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Infantil

Ser Diferente é Normal

Uma girafa de pescoço curto, uma toupeira com asas, um elefante sem tromba... Oito animais incapazes de fazer aquilo que seria "normal" para a sua espécie descobrem que fazem parte de uma história e que ser diferente pode ser a maior revelação das suas vidas.

10 Out a 7 Nov 2026

Teatro Tivoli BBVA
Av. da Liberdade, 182/188, 1250-146 Lisboa
Baseado no livro de Rui Malvarez, o espetáculo é um convite às crianças (e aos adultos) para refletirem sobre aceitação, respeito e saúde mental. Longe de ter um tom moralista, a mensagem chega pelo humor, pela música e pela emoção, numa peça divertida, cheia de ritmo, que promete deixar o público bem-disposto e animado

Uma girafa de pescoço curto, uma toupeira com asas, um elefante sem tromba, um pelicano sem patas, um hipopótamo magérrimo, um crocodilo sem dentes, um urso de pelo comprido e um leão sem juba. Incapazes de fazer aquilo que seria "normal" para a sua espécie, sentem-se deslocados, inúteis e sozinhos - até que uma tempestade os reúne numa gruta e os obriga a olhar de frente para os seus medos, frustrações e desejos de serem iguais aos outros.

Quando tudo parece perdido, descobrem algo extraordinário: fazem parte de uma história. E talvez, se conseguirem contactar o seu criador, possam pedir para serem “corrigidos”. Mas o que começa como um pedido de normalidade transforma-se numa revelação inesperada.

É esta a história de "Ser Diferente é Normal", livro de Rui Malvarez lançado em 2024, que chega agora ao palco do Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, numa adaptação em teatro musical de grande dimensão. Produzido pela Plano 6, com encenação de Luís Lourenço, músicas de António Andrade Santos, cenografia e figurinos de Clivia Cohen, coreografias de Colin Vieira e desenho de Luz de Tomás Ribas, o espetáculo estreia a 10 de outubro - Dia Mundial da Saúde Mental - e mantém-se em cena até 7 de novembro, de segunda a sexta-feira em sessões exclusivas para escolas e aos sábados para o público em geral. Haverá ainda uma sessão com audiodescrição e interpretação em Língua Gestual Portuguesa, no dia 1 de novembro.

A história nasceu, na verdade, muito antes de ser um livro: começou como um conto inventado por Rui Malvarez para os filhos, nas noites em que já não havia mais nada na estante para ler. "Numa dessas noites surgiram espontaneamente alguns animais diferentes. Eles gostaram tanto da história e compreenderam tão naturalmente a mensagem que percebi que havia ali qualquer coisa que valia a pena explorar", recorda o autor. Por trás da escolha de animais fisicamente "incompletos" está também uma experiência pessoal: Rui Malvarez nasceu com um sopro cardíaco que condicionou a sua infância e adolescência. "A minha diferença não era visível, mas existia. Nunca gostei de me sentir inferior por ser diferente - e essa experiência ajudou-me a perceber muito cedo que aquilo de que precisamos não é de pena nem de preconceito: é de aceitação, respeito e da possibilidade de fazermos a nossa vida sem sermos colocados à parte", partilha.

Passado o livro para palco, a história ganha uma dimensão que a página não permite. "No livro, há sempre uma parte da história que vive na imaginação de cada leitor. No palco, essas personagens tornam-se tangíveis: ganham corpo, voz, movimento, expressão e emoção", explica Rui Malvarez. "De repente, aquelas personagens estão mesmo ali, à frente das crianças, e isso cria uma envolvência e uma ligação emocional muito particulares." Também Luís Lourenço, responsável pela encenação, sublinha a exigência deste projeto: "Nenhuma frase, nenhum momento passa sem uma motivação, uma razão ou uma intenção clara", afirma o encenador, para quem o maior desafio foi "fazer com que os atores estejam profundamente envolvidos com o simbolismo de cada momento, evitando cair no didatismo com um público tão sensível”.

A coincidência entre a estreia e o Dia Mundial da Saúde Mental acabou por ganhar um significado que Rui Malvarez faz questão de sublinhar: "De certa forma, o grande 'vilão' da peça está dentro da cabeça de cada uma das personagens. São as barreiras que criamos, as inseguranças, a necessidade de corresponder às expectativas dos outros e o peso que damos ao olhar e à opinião externa." Numa altura em que a pressão dos pares, da escola e das redes sociais empurra as crianças para uma ideia "quase impossível de perfeição", o autor acredita que dar-lhes ferramentas para saírem dessa comparação permanente é também um ato de saúde mental. Para o encenador, a síntese do espetáculo cabe em poucas palavras: "Um espetáculo que mostra que tudo no mundo pode e deve ser compreendido tal como é, sem diferenças e com inclusão. Há sempre o lado bom e positivo em tudo."

Depois de Lisboa, "Ser Diferente é Normal" segue em digressão: em dezembro chega a Cascais e, em março ao Porto, com o objetivo assumido de continuar a percorrer escolas e cidades por todo o país. "Não acredito que uma peça de teatro mude o mundo sozinha. Mas pode iniciar uma conversa no caminho para casa, reforçar aquilo que é ensinado em família ou na escola, despertar uma pergunta ou fazer uma criança olhar de maneira diferente para alguém. E isso já é muito importante", remata Rui Malvarez.

Os bilhetes para as sessões de sábado estão à venda nos locais habituais. As sessões de segunda a sexta-feira são exclusivas para escolas, com marcação direta junto da produtora Plano 6, através do e-mail escolas@plano6.pt ou do telefone 213 304 152. Professores e técnicos de educação que acompanhem os grupos têm entrada gratuita.

Mais informações em www.plano6.pt
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