Literatura
Bruno Costa Carvalho estreia-se no romance com Qaarn, uma obra de ficção científica sobre o dia em que a humanidade deixou de ser o centro da história
Depois de três obras de pensamento sobre Deus, o futuro e a inteligência artificial, o autor portuense apresenta o seu primeiro romance esta sexta-feira, 16 de outubro, em Matosinhos. E não esconde a ambição: uma edição em língua inglesa para o mercado norte-americano e uma adaptação ao cinema em trilogia, uma por cada fase do livro.
16 Out 2026 | 19h00
É com esta premissa, seca e inquietante, que Bruno Costa Carvalho entra no território do romance. Qaarn, com a chancela da Glaciar e assinado como Norub, é apresentado na sexta-feira, 16 de outubro, às 19h00, no estúdio de design This is Pacifica, em Matosinhos.
Uma nave colossal aparece sobre a Terra. Dezenas de outras sobem dos oceanos. Do outro lado está uma civilização antiga, disciplinada e com uma tecnologia esmagadoramente superior: os Qaarn. Em poucos dias, os governos deixam de existir, os exércitos tornam-se inúteis e a espécie humana tem de aceitar uma nova ordem que lhe muda a existência por completo. Mas os Qaarn não estão sozinhos na disputa pelo destino da humanidade. Num universo de impérios, guerras religiosas e inteligências artificiais cada vez mais poderosas, a Terra passa a ser apenas uma peça de um confronto muito maior.
O romance divide-se em três movimentos, Regressão, Rendição e Ascensão, e trata o poder, a liberdade, a fé, a tecnologia e os riscos da inteligência artificial com a seriedade de um ensaio e o ritmo de um thriller. No centro de tudo está uma pergunta que o género raramente se atreve a fazer de frente: e se não formos nós o centro da história?
Qaarn pertence a uma linhagem nobre. É a ficção científica que, de Arthur C. Clarke a Stanis?aw Lem, usou o futuro para medir o presente e as estrelas para medir o homem. Para o autor, não é uma mudança de rumo. É uma consequência. Em Skype com Deus (2016), conversou com Deus sobre a origem do Universo e o sentido da vida. Em Plus Ultra: Uma Conversa Sobre o Futuro (2016), pensou os limites e as promessas do progresso. Em Turing-X: O Teste de Inteligência Artificial (2025), pôs Lex Fridman, Neil deGrasse Tyson e Sam Harris a interrogar uma entidade de natureza desconhecida, num teste de Turing reinventado. Em Qaarn, as perguntas que atravessam toda a obra deixam o terreno do diálogo e ganham corpo, conflito e destino.
UM LIVRO ESCRITO PARA ATRAVESSAR O ATLÂNTICO
A ambição do autor vai além do mercado português, e é assumida desde o primeiro dia. O primeiro objetivo é a publicação nos Estados Unidos, numa edição em inglês pensada para o maior mercado de ficção científica do mundo, onde o género tem uma tradição sem paralelo de leitores, crítica e indústria. O segundo é o cinema: o autor vê na estrutura de Qaarn uma trilogia natural, com um filme para cada uma das três fases do romance, e um potencial visual à medida de uma produção internacional.
«Escrevi Qaarn como quem escreve para o mundo inteiro. As perguntas que o livro faz não têm passaporte: o que fazemos quando deixamos de mandar no nosso próprio destino, e o que fica de humano quando alguém nos ultrapassa. Quero que esta história chegue aos leitores norte-americanos e, um dia, ao grande ecrã. Quem gostar de ficção científica, gostará deste livro».
BRUNO COSTA CARVALHO

