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Literatura

Lançamento do Livro "Neutralidades que matam"

A psiquiatra e escritora Juliana Garbayo apresenta seu novo livro Neutralidades que matam em Aveiro (dia 5 de novembro), Lisboa, na livraria Saudade (dia 7 de novembro) e Porto (14 de novembro). O livro da editora Urutau (Portugal,Brasil e Galícia), tem edição de Wladimir Waz.

7 Nov 2026  |  16h00

Livraria Saudade
Rua Melvin Jones, 7A, 1600-867 Lisboa
Preço
Entrada livre
Um livro entre a poesia, a prosa e a experiência do corpo em trânsito. A mudança para Portugal teve um papel importante no percurso literário de Juliana. Foi em Aveiro, cidade onde vive atualmente, que começou a escrever. “Acho que imigrar provocou minha escrita. O imigrante meio que volta a ser criança, olha tudo com olhos de novidade, tudo é interessante, cada planta no caminho, cada flor, cada padaria. Não sabemos como fazer nada, até pra subir no ônibus é preciso observar e descobrir se se sobe pela frente ou por trás. Isso desperta a observação e a curiosidade”, diz Juliana Garbayo.

"Neutralidades que matam" surgiu de maneira espontânea, sem um projeto temático previamente definido. Durante o mestrado em Psiquiatria e Psicoterapia Psicodinâmica na Universidade do Porto, Juliana fazia regularmente o percurso de comboio. Se as viagens de ida eram dedicadas à leitura, as de regresso tornavam-se momentos de observação e elaboração.

A formação em psiquiatria ajuda a compreender a sensibilidade que atravessa a escrita. Para Juliana, a psiquiatria e a literatura partilham o interesse pela palavra e pelo que existe para além do que é imediatamente dito: o subterrâneo, o subtexto, aquilo que permanece oculto e aguarda ser desvendado. É nesse espaço de aproximação entre o visível e o invisível que a autora encontra uma das ligações mais profundas entre as duas áreas a que se dedica.

Essa experiência da imigração está presente também na linguagem do livro. Entre o português do brasil e o português europeu, a autora encontrou uma voz própria, um idioma híbrido que já não é inteiramente o de onde veio, nem o do lugar onde vive. Em vez de resistir a essa transformação, decidiu acolhê-la. É uma escrita marcada pela condição de estar entre lugares, referências e modos de sentir uma experiência que não se limita à geografia, mas se estende à própria forma literária.
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