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Cinema e Vídeo

Porto/Post/Doc fecha programação da 13.ª edição

Entre 19 e 28 de novembro, o Porto/Post/Doc regressa ao Porto para a sua 13.ª edição e revela agora a programação completa.

19 Nov a 28 Nov 2026

Porto
A Competição Internacional e a Competição Cinema Falado colocam no centro algumas das questões que atravessam esta edição: pertença, memória, deslocação, identidade e as formas como o cinema pode interrogar o presente a partir de diferentes geografias e linguagens. A forte presença de produção portuguesa prolonga esse olhar por várias secções do festival, enquanto o foco dedicado a Alain Gomis aproxima ficção, documentário e pensamento pós-colonial. A música ganha também um lugar particular na programação, entre a competição Transmission e “O Futuro é Punk”, programa especial que propõe o regresso às primeiras explosões do punk em Londres, Nova Iorque e Berlim para observar a sua permanência enquanto linguagem cultural, política e estética, cinquenta anos depois. 

Composto por oito filmes, a seleção da competição internacional deste ano volta reúne um conjunto de filmes cuja linguagem desafia o formato habitual do documentário para pensar questões como a pertença, a memória, o exílio e a resistência. Em “Ensaios para uma Revolução”, Pegah Ahangarani revisita a história recente do Irão através das memórias de familiares e mentores, enquanto “Segurar uma Montanha”, de Biljana Tutorov e Petar Glomazi?, acompanha uma pastora e a filha na defesa das terras ancestrais de Sinjajevina, no Montenegro. A relação entre memória e território prolonga-se em “Tudo é Prisão”, de Eloy Enciso, que confronta os vestígios da repressão franquista e do esquecimento coletivo, e em “Dao”, de Alain Gomis, onde uma família se move entre França e Guiné-Bissau, entre ritual, memória e transmissão. Em “À Noite”, Beatrice Gibson segue seis mulheres pelas ruas de Paris, entre desejos, encontros e incertezas, enquanto “Longe das Árvores”, de Meritxell Colell Aparicio, acompanha uma artista sonora no Peru, onde a gravação de línguas ameaçadas desperta ecos da história de exílio da sua família. “Flor de Fogo”, de Ana Vaz, cruza um diário íntimo com as memórias de comunidades japonesas depois do tsunami e do desastre nuclear de 2011, e “Castelo de Lata”, de Alexander Murphy, observa o quotidiano de uma família que vive numa caravana sob ameaça de despejo.

A língua portuguesa ocupa um lugar central na seleção. A Competição Cinema Falado propõe-nos um conjunto de observações sobre o quotidiano, atravessando histórias da diáspora cabo-verdiana, de Moçambique, da comunidade cigana, do Brasil e das paisagens ibéricas. A seleção inclui “Nha Balila”, de André Xina e Inês T. Alves; “Cochena”, de Diogo Allen; “Fosfeno”, de Miguel Filgueiras; “A Miragem”, de Bingham Bryant; “Os Continuadores da Revolução”, de Pedro Neves, e “Amílcar”, de Miguel Eek, que revisita através de cartas, poemas e arquivos a vida e o pensamento político de Amílcar Cabral.

O cinema português prolonga-se por todo o festival. “A Cidade e os Mapas”, primeira longa-metragem de Alexandra Guimarães e Gonçalo L. Almeida, abre a edição com um olhar sobre um Porto transformado pelo trabalho, turismo e migrações. Na competição Transmission, “Esta Vida de Marinheiro”, de Paulo Miguel e Borges Antunes, recupera a vida e obra de João Aguardela. A Competição Cinema Novo reúne várias curtas portuguesas, enquanto o programa “Entre Imagens” percorre diferentes representações do Porto através de obras de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, Fernando Lopes, Sandro Aguilar, Sério Fernandes e Jorge Quintela, numa parceria com o programa Malha. Nota especial ainda para a passagem de “Auto da Casa”, de Tiago Bartolomeu Costa e Joana Cunha Ferreira, e “Curadores da Rua”, de Luís Pedro Costa e António Toga.

Um dos focos desta edição é dedicado ao franco-senegalês Alain Gomis, cineasta cuja obra cruza ficção e documentário para abordar temas como exílio, identidade e memória. O programa reúne os títulos “Como um Homem”, “Andaluzia”, “Dao”, “Rewind & Play”, “Hoje” e “Félicité”, percorrendo mais de duas décadas de um cinema atento às marcas da colonização, às deslocações e às formas como as histórias individuais se inscrevem em experiências coletivas. O foco prolonga-se com dois programas dedicados ao Centro Yennenga, fundado por Gomis em Dakar, espaço de formação, pós-produção e difusão que acompanha uma nova geração de cineastas da África Ocidental.

A programação completa-se com as Competições de Curtas e Médias Metragens, o Cinema Novo (dedicado aos filmes de escola), o programa Docs4Teens dedicado aos mais jovens e o cinema fulldome no Planetário. Fora das salas de cinema, a proposta programática inclui ainda concertos de tédio fc, Bastonada, Manga Cava, FUCK IT e Stella 99, apresentados no Passos Manuel em parceria com a Opala, promotora do Porto dedicada a projetos musicais alternativos.

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