Música
Marcelo Magalhães ao vivo em Lisboa
O pianista, compositor e professor brasileiro Marcelo Magalhães, de passagem por Portugal, apresenta-se em duo com um dos nomes de referência do jazz contemporâneo francês e europeu.
9 Out 2026 | 21h30
A primeira apresentação acontece na Fábrica Braço de Prata, espaço cultural, pedagógico e de criação artística, no dia 9 de outubro, sexta-feira, às 21h30, em Lisboa.
Uma noite em um espaços de referência e um encontro musical que aproxima a música brasileira instrumental, o jazz e a improvisação, através da linguagem singular de dois artistas com percursos académicos e artísticos de forte dimensão internacional.
UM ENCONTRO ENTRE O BRASIL, O JAZZ E A IMPROVISAÇÃO
O repertório reúne sobretudo composições de Marcelo Magalhães, entre temas autorais e releituras de obras que atravessam diferentes universos da música brasileira e do jazz.
Entre as peças previstas estão “New Paths”, “Conversa de Boiadeiro”, “Brejeiro”, de Ernesto Nazareth, “Trem Azul”, de Lô Borges e Ronaldo Bastos, entre outras possibilidades que poderão surgir a partir da dinâmica própria da improvisação jazzística.
Mais do que uma apresentação de repertório fechado, o encontro propõe ao público uma experiência musical aberta ao diálogo, à espontaneidade e à criação no momento da performance.
MARCELO MAGALHÃES: ENTRE MINAS GERAIS, O JAZZ E O MUNDO
Natural da cidade de Belo Horizonte em Minas Gerais, Marcelo Magalhães é pianista, compositor e investigador cuja trajetória articula, com rara organicidade, a música brasileira, o jazz e a tradição erudita.
É doutorado em Jazz Piano pela Eastman School of Music, da University of Rochester (EUA), onde estudou sob a orientação do consagrado pianista Harold Danko. Foi também o primeiro aluno da instituição a receber o Marian McPartland Award, distinção atribuída em reconhecimento à excelência académica e aos relevantes serviços prestados à universidade.
Durante o doutoramento, para além de aprofundar os seus estudos sobre a tradição do jazz norte-americano, Marcelo destacou-se pela divulgação da música brasileira no contexto académico internacional.
A sua investigação de doutoramento dedicou-se ao pensamento musical de Egberto Gismonti, com especial atenção à obra “7 Anéis”, lançando novas perspectivas sobre a sofisticação do choro e da linguagem instrumental brasileira.
A sua formação inclui passagens pela Escola de Música da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, pela Berklee College of Music, em Boston, e pelo Conservatoire National de Région de Nice, em França.
Durante o período em França, participou no concerto de encerramento do Ano do Brasil em França, em Paris, ao lado da Orquestra Sinfónica da UNESCO, numa apresentação dirigida pelo compositor e maestro Francis Hime, reforçando a sua presença em importantes contextos culturais internacionais.
Marcelo Magalhães transita com naturalidade entre diferentes formações e linguagens musicais. No universo da música de concerto, foi pianista da Orquestra Experimental de Ouro Preto e solista da Orquestra Pro-Música de Juiz de Fora. Na música latino-americana, integrou o Quinteto Dialeto, dedicado à música argentina, com especial atenção à obra de Astor Piazzolla.
No campo do jazz e da música instrumental, participa regularmente em festivais e projetos no Brasil e no estrangeiro, em apresentações a solo e em formações que vão do duo às grandes formações instrumentais.
DONO DE UMA OBRA AUTORAL ENTRE TRADIÇÃO E CONTEMPORANEIDADE
Como compositor, Marcelo Magalhães possui uma discografia autoral diversificada, construída a partir do diálogo entre diferentes tradições musicais.
O seu primeiro álbum, “Paisagens de Minas” (2009), marcou oficialmente a sua estreia como compositor e foi lançado pela editora Karmin, com assinatura de Russell Ferrante e com aparticipação do saxofonista francês Jean-Marc Baccarini.
Inspirado nas montanhas da “Suíça brasileira” como é conhecida Minas Gerais, nas águas e na atmosfera do interior daquele estado, o álbum revela uma escrita que combina lirismo, sofisticação harmónica e identidade regional.
