.
Apesar de ser internacionalmente conhecido pelas suas esculturas e instalações, a pintura permanece um território fundador e contínuo da sua prática, atravessando, de forma consistente, mais de cinco décadas de produção. A complexidade teórica e formal do seu trabalho assenta numa reflexão antropológica que privilegia a interrogação em detrimento da narrativa ou da afirmação ideológica. As suas obras constroem-se sobre silêncios, fragmentos e gestos elementares, estabelecendo um diálogo permanente entre a memória individual e a coletiva, entre a cultura e a experiência.
Ao longo da sua carreira, participou em alguns dos mais importantes certames internacionais de arte contemporânea, entre os quais a Documenta IX (1992) e a Documenta 14 (2017), em Kassel, a Bienal de São Paulo (1994 e 1998), o Aperto da Bienal de Veneza (1997) e a Bienal de Lyon (2009). Em 2003, representou Portugal na 50.ª Bienal de Veneza com Longer Journeys, regressando em 2013 com A Remote Whisper e, em 2022, com Field, apresentada na Chiesa di San Fantin. Nesse mesmo ano, inaugurou Les Trois Grâces no Jardin des Tuileries, em Paris, num projeto do Musée du Louvre.
Em 2024 apresentou Atelier, a mais abrangente retrospetiva da sua carreira, reunindo cerca de 1500 obras produzidas ao longo de 50 anos. Em 2026, regressa a Veneza com XIV Steps, um ciclo de 14 pinturas inspirado nas Estações da Via-Sacra que, assinalando um novo momento da sua investigação artística, evidencia, uma vez mais, a continuidade da pintura como dimensão essencial da sua obra.
A sua obra integra algumas das mais prestigiadas coleções públicas internacionais, entre as quais as do Centre Pompidou – Musée National d'Art Moderne (Paris), da GAM – Galleria Civica d’Arte Moderna e Contemporanea (Turim), do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madrid), do Solomon R. Guggenheim Museum (Nova Iorque), da Tate Modern (Londres), a Coleção de Arte Moderna e Contemporânea dos Museus do Vaticano – Collection of Modern and Contemporary Art (Roma) e a coleção do Hamburger Kunsthalle (Hamburgo). Em Portugal, está representado em importantes coleções públicas e privadas, entre as quais se destacam as do Centro de Arte Moderna Gulbenkian, do Museu de Serralves e da Fundação EDP.
PROGRAMA PÚBLICO:
Visitas flash à exposição (30 min.)
Todos os dias, 13.00 e 17.00 (exceto terças-feiras)
Gratuitas.
Visitas regulares (60 min.)
Sábados e domingos, 10.30
VESTI LA GIUBBA - Performance de Ópera.
Interpretação da Associação Setúbal Voz
4/10/2026, 16.00 – 16.30 e 18.00 – 18.30
Cinco minutos antes de entrar em cena, o cantor receberá uma notícia trágica. Sabemos que irá atuar, como milhares de artistas o fizeram ao longo dos séculos, representando com uma alegria que escondia tragédias interiores. The show must go on. Cada artista é um palhaço que finge — finge até a dor que deveras sente. E o público, irá ajudá-lo? Afinal, todos fingimos sorrisos para não multiplicarmos lágrimas, e porque cantar espanta o mal e liberta o coração de cuidados. Com conceção e direção artística de Jorge Salgueiro.
Gratuita, sujeita à lotação da sala.
Conversa em movimento: com o curador João Pinharanda e o maestro Jorge Salgueiro
4/10/2026, 17.00 – 18.00
João Pinharanda e Jorge Salgueiro percorrem a exposição e refletem sobre as obras de Pedro Cabrita Reis, trocando ideias sobre música, literatura e arte.
Gratuita, sujeita à lotação da sala.

