Teatro
Galo de Barcelos ganha voz crítica e contesta Salazar no Teatro Carlos Alberto
Cantar de Galo, monólogo do americano Robert Schenkkan, interpretado e encenado por Jorge Andrade, está em cena de 24 a 26 de setembro. Com um olhar estrangeiro sobre a história portuguesa, a peça transforma um ícone turístico num protagonista político.
24 Set a 26 Set 2026
Partindo de uma premissa insólita – e se o Galo de Barcelos pudesse falar? –, o monólogo dá voz a uma das figuras mais icónicas do imaginário português. Em cena, o Galo revisita a narrativa popular que o consagrou como símbolo de justiça, ao salvar da forca um homem injustamente acusado, mas expande-a para uma reflexão crítica sobre a sua instrumentalização enquanto símbolo cultural do Estado Novo.
Cantar de Galo é da autoria do dramaturgo, argumentista e ator americano Robert Schenkkan (vencedor de prémios como o Pulitzer e o Tony), que o escreveu na sequência de uma residência artística na companhia mala voadora, em 2022, e o ofereceu a Jorge Andrade, que o interpreta e encena.
Ao longo do solilóquio, a personagem confronta diretamente Salazar, questionando a construção de uma identidade nacional assente em ficções ideológicas e decorativismos. Num embate simbólico, o Galo de Barcelos desmonta o discurso do regime, recuperando a sua vocação original de defensor dos inocentes e afirmando-se como voz de resistência.
O espetáculo integra o ciclo Parla-Solos, um programa de três monólogos que celebra e presta homenagem aos intérpretes que se entregam à condição de ser outro. Depois de Maiúscula e Kung-Fu, Cantar de Galo sobe ao palco do Teatro Carlos Alberto, de 24 a 26 de setembro, quinta-feira e sábado, às 19h00, e sexta-feira, às 21h00. Os bilhetes têm o custo de 12 euros.
Mais informações em tnsj.pt/cantardegalo.

