Festivais
Gonçalo M. Tavares, Juan Gabriel Vásquez, Lídia Jorge e Ondjaki na primeira edição do Guadiana
Évora recebe o primeiro festival de literaturas afro-ibero-americanas realizado no Alentejo. De 9 a 11 de outubro, 28 autores de nove países reúnem-se num programa que cruza literatura, música, oficinas de desenho e literatura e spoken word.
9 Out a 11 Out 2026
Um projeto de Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, o GUADIANA Festival de literaturas afro-ibero-americanas, é o novo projeto cultural que pretende afirmar o Alentejo como um território de encontro entre diferentes geografias, línguas e tradições literárias.
Ao longo de três dias, 28 autores, de nove países — Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Nicarágua, Portugal e São Tomé e Príncipe — dão vida a um programa diversificado que inclui mesas de conversa, música, oficinas de desenho e literatura, uma sessão de spoken word e momentos de encontro entre autores e leitores.
A estreia do GUADIANA reúne alguns dos nomes mais relevantes da literatura contemporânea em português e espanhol, entre os quais Lídia Jorge, vencedora do Prémio Camões e do Prémio Pessoa, Juan Gabriel Vásquez, Prémio Bienal de Novela Mario Vargas Llosa, Gonçalo M. Tavares, recentemente distinguido com o Prémio Formentor das Letras, Ondjaki, Prémio José Saramago, Sara Mesa, Prémio Herralde de Novela, e Tatiana Salem Levy, Prémio São Paulo de Literatura. O cartaz fica completo com Afonso Cruz, Anna Pacheco, António Sáez Delgado, Aroa Moreno Durán, Claudia Neira Bermúdez, o fotógrafo Daniel Mordzinski, Dulce Maria Cardoso, Emiliano Monge, Frederico Pedreira, Javier Rodríguez Marcos, Joana Bértholo, Joana Estrela, João de Melo, Jorge Reis Sá, José Luís Peixoto, Luca Argel, Miguel Filipe Mochila, Pilar del Río, Raquel Gaspar Silva, Raquel Lima e Sara Rodi.
O nome do festival, por sua vez, não foi escolhido por acaso. A organização escolheu GUADIANA pela carga simbólica do rio que atravessa Espanha e Portugal, une margens e constrói a sua identidade precisamente no percurso (às vezes visível e outras submerso) e nas ligações que estabelece. É essa ideia de circulação, encontro e partilha que inspira o projeto. Tal como o rio, também a literatura atravessa fronteiras, aproxima comunidades e transporta memórias, culturas e formas de olhar o mundo.
Mais do que um conjunto de apresentações de livros ou debates literários, o GUADIANA propõe um tempo de Vagar: um espaço para parar, conversar, escutar e pensar em conjunto, num território onde a paisagem alentejana continua a resistir ao ritmo acelerado do presente. Segundo António Sáez Delgado, curador do festival, “o GUADIANA nasce como um convite ao Vagar, à conversa e à escuta. Queremos criar um espaço onde escritores e leitores possam pensar o presente sem pressa, através da literatura, e fazer do Alentejo um lugar de encontro entre diferentes culturas e geografias”.
Todas as atividades do festival serão gratuitas. As mesas de conversa e o concerto programado para o Teatro Garcia de Resende requerem apenas o levantamento de um bilhete gratuito, enquanto as oficinas decorrem na Livraria Fonte de Letras e a sessão de spoken word no Bar A Mandrágora, com acesso livre, e mediante a lotação dos espaços.
Pensado desde o início como um projeto com vocação de continuidade, o festival pretende manter-se para além do ciclo da Capital Europeia da Cultura. A organização assume como compromisso a construção de um legado duradouro no panorama cultural do Alentejo, consolidando, edição após edição, um espaço dedicado às literaturas afro-ibero-americanas e ao diálogo intercultural.
A primeira edição do GUADIANA Festival de literaturas afro-ibero-americanas decorre em Évora, de 9 a 11 de outubro, afirmando-se como uma nova aposta na descentralização da programação literária nacional e na valorização da diversidade cultural do espaço afro-ibero-americano.