Em 2018, lançou “Impressões”, trabalho inspirado nas experiências vividas durante o período em que esteve nos Estados Unidos, aproximando a matriz musical brasileira da linguagem da improvisação jazzística. O álbum contou com a participação dos instrumentistas polacos Dariusz e Zenon Terefenko, além de destacados músicos brasileiros, reforçando o diálogo internacional presente na sua obra.
No mesmo ano (2018), compôs a “Missa da Capela Magnificat”, obra encomendada que evidencia a sua amplitude estética e domínio técnico. Escrita em latim e inspirada na tradição da missa católica, a peça articula elementos da música modal com referências a géneros brasileiros como o baião, o choro e o samba, além de aproximações à gospel music. O resultado revela uma escrita em que a música se coloca ao serviço do sentido do texto, num equilíbrio entre erudição e brasilidade.
A sua produção inclui ainda “Shifting Perspectives”, gravado em parceria com Doug Stone, em Nova Orleães, e lançado pela editora Ears and Eyes Records, bem como “Beating the Odds” (2024), continuidade dessa colaboração.
Em 2026, Marcelo lança “Bate Papo”, ao lado do saxofonista Daniel Garcia, inaugurando a editora Luzeiro Records — mais um passo no percurso de independência artística e expansão criativa do músico.
Em 2023, criou o Luzeiro Musical Lab, selo e estúdio dedicado à produção, gravação e difusão da música contemporânea. O espaço já recebeu músicos de relevo no cenário internacional e tornou-se também uma plataforma para podcasts e registos fonográficos que dialogam com diferentes vertentes do jazz e da música instrumental.
Com mestrado, publicações em revistas especializadas, como Per Musi, no Brasil, e Ars Inter Culturas, na Polónia, além de presença em festivais como o Savassi Jazz Festival e o Rochester International Jazz Festival, Marcelo Magalhães constrói uma carreira marcada pela investigação, pela excelência técnica e por uma musicalidade profundamente sensível.
Pianista de toque refinado, improvisador inventivo e compositor de identidade marcante, Marcelo Magalhães traduz, através da sua música, o encontro entre Minas Gerais e o mundo, levando a força e a diversidade da música brasileira a diferentes contextos internacionais, sem perder a elegância, a profundidade e a emoção que caracterizam a sua arte.
JEAN-MARC BACCARINI: O JAZZ FRANCÊS EM DIÁLOGO COM O BRASIL
Ao lado de Marcelo Magalhães estará Jean-Marc Baccarini, renomado saxofonista e compositor francês, reconhecido pelo percurso que o levou da formação em música clássica à linguagem do jazz e da improvisação.
Com mais de 25 anos de carreira dedicados ao jazz e à música instrumental, Baccarini construiu uma trajetória artística profundamente ligada ao sul de França e, particularmente, à região da Costa Azul (Côte d’Azur), onde desenvolve igualmente uma importante actividade pedagógica.
Professor de saxofone e jazz, leciona no Conservatoire à Rayonnement Régional de Nice e no Conservatoire de Saint-Laurent-du-Var, instituições que desempenham um papel relevante na formação musical da região.
A sua trajetória artística cruza-se, assim, com diferentes universos musicais e culturais, tendo a improvisação como elemento central da sua expressão.
A presença de Jean-Marc Baccarini nesta apresentação em Portugal ganha ainda um significado especial pelo reencontro artístico com Marcelo Magalhães, com quem já colaborou no álbum “Paisagens de Minas”.
UMA NOITE, UM ESPAÇO CULTURAL DE LISBOA, UM ENCONTRO MUSICAL ÚNICO
É com dois percursos artísticos de forte dimensão internacional que Marcelo Magalhães e Jean-Marc Baccarini chegam a Portugal para uma apresentação especial.
O público terá a oportunidade de assistir a um encontro entre a música brasileira, o jazz europeu e a improvisação, numa formação intimista que privilegia a escuta, o diálogo entre os instrumentos e a liberdade criativa.
Será uma única apresentação, em um espaço dedicado à cultura e à música, pensadas para um público interessado em descobrir novas pontes entre o Brasil e a cena musical europeia.
Reservas: +351 914 930 137

