Exposições
João Pimenta Gomes – New Age
A exposição New Age apresenta um conjunto de esculturas sonoras que desafiam as fronteiras entre instrumento musical, escultura e composição.
2 Out a 22 Fev 2027
São 15 esculturas orgânicas em alumínio que funcionam como altifalantes acústicos – ressoadores de peças de som que João Pimenta Gomes compôs e interpretou num Cristal Baschet, por si construído. Por meio de vibrações transmitidas a estes ressoadores, o artista cria uma composição sonora única, sem sequência física e temporal, inseparável das qualidades físicas e espaciais das próprias esculturas.
Desenvolvida especificamente para a Sala Estúdio do MAAT, a instalação estabelece um diálogo contínuo entre som e arquitetura. As distâncias e os ângulos entre as diferentes peças foram cuidadosamente estudados por João Pimenta Gomes, dando origem a um ecossistema áudio-escultórico que transforma a perceção do espaço expositivo.
O título New Age evoca o movimento cultural que, a partir dos anos 1970, promoveu uma visão integrada das artes, da experiência sensorial e das formas de conhecimento. Essa ideia de cruzamento entre disciplinas encontra eco na prática de João Pimenta Gomes, artista que desenvolve o seu trabalho entre a música e as artes visuais.
“Porque, nesta como em tantas outras obras de Pimenta Gomes, não se trata de querer reproduzir outros sons; trata-se de querer produzir uma composição que tem como principal instrumento, e como único instrumentista, a própria escultura”, explica Bruno Marchand, curador da exposição.
Marchand destaca ainda que “João Pimenta Gomes faz parte desse grupo de artistas que transita livremente entre diferentes campos criativos. O seu reconhecimento público despontou sobretudo na área da música, mas o seu trabalho nas artes visuais impôs, desde o início, uma dinâmica de contaminação entre ambas”. O curador sublinha também o interesse do artista por instrumentos e tecnologias ligadas à criação, gravação e difusão musical, um património material e histórico que constitui a base de muitas das suas propostas artísticas.
João Pimenta Gomes (Lisboa, 1989) é um artista visual e músico que vive e trabalha em Lisboa. Estudou Produção Musical, Fotografia e Desenho e foi professor convidado de Som e Imagem na Escola das Artes da Universidade Católica do Porto. Entre os projetos, exposições e performances ao vivo dos últimos anos, destacam-se: Dois Stereos, Galeria da Boavista, Lisboa, 2025; Line Array, Casa da Cerca, Almada, 2025; Últimos sons, Galeria Vera Cortês, Lisboa, 2014; Love Cry, Central Artística de Bueño (Fundación EDP), Bueño, 2023; Two Virgins, gnration, Braga, 2023; a exposição coletiva Esfíngico Frontal, Galeria Mendes Wood DM, São Paulo, 2023; Poly-Free, MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Lisboa, 2022; Alto Mar / Metavox, Palácio Nacional de Belém, Lisboa, e Les Laboratoires d’Aubervilliers, Aubervilliers, 2022; Doppelganger III, Sound & Future, Plataforma Revólver, Lisboa, 2022; Doppelganger VII, Lux Frágil, Lisboa, 2022; Clouds, Kunstraum Botschaft, Berlim, 2021; e, enquanto membro do grupo Matéria Simples, A Ilha de Calipso, Appleton Garagem e Micro Ressonâncias, Appleton Box, ambas em Lisboa, em 2020.
O Cristal Baschet é um instrumento musical desenvolvido pelos irmãos Bernard e François Baschet em França, nos anos 1950. Composto por vidro e metal, o seu som etéreo e espectral é produzido quando dedos humedecidos friccionam varetas de vidro de diferentes tamanhos. Esta fricção transmite vibrações a um complexo sistema de ressoadores passivos, composto por cones de alumínio, chapas metálicas e difusores de fibra de vidro. Nesta instalação, o artista restringe a utilização aos ressoadores metálicos e foliformes, utilizando-os como amplificadores acústicos que difundem vozes previamente gravadas, processadas e moduladas, transformando-os em filtros vibrantes através dos quais o som é emitido e reincorporado numa nova materialidade.

